III — RIQUINHA IRRITANTE X BANDIDO ARROGANTE

1089 Words
Depois do almoço, os rapazes foram para a boca, e Júlia, Laura e Gabi ficaram conversando. — Bem marrentinho o amigo de vocês — a Laura falou revirando os olhos. — O PH é bem legal, mas é o mais marrento dos três — A Gabi falou, e a Júlia assentiu. — Percebi — Laura respondeu arqueando uma sobrancelha, tentando disfarçar o interesse. — Mas ele é bem gato, não e? — Gabi comentou percebendo um certo desdém de quem quer comprar. — O que ele tem de bonito, tem de arrogante — a Laura falou, fazendo com que a Júlia e a Gabi se olhassem com um leve sorriso. *** Já de noite, o Gringo pediu para o PH, que estava conversando com alguns dos soldados da Rocinha, para ele levar a Laura em casa. — Coé mermão, agora eu sou chofer de riquinha, é? — PH perguntou irritado. — Quebra essa PH, eu preciso trocar uma ideia com a Júlia, e o Jotinha vai ficar na boca até mais tarde hoje. — Fazer o que, né? Vou aguentar essa riquinha até a lagoa. Espero que ela fique calada o caminho o todo. PH chegou na frente da casa do Gringo para buscar Laura, e ela entrou no carro se despedindo de Júlia e de Gabi. — É aqui que tem os bailes? — Laura perguntou apontando, enquanto o carro passava de frente a quadra. PH super m*l humorado, só se deu ao trabalho de responder assentindo com a cabeça, mas o que ele realmente pensou em dizer para ela, é que ele não era guia turístico. Já fora da rocinha, o celular de Laura tocou. — Oi Gui. PH imediatamente tirando suas próprias conclusões, achou que Gui se tratava de algum namorado riquinho da Laura. — Eu passei o dia fora, mas já estou próximo de casa — ela respondeu, sabendo que seu irmão havia ficado preocupado. PH queria ser um mosquito, só para escutar o que Guilherme falava do outro lado. — Ela tá aqui no Rio, feliz e com pessoas que se importam com ela de verdade, diferente da cobra da Lívia — Laura falou fazendo com que PH deve um sorriso discreto. O rapaz gostou da forma que ela falou dos seus amigos. Do outro lado, como bom irmão mais velho, Guilherme dava algumas instruções a Laura, pedido que ela se cuidasse, trancasse a porta direito ao chegar em casa. Esses tipos de coisas, sabe? — Ta bom... Se cuida também. Te amo! — Laura falou encerrando a ligação. O "te amo" que Laura falou para Guilherme no final da ligação, fez com que PH imaginasse que ela estava em um relacionamento sério. Ele até tentou se convencer que era indiferente a isso, mas de alguma forma o incomodou. — Pensei que tu não tinha curtido muito ver tua amiga na comunidade com um monte de favelado. Mas, pela tua conversa aí dando moral pro pessoal do morro, acho que o teu problema foi só comigo — ele falou dando uma olhada de lado pra ela. — Acho que o teu problema é que tu pensa demais — Laura falou com uma segurança que deixou PH intrigado. — Tu se acha a superiorzona, né riquinha? — ele falou irritado freando o carro. — disse que eu era bem limitado para ser um b@ndido, agora tá falando que eu penso demais. Qual é a tua? — Qual é a minha? Qual é a tua, garoto? — ela perguntou visivelmente chateada. — já veio querendo me diminuir, me chamando de riquinha da Zona Sul, como se eu fosse riquinha demais pra opinar no papo de gente grande de vocês. Agora vem com esse papo de que pensou que eu não tinha curtido vê a Júlia na Rocinha? Tu acha tudo errado, julga pela aparência e ainda arrota teu preconceito nas pessoas. — Tu me cortou na mesa quando eu falei... — Eu discordei de você — Laura falou alterando a voz, sem deixar que PH terminasse a frase — É normal que as pessoas discordem. Você estava discordando da Júlia na hora. Ta se achando a faca que enforcou Tiradentes, meu filho — ela falou abrindo a porta do carro e descendo. — Car@lho — PH falou irritado, batendo no volante e descendo do carro. Ele segurou ela pelo braço, antes que ela pudesse começar a andar. — Laura, entra no carro. — Me solta, eu vou andando — ela falou puxando o braço. — Eu vou te deixar em casa — ele falou encostando ela no carro, ficando cara a cara com ela — Se depois que eu meter o pé, tu não quiser mais olhar na minha cara, tudo bem, mas eu não vou te deixar sozinha na rua. Sem que eles se dessem conta, um beijo cheio de urgência começou a acontecer. PH ficou ofegante, aquele beijo estava sendo incrível, e deixou ele louco, e o seu p@u reagiu. Já Laura estava com seus batimentos acelerados e intensos, podendo ser sentidos por PH. — Entra no carro — PH falou do nada, interrompendo o beijo, ainda ofegante, se lembrando que Laura havia falado que amava um cara, e deixando Laura sem entender nada, ainda em transe pelo beijo. Ela fez o que ele pediu, mas dava para perceber que ela ficou chateada, e eles foram o caminho inteiro em silêncio. Quando eles chegaram no prédio de Laura, a garota que já estava mais irritada do que simplesmente chateada, não conseguiu descer do carro calada. — Desculpa pelo beijo — ela disse abrindo o cinto de segurança. — Não sabia que seu alto padrão de exigência, não te permitia beijar uma riquinha fútil da zona sul — ela disse saindo do carro e batendo a porta do carro com uma certa força. — AHH — PH gritou irritado, dessa vez dando três tapas no volante. PH voltou para a Rocinha intrigado com o fato da garota ter um namorado, falar eu te amo pro cara, e ainda se achar no direito de se sentir ofendida com ele. Ele foi dormir pensando na "riquinha", e nas coisas que ela falou para ele antes de descer do carro. Já Laura subiu para a sua cobertura batendo a porta, irritada por ter se deixado levar por aquele beijo. E mais irritada ainda por ter gostado tanto. — Eu que não vou ficar aqui bolada por causa de um bandidinho arrogante — Laura falou depois de ter tomado seu banho, já deitada na sua cama, abraçada ao travesseiro.
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