Capítulo 8 CORVO NARRANDO Eu fechei a porta do quarto atrás de mim com mais força do que precisava. Não porque estivesse com raiva dela. Mentira. Era exatamente por isso. Desci as escadas devagar, sentindo o peso dessa casa cair em cima de mim. A música do baile ainda zunia distante na minha cabeça, misturada com a imagem dela dançando, provocando, sorrindo como se não estivesse com uma arma apontada pra vida. A sala estava vazia. Silenciosa demais. Peguei a caixinha de metal em cima da mesa, abri, enrolei o baseadö com mãos que ainda tremiam um pouco. Acendi. Traguei fundo. A fumaça queimou a garganta. Boa. Eu precisava sentir alguma coisa que não fosse esse nó no peito. Me joguei no sofá, encarando o teto. A imagem dela vinha sem pedir licença. A boca dela. O jeito que me

