Caminhamos lado a lado até um local muito bonito que vende hambúrguer, batata frita e pizzas de vários sabores. Ele puxou a porta e deu passagem pra eu entrar primeiro. Depois escolhemos uma mesa perto da janela e ele puxou a cadeira pra mim.
Helena - Obrigada. - Falei para o moço que nos entregou o cardápio. Dei uma olhadinha e sorri sem graça. - Eu nem sei o que escolher.
Eu trabalho em um lugar que vende essas coisas e mais um pouco, já provei de tudo um pouco, menos bacon porque eu não gosto.
Pedro - Eu não vou pedir hambúrguer, vou querer pizza de calabresa e batata frita. - O moço anotou e olhou pra mim. - Pode pedir o que quiser, não seja tímida. - Falou brincalhão.
Helena - Eu vou querer um hambúrguer de barbecue e anéis de cebola. - Entreguei o cardápio para o moço.
Garçom - Trago assim que estiver pronto. Querem beber algo enquanto aguardam?
Olhei pro Pedro, dando permissão pra ele pedir.
Pedro - Pode ser coca-cola. - O moço aceitou e foi buscar a nossa bebida. - Não pedi nada com álcool porque eu tô dirigindo e tu é menor de idade. - Ele coçou a nuca.
Helena - Te incomoda eu ser menor de idade? - Apoiei os cotovelos na mesa.
Pedro - Mais ou menos. Eu já tenho 37 anos, aos olhos dos outros é errado. - Aceitei com a cabeça, sem saber o que falar. - Então, cê me falou muito pouco sobre você, quero saber mais.
O moço chegou com dois copos e o refrigerante. Agradeci e falei que não precisava servir. Assim que ele se retirou, Pedro abriu a garrafa e serviu pra mim primeiro.
Helena - Eu já falei tudo que tinha pra falar. - Dei um gole na minha bebida.
Pedro - Teu nome e tua idade é tudo? - Riu.
Helena - Tu também só me falou nome e idade, fugiu das outras perguntas.
Pedro - Não tem muita coisa pra contar, morena. Tenho 37 anos e morei a vida toda aqui no Rio de Janeiro. Meu trabalho envolve fazer viagens e vender produtos caros. - Coçou a nuca novamente. - Cê trabalha?
Viajar e vender produtos caros? Suspeito...
Helena - Eu trabalho em um restaurante. - Dei de ombros. - Nada importante. Mora sozinho?
Pedro - Sim, mas a minha prima tá sempre indo me incomodar. - Riu. - Tu mora com quem?
Nem sei o que responder.
Helena - Tô passando esse mês na casa do meu pai enquanto minha mãe está viajando a trabalho. - Sorri sem mostrar os dentes.
Pedro - Ter pais separados é complicado.
Aceitei e mudei de assunto. Conversamos sobre o que gostamos e não gostamos de comer. Ficamos rindo do jeito que algumas pessoas falavam ou caminhavam. Por alguns segundos, quando o assunto terminou, ficamos olhando pra uma menina se sujar toda de sorvete e a mãe dela desesperada com a cena. Conversamos menos ainda quando a pizza e o hambúrguer chegaram, pois nossas bocas estavam ocupadas.
Depois de comer e conversar mais um pouco, ele foi pedir a conta e eu fui ao banheiro. Fiz xixi, lavei as mãos e prendi o cabelo em um r**o de cavalo. Sai do banheiro e encontrei ele do lado de fora do local.
Pedro - Eu não perguntei se você queria sobremesa, porque a daqui é r**m. - Levou sua mão até a minha e todo o meu corpo se arrepiou com o seu toque quente. - Tá com frio?
Helena - Mais ou menos, esqueci a jaqueta na casa do meu pai. - Continuei olhando para as nossas mãos juntas.
Ele largou minha mão e tirou o moletom, me entregando.
Helena - Não, não precisa. - Neguei, empurrando de volta o moletom.
Pedro - Pega logo, cê não pode ficar com frio.
Sorri sem graça e peguei. Tirei minha bolsa do ombro e ia apoiar entre as pernas, mas ele segurou e eu achei isso muito fofo. Coloquei o moletom que ficou enorme em mim e peguei minha bolsa de volta.
Helena - Obrigada pelo vestido. - Ri e ele avaliou.
Pedro - Cê é pequena demais. - Negou com a cabeça. - Vem, vou te levar em algum lugar maneiro pra comer algum doce. - Segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos.
Helena - Cê vai achar muito estranho se eu falar que não quero doce? - Ele me olhou como se tivesse crescido outra cabeça ao lado da minha.
Pedro - Tu é a primeira garota que eu conheço que não gosta de doce.
Helena - Eu gosto de doce, só não quero. - Dei de ombros.
Ele concordou e nós fomos sentar em frente a uma pracinha.
Pedro - Esse deve ser o encontro mais sem graça que cê já foi. - Me olhou.
Helena - Na verdade, esse é o meu primeiro encontro. - Engoli a saliva com dificuldade. - E tá sendo melhor do que eu pensei.
Ficamos nos encarando e eu notei que ele tava se aproximando devagar. Coloquei minha mão em cima da sua coxa e olhei pra sua boca.
– Sem beijo na frente das crianças, seus pervertidos. - Um senhor falou e nós gargalhamos.
Vi que ele ficou olhando pro nada e resolvi ser ousada.
Helena - Vai me beijar em outro lugar ou vamos ficar aqui esperando aquele senhor voltar e nos encarar como se fossemos dois pervertidos?
Ele me olhou surpreso e sorriu. Me levantei e estendi a minha mão pra ele segurar. Caminhamos devagar pra um lugar que eu não conheço, mas a rua tava ficando escura.
Pedro - Não precisa ficar nervosa, estacionei o meu carro aqui nessa rua.
Aceitei e seguimos caminhando. Ele enfiou a mão no bolso e tirou as chaves, apertando um botão e escutei um carro preto fazer barulho. Ele abriu a porta do carro pra mim e eu entrei. Logo ele fez a volta e sentou de frente para o volante.
Pedro - Quando cê faz 18? - Ele ligou o carro e eu coloquei o cinto.
Helena - Em Abril.
Ele aceitou com a cabeça e colocou o carro em movimento.
Pedro - Hora da decisão, te levo pra minha casa ou pra sua?
Mordi o lábio inferior enquanto olhava pra ele. Eu tenho que aproveitar esse cara, talvez a gente nunca mais se veja.
Helena - Pra sua. - Olhei pra janela ao meu lado.
Ele parou o carro no sinal vermelho e pude sentir seus olhos em mim. Peguei meu celular na bolsa e abri a minha conversa com o Gael.
Helena: Acho que não vou dormir em casa hoje, ok?
Falcão: Pelo jeito o encontro foi bom. Ok, se cuida.
Helena: Vou me cuidar.
Guardei o celular na bolsa e fiquei olhando o movimento enquanto ele dirigia. Não demorou muito pra ele estacionar o carro dentro de uma casa que já estava com a garagem aberta, e a mesma se fechou quando o carro estava perfeitamente estacionado. Ele desceu e abriu a porta pra mim.
Será que eu tô fazendo a coisa certa?
Ele abriu uma porta e deixou eu entrar primeiro, dando de cara com uma cozinha enorme e linda.
Helena - Já pode pegar o seu moletom. - Deixei a bolsa em cima da bancada linda de mármore e tirei seu moletom, entregando pra ele.
Pedro - Não tá mais com frio? - Jogou o moletom no ombro.
Helena - Não.
Ele me puxou pela mão até outro cômodo e nós subimos uma escada um pouco longa. Logo entramos em um corredor todo cinza claro e ele abriu a terceira porta do lado direito.
Pedro - Esse é o meu quarto. - Jogou o moletom em cima de uma cadeira de escritório e coçou a nuca. - Escuta só... - Me olhou e eu ergui uma sobrancelha. - Tu tem que ter certeza se quer isso mesmo, morena.
Ri.
Helena - Eu quero mesmo é saber se tu aguenta. - Ele molhou os lábios e riu desacreditado.
Algo me diz que não era pra ter provocado.