Cobra

825 Words
Eu me chamo Luan Silva, morador do complexo do Alemão, desde que me entendo por gente. Eu moro com o seu Nestor, ele é um senhor que me tirou das ruas, por aqui a gente enfrenta muitas dificuldades, as vezes temos que guardar o almoço pra comer na janta, se é que me entendem. Eu tenho dez anos, vendo água no sinal, tá com uns dias que não vou, pois o seu Nestor tá doente e tem ficado em casa. Um dia eu vou encontrar com a minha mãe e poder mostrar a ela que dei a volta por cima. Não faço questão de ter ela na minha vida, já que a mesma me abandonou. Não sei por qual motivo, nem me interessa saber, o que me interessa é sair dessa miséria que eu vivo. Tia Helena fala que não posso andar com os manos da boca por que é perigoso, mas eu sinto que lá é o meu lugar. Quando pego na pistola deles, sinto algo diferenciado. um dia eu vou ser linha de frente junto com eles. Sei que não adianta eu ter sonhos de doutor e esses bagulho, minha realidade não condiz com isso, então eu vou focar na minha caminhada do crime. Posso até ter pouca idade e não entender muito bem esses lance, mas uma coisa é certa; um dia vou prestar conta com cada um que me humilhou até hoje, vou também ser respeitado e considerado, vocês podem anotar isso que eu tô falando. A Malu é uma menina muito boazinha e jamais vai aceitar isso, mas eu vou sempre proteger ela. Ela é a única que nunca me chamou de moleque de rua, ou de outros apelidos que esses arrom.bados colocaram em mim. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Tava saindo do barraco pra ir pra escadaria ficar com os cara da boca quando ela me viu e correu até mim. Malu: Oi Luan. - Sorriu meiga. Luan: Oi. Malu: Você vai pra onde ? Luan: Vou na venda do seu Zé. - Falei rápido. Malu: Posso ir com você ? Luan: Melhor não, fica aí que já eu venho. Malu: Tá bom vou ficar esperando. Eu continuei minha caminhada, não gosto de mentir pra ela, mas se eu contasse pra onde estava indo, com certeza ela iria dar com a língua nos dentes e falar pra tia. Cheguei na escadaria e tinha três manos lá fumando. Fiz toque com eles e o Yuri que estava mais lá em cima me chamou. Yuri: Vem aqui moleque. Luan: Pode falar. Yuri: Fala direito comigo rapá. - Deu um t**a na minha cabeça. Luan: Qual foi parceiro ? Yuri: Vai ali em cima e pede pro Mumu minha arma. Luan: Já é. Subi até a casa que eles ficam, lá é um lugar sujo, tem um cheiro estranho e várias pessoas direto. Entrei e foi como se eles não tivessem nem me visto, uns tavam embalando drogas, outros com mulheres. Fiquei procurando o Mumu até que vi ele na cozinha com um prato e um cartão na mão. Luan: Iae Mumu, firmeza ? Mumu: Quem te deixou entrar aqui menor ? Luan: O Yuri pediu pra eu vir pegar a arma dele aqui. Mumu: Tá ali em cima da geladeira. Luan: Valeu mano. Peguei a pistola e coloquei na cintura, porr* eu tiro onda com essa no pente. Tava andando até devagar pra curtir mais o momento. Yuri: Rápido moleque, tu é folgado em neguim. - Entreguei sua arma. Luan: Toma. Tomas: Bora circulando, quero criança aqui não. Yuri: Calmô ladrão, o menor tá fazendo um corre pra mim. - Falou sério. Luan: O que agora ? Yuri: Pega esse dinheiro e vai comprar um salgado e um refri pra mim. Luan: Tá. Yuri: Pega mais esse e compra pra ti também. Luan: Valeu. Tomas: Sem alarde, vai menor. - Falou em tom de bronca. Já estava me afastando quando ouvi o Yuri falar ... Yuri: Deixa o moleque sossegado, menor criado aqui dentro, no sangue dele corre o crime. Criado sem mãe e nem pai, daqui uns anos vai tá comandando isso aqui tudo. Fica ligado. - Imediatamente abri um sorriso largo ao ouvir aquilo. . . . . . . . . . . . . . . . . . Comprei o salgado dele e fiz a entrega, depois voltei pra casa. Da esquina eu vi a Maria Luísa sentada na calçada passando um graveto no chão, como se estivesse desenhando. Luan: Você ainda tá aí ? Malu: Eu falei que ficaria te esperando. Luan: Pega. - Tirei metade do salgado e dei a ela. Malu: Você demorou Luan. Luan: Tive que fazer um negócio. Malu: Luan promete que vai sempre ser meu amigo ? Luan: Nunca vou deixar de te proteger Luísa. Passei o restante da tarde brincando com a Malu na rua.
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