Paulo Henrique nasceu na comunidade da Rocinha, e sua realidade era o oposto da realidade de Laura.
Meses depois que ele nasceu, sua mãe foi embora, e ele e João Pedro seu irmão, foram criados pelo seu pai.
João Pedro era cinco anos mais velho que o irmão, e sempre ajudou o pai a cuidar dele.
Emílio, conhecido na comunidade como cabeludo, pai dos dois garotos, era gerente e braço direito do chefe do morro, junto com o amigo Marcão, que era subchefe.
Paulo Henrique, Daniel, que era filho do chefe do morro, e Jonathan, que estudava com eles, eram amigos, e viviam juntos desde criança.
Um certo dia, houve uma invasão na Rocinha, onde alguns policiais corruptos se juntaram a uma facção rival, e invadiram o morro.
João Pedro, o Irmão de Paulo Henrique foi atingido em uma das vielas do morro, e seu pai viu de longe. Cabeludo correu até o filho, e quando se abaixou, ainda desnorteado ao vê o filho morto, levou um tiro na cabeça e caiu por cima de João Pedro, morrendo na mesma hora.
Meses depois, o Chefe do morro e pai de Daniel, seu amigo, foi sequestrado e morto, e o filho, que passou a ser chamado de Gringo, assumiu no lugar do pai, colocando Paulo Henrique, que ficou conhecido no morro como PH a partir de então, como gerente.
Ambos eram novos, tinham apenas dezenove anos na época, e grandes responsabilidades.
Desde então, conseguiram junto com Jonathan, que passou a usar o codinome Jotinha, e que entrou para o mundo do crime dois anos depois, após a morte do subchefe Marcão, fazer um "bom" trabalho, deixando a facção satisfeita com os lucros, e a comunidade feliz com as melhorias feitas por lá.
***
Dez anos se passaram desde que PH assumiu a gerência do tráfico na Rocinha, e ele nunca assumiu nenhuma mulher como "fiel", ao contrário do seu pai, que tinha cinco mulheres quando morreu.
PH tem uma certa dificuldade em confiar nas pessoas, principalmente quando o assunto é mulher. Talvez pelo falto de ter sido abandonado pela mãe.
Isso não quer dizer que ele não se divirta, não, muito pelo contrário. Seja do morro ou do asfalto, o que não falta para PH são contatinhos, que ele só dispensa quando elas começam a confundir as coisas, achando que vão conseguir algo a mais com ele. Até porque ele é bem transparente, e não ilude nenhuma delas.
***
Gringo pediu a PH que fosse junto com Júlia sua mulher, e sua irmã Gabi, buscar uma amiga de Júlia na Lagoa.
Chegando lá a garota entrou no carro, e ele pôde olhar para ela pelo retrovisor. Se tratava de Laura, e ele achou a garota bem bonita. Porém, PH tinha um preconceito em relação a essas garotas "riquinhas da zona sul". Algumas delas subiam um morro em dia de baile e ele apesar de ficar com uma ou outra de vez em quando, achava elas muito fúteis.
Ele deixou as garotas na casa de Gringo, depois de m*l ter cumprimentado a garota, e de não ter falado uma única palavra no caminho, e voltou para a boca.
— Deu certo lá com a amiga da Patricinha — Daniel perguntou sentado na sua cadeira, em frente a sua mesa.
— Acabei de deixar elas lá.
— E como é a mina?
— Muito gata — PH falou sorrindo, e depois entortou a boca. — Mas, tem cara dessas riquinhas frescas.
Gringo ao perceber o sorriso de PH ao falar da amiga de Júlia, chamou ele e Jotinha para almoçarem na sua casa.
Eles chegaram na casa, e Laura estava conversando com Júlia e com Gabi, a irmã mais nova de Gringo. Dona Lúcia, uma senhora que trabalhava a muitos anos na casa de Gringo, e que havia preparado o almoço, avisou que tudo estava pronto, e todos foram para a mesa.
No almoço, eles discutiam o que deveria ser feito com a mãe e o padastro de Júlia como punição. Os dois tinham entregado Júlia a uns russos, em troca de armas para ser entregue em Amsterdam, para prostituição, mais precisamente tráfico de mulheres. Graças ao Gringo, que pagou um alto valor aos russos, eles não levaram Júlia em um container. Depois disso, Gringo levou Júlia para a casa dele na Rocinha, e eles se envolveram.
— Amiga, tu não pensa em denunciar eles? — Laura perguntou a Júlia.
— E trazer a atenção da polícia pra cá? Eu precisaria dizer onde eu estava nesse tempo todo, e eu não posso fazer isso. Mas, se não fosse por isso, eu não pensaria duas vezes.
— Eu não tinha pensado nisso — a Laura respondeu.
— Eles não podem ficar impunes — Gabi, a irmã de Gringo falou.
— Eles não vão — dessa vez foi gringo que fez questão de garantir.
— Eu odeio a Lívia, mas eu não quero ela morta — Júlia falou.
— Vai deixar ela se safar, então? — o PH perguntou.
— Não querer ela morta, não quer dizer que eles tenham que se safar — Laura falou fitando PH, que não conseguiu se segurar calado.
— E o que a riquinha da Zona Sul sugere?
— Como b@ndido, tu até que é bem limitado — Laura respondeu na lata. — Vocês não tem aquelas salas de tortura? Uma outra sugestão seria mandar a Lívia num container, e ela virar escrava s****l em Amsterdam, por exemplo.
— Gostei dela — Gabi falou provocando o PH e todos riram bastante.
***
Na boca, o PH estava com cara de poucos amigos.
— Uma riquinha da Zona Sul deixando o PH sem palavras — Gringo falou, e o Jotinha sorriu dando batidas na mesa.
— Coé mermão... Só fiquei quieto por respeito a tua casa. Eu que não ia dar moral pra um riquinha querendo palco — PH falou chateado.
— Uma riquinha bem corajosa, e que não deita pra b@ndido — disse o Jotinha. — Deu r**m pra tu PH.
— Da pra trocar ideia com vocês não — PH falou se levantando bolado. — Fui.