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mistérios do destino - primeira fase

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Blurb

Karen Carrara sempre soube exatamente o que queria: justiça. Determinada, disciplinada e focada em se tornar delegada, ela não tem espaço em sua vida para distrações — muito menos para sentimentos que possam desviá-la do seu caminho.Gabriel Alcântara, por outro lado, nasceu cercado por privilégios, mas carrega um desejo simples e verdadeiro: construir uma família e viver um amor real, longe das expectativas impostas pelo seu sobrenome poderoso.Quando os dois se encontram, seus mundos colidem de forma inesperada. Entre diferenças, conflitos e uma atração inevitável, Karen e Gabriel se veem envolvidos em algo muito maior do que imaginavam. Segredos do passado começam a surgir, ligando suas histórias de maneiras perigosas e irreversíveis.À medida que sentimentos crescem, também cresce o mistério ao redor de um crime que mudará tudo — colocando à prova não apenas o amor entre eles, mas também suas escolhas, valores e destinos.Entre ambição e paixão, razão e emoção, Karen e Gabriel precisarão decidir: seguir seus próprios caminhos… ou enfrentar juntos os segredos que o destino insiste em revelar.✨ Porque algumas histórias de amor não começam por acaso… elas são escritas pelo destino.

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saindo de férias
A chuva fina caía sobre os enormes janelões da mansão Carrara enquanto o relógio dourado da sala marcava quase oito da noite. O ambiente luxuoso parecia silencioso demais… sofisticado demais… frio demais. Assim como Karen Carrara. A garota de dezoito anos descia lentamente a escadaria usando uma calça jeans escura, coturnos pretos e uma jaqueta de couro. Seus cabelos castanhos ondulados caíam sobre os ombros, e os olhos claros carregavam aquela expressão distante que fazia qualquer pessoa pensar duas vezes antes de falar com ela. Na mesa da sala de jantar, vários livros de direito criminal, códigos penais e anotações estavam espalhados. Nicole observou a filha fechar uma apostila grossa e suspirou. — Você vai levar isso nas férias também? — perguntou a mãe, cruzando os braços. — Karen… ninguém estuda investigação criminal numa viagem pra praia. Karen ergueu os olhos lentamente. — Ninguém normal talvez. Anderson segurou o riso enquanto tomava café. — Sua mãe só está dizendo que você precisa relaxar um pouco. Karen pegou as chaves do carro em cima da mesa. — Relaxar é uma palavra bonita pra perder tempo. Nicole revirou os olhos. — Você tem dezoito anos. Era pra estar pensando em festas, garotos, redes sociais… Karen soltou uma risada curta e debochada. — E acabar igual metade das meninas da minha idade? Chorando por um namorado que traiu elas com a melhor amiga? Não, obrigada. Nicole lançou um olhar de reprovação. — Karen… — O quê? Estou mentindo? Anderson resolveu interferir antes que outra discussão começasse. — Só toma cuidado nessa viagem. Você, Lenna e Britney sozinhas numa casa de praia não me parece exatamente uma ideia tranquila. Karen arqueou uma sobrancelha. — Pai… eu literalmente estudo criminologia por diversão. — O que deixa tudo ainda mais preocupante — Nicole respondeu rapidamente. Karen caminhou até a porta da mansão. — Relaxem. Se aparecer algum assassino psicopata no caminho, provavelmente eu descubro primeiro que a polícia. Nicole ficou horrorizada. — Karen! A garota apenas sorriu de lado, fria. — Ironia, mãe. Acho. Ela abriu a porta, mas Anderson chamou antes dela sair. — Filha… Karen virou o rosto. Pela primeira vez, Anderson pareceu sério de verdade. — Você não precisa carregar o peso do mundo nas costas o tempo todo. O olhar dela vacilou por um segundo… apenas um segundo. Mas logo o sarcasmo voltou. — E você não precisa agir como se eu fosse quebrar a qualquer momento. Ela saiu antes que eles respondessem. Do lado de fora, o vento frio balançava as árvores da enorme propriedade. Karen entrou no carro preto e ligou o motor. Seu celular vibrou imediatamente. LENNA: “ANDA LOGO. A BRITNEY JÁ QUER PARAR NUM POSTO PRA TIRAR FOTO.” Karen soltou um suspiro cansado. KAREN: “Se ela morrer atropelada tentando fazer selfie, eu não vou depor a favor.” Segundos depois, Britney respondeu. BRITNEY: “VOCÊ É A PESSOA MAIS AMARGA DO PLANETA ❤️” Karen sorriu sozinha pela primeira vez naquela noite. Talvez aquelas férias fossem exatamente o que ela precisava. Ou talvez fossem o começo do maior erro da vida dela. Porque naquela mesma noite… Do outro lado da cidade… Um rapaz coberto de sangue corria desesperadamente por uma estrada vazia enquanto segurava um pen drive nas mãos. E dentro daquele pequeno objeto…Estava escondido o segredo capaz de destruir famílias poderosas inteiras. Os faróis do carro de Karen iluminaram o enorme posto na beira da rodovia. O lugar estava movimentado, cheio de caminhões estacionados, música sertaneja tocando baixa na conveniência e adolescentes tirando fotos perto das bombas de combustível. Karen estacionou ao lado de um conversível branco onde Britney praticamente pulava no banco do motorista. Assim que viu a amiga, Britney abriu a porta rapidamente. — FINALMENTE! — ela reclamou dramaticamente. — Achei que você tinha desistido da viagem pra prender criminosos imaginários. Karen desligou o carro calmamente. — Eu considerei. Parecia mais divertido. Lenna, que estava sentada no banco de trás, soltou uma risada fraca enquanto segurava uma garrafinha de água. — Ela começou faz cinco minutos com esse drama. Britney fechou a cara. — Meu namorado sumiu. Eu tenho motivos. Karen pegou sua mochila no banco do passageiro. — “Sumiu” ou ficou duas horas sem responder? Britney mostrou o celular. — Quatro horas. Karen arqueou a sobrancelha. — Nossa. Trágico. A polícia federal já foi acionada? Britney empurrou o braço dela. — Para de ser insensível! — Eu sou realista. Britney bufou e encostou no carro. Ela era completamente o oposto de Karen. Loira, exageradamente expressiva, romântica e incapaz de esconder o que sentia. Naquele momento, porém, a preocupação era verdadeira. — Daniel nunca fica tanto tempo sem responder… — ela murmurou. — Ainda mais sabendo que eu odeio isso. Karen pegou o celular dela sem pedir permissão e analisou rapidamente. — Última visualização às três da tarde. — Exato! — Talvez ele esteja ocupado vivendo as férias dele no Rio Grande do Sul ao invés de atualizar você a cada quinze segundos. — Você não entende porque nunca se apaixonou. Karen devolveu o celular. — Graças a Deus. Lenna começou a rir, mas logo levou a mão até o estômago discretamente. Karen percebeu imediatamente. — Você tá bem? — Tô… só um pouco enjoada. Britney virou rápido. — Você ficou pálida de novo. — É só a viagem. — Lenna respondeu, tentando minimizar. — Estrada me dá enjoo às vezes. Karen estreitou os olhos observando a amiga. Lenna parecia realmente abatida. O cabelo castanho preso num coque bagunçado deixava ainda mais evidente o rosto cansado. — Você devia comer alguma coisa. — Se eu comer agora eu vomito na sua bota. Karen deu um passo para trás imediatamente. — Certo. Continue em jejum então. Britney acabou rindo apesar da preocupação. — Você é horrível. — E vocês me adoram mesmo assim. Um caminhão enorme passou pela rodovia fazendo o chão vibrar levemente. Karen ergueu os olhos por instinto… e viu algo estranho do outro lado do posto. Um rapaz usando moletom escuro apareceu correndo perto da área dos banheiros externos. Ele parecia desesperado. Karen franziu levemente a testa. O garoto olhou várias vezes para trás como se estivesse fugindo de alguém. Então tropeçou perto da lateral do posto. Karen ficou séria imediatamente. O instinto dela gritava que havia algo errado. — Karen? — Britney chamou. — Tá olhando o quê? _ nada! _ responde Karen, imediatamente. _ vamos? mais tarde. A estrada estava praticamente deserta. O som das ondas quebrando ao longe se misturava com a música baixa que tocava no carro de Britney enquanto elas seguiam rumo à casa de praia. Britney dirigia tentando parecer animada, mas olhava o celular a cada dois minutos. — Ele ainda não respondeu? — Lenna perguntou, encostada na janela. — Nada… — Britney murmurou. — Isso não é normal. Karen, sentada no banco do passageiro, revirou os olhos enquanto mexia no próprio celular. — Talvez o Daniel tenha finalmente descoberto o botão “silenciar”. — Karen… — O quê? Eu estou tentando aliviar o clima. — Você piora ele. Karen abriu um sorriso debochado. — É um dom. Lenna soltou uma risada fraca, mas voltou a ficar quieta. O enjoo parecia piorar conforme a viagem avançava. A estrada começou a ficar mais escura conforme se afastavam da cidade. Árvores enormes cercavam os dois lados da pista, e uma neblina fina começava a cobrir o asfalto. Britney apertou o volante. — Esse lugar tá me dando arrepios. — Porque você assiste documentários criminais antes de dormir — Karen respondeu. — VOCÊ também assiste. — Mas eu acho divertido. De repente, UMA SOMBRA surgiu no meio da estrada. — MEU DEUS! — Britney gritou. Ela pisou no freio com força. Os pneus cantaram violentamente no asfalto molhado enquanto o carro desviava por centímetros. Lenna bateu contra o banco da frente. Karen segurou o painel. — Britney, você tá maluca?! O carro parou atravessado na pista. Por alguns segundos… Só existia silêncio. A respiração acelerada das três garotas ecoava dentro do veículo. — A gente atropelou ele? — Britney perguntou quase em pânico. Karen olhou pelo para-brisa. Um homem estava caído de joelhos no asfalto. Ensanguentado. — Droga… — Karen murmurou. Ela abriu a porta rapidamente e saiu do carro. — Karen! Espera! — Britney gritou. Mas Karen já corria na direção do desconhecido. Lenna e Britney acabaram descendo também, assustadas. O rapaz parecia ter no máximo vinte e poucos anos. O rosto estava machucado, a camisa escura rasgada e havia sangue escorrendo pelo braço. Mesmo ferido… Ele olhava desesperadamente para trás. Como se alguém estivesse vindo. Karen se aproximou cautelosa. — Ei… você tá ferido. O rapaz respirava com dificuldade. Então tirou um pequeno pen drive do bolso da jaqueta. Suas mãos tremiam. — Escondam isso… — ele disse rapidamente. Karen pegou o objeto sem entender. — O quê é isso? — Eles não podem encontrar… Britney se aproximou nervosa. — Quem?! O rapaz olhou diretamente para Karen. Os olhos dele estavam cheios de medo. — Uma família perigosa. Karen estreitou os olhos. — Qual família? Mas ele ignorou a pergunta. — Se eles descobrirem que vocês estão com isso… vocês correm perigo. Lenna ficou pálida. — Karen… talvez seja melhor a gente ir embora… Karen ignorou. — Qual é o seu nome? O rapaz hesitou por um instante. — Matheus. Ao longe… Faróis apareceram na estrada. Matheus arregalou os olhos imediatamente. O medo tomou conta do rosto dele. — Eles me encontraram… — Quem?! — Karen perguntou outra vez. Mas Matheus já se levantava cambaleando. — Escondam o pen drive. Não confiem em ninguém. — Espera! — Britney tentou impedir. — Você precisa de ajuda! Matheus apenas deu um passo para trás. — Vocês não fazem ideia no que acabaram se envolvendo. Então ele correu para dentro da mata escura à beira da estrada… desaparecendo entre as árvores. As três ficaram imóveis. O vento frio atravessava a rodovia silenciosa. Karen olhou para o pequeno pen drive em suas mãos. E pela primeira vez naquela noite… Ela sentiu algo estranho. A sensação de que aquele objeto acabaria mudando completamente a vida delas.

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