POV Adrián Valéria sentou-se na beira da cama, de costas para mim, olhando pela janela para o jardim agora escuro. Os seus ombros tremiam levemente, um movimento quase imperceptível que notei porque conhecia cada centímetro do seu corpo. Ela havia parado de chorar alto, mas a dor ainda a percorria. — A foto. Eu disse, a minha voz estranhamente rouca no silêncio. — Não era o que parecia. Ela não se mexeu. — Eu estava inconsciente. Continuei, me forçando a explicar, a desmantelar aquela mentira pedaço por pedaço. — A bala, a perda de sangue... a velha que me ajudou disse que eu fiquei em transe entre a inconsciência e o nada por três dias. Sofia chegou depois. Quando acordei e a vi lá... imediatamente perguntei por você. Valéria virou a cabeça lentamente. Os seus olhos estavam vermelhos

