POV DON ERNESTO O corredor do andar executivo da Montenegro Enterprises sempre foi um lugar de silêncios eloquentes. Passos abafados pelo tapete persa, o zumbido distante das máquinas de café, o sussurro de conversas atrás de portas de carvalho. Um ecossistema de poder que eu mesmo projetei. Por isso, o som dissonante vindo da esquina que levava aos elevadores privativos me fez parar imediatamente. Vozes. Agitadas. Femininas e masculinas. Um tom de desespero misturado com ganância. Os Andrades. Eu não precisava vê-los para saber. O cheiro da ruína financeira deles parecia precedê-los. Ajustei a manga da camisa com um gesto automático e virei a esquina com a calma de um falcão que avistou a sua presa em território que considera seguro. Lá estavam eles. Roberto Andrade, o rosto corado,

