— Entra aí. Quando o chefe quiser te ver venho te buscar.
O tatuado tirou o saco de pano da cabeça dela a empurrou e trancou a porta. Jamile olhou em volta.
Uma janela com grade de ferro, cama, guarda-roupas de madeira, e um banheiro sem a porta, embora fosse muito bonito. Lá fora dois carros estacionados, e um jardim grande. Ouvia o barulho dos carros passando, e sabia que estava perto de alguma parte movimentada da cidade, ou em alguma estrada que a levaria para fora dela..
Não tinha mais a mãe, e Ananda talvez fosse notar a falta dela tarde demais. Jamile caminhou até a cama, se sentindo cansada de mais pra tudo, deitou e dormiu chorando.
****
Ananda
Seis horas da manhã. A cabeça estava pesada, a boca amarga. Duda dormiu no sofá porque dois bêbados em casa era sinal de briga. Se arrumou rápido, tomou um café frio e pegou o celular. Havia uma mensagem da Jamile.
Socorro
E havia também uma foto, era um braço tatuado, estava meio borrado.
— Duda, acorda agora. A Jamile está encrencada.
***
Jamile
Já era de tarde quando acordou, não estava sozinha, tinha um homem sentado na única cadeira, alguém tinha fechado a janela. Jamile sentou e abraçou os joelhos. O homem se moveu, estava observando-a.
— Quem é você? – Ela perguntou
— Jamile. – Ele estava com a mão no queixo. — Não se lembra de mim?
Claro que não, nunca havia usado drogas, ou saído com homens perigosos.
— Não. — Ela respondeu receosa.
— Aqui, me chamam de chefe, ou Júnior. – Ele saiu das sombras. — Mas para você é senhor Matheo.
— Você? – Ela se moveu na cama. — Não entendo...
— Bom. – Ele ficou em pé e se aproximou da cama. — O que importa é que agora você me pertence. Eu a escolhi, e não me faça ficar arrependido.
— Porque? – Ela sentia o gosto das lágrimas. — Porque tudo isso?
— Se não te escolhesse na noite passada você estaria na sua casa, com um tiro enfeitando essa sua cabeça bonita. – Ele tocou a cabeça dela.
Jamile fechou os olhos temerosa. Matheo chegou mais perto, encostou a boca no ouvido dela, Jamile consciente da aproximação se sentia exposta, mas não daria o braço a torcer, ele saberia que ela não era nenhuma garota assustada. Pelo menos por fora.
— Toma um banho. – Ele falou bem baixo. — Daqui a pouco irá jantar.
A porta foi aberta, ele saiu escoltado por dois homens, E ela de novo sozinha, abriu o guarda-roupas, só tinha ali vestidos ousados, curtos de mais, Então tomou um banho quente, e escolheu um vestido de seda vermelho. Os sapatos ali eram do tamanho exato que ela usava. Calçou uma sandália e esperou até que buscassem por ela. Se ele queria jogar, ela jogaria....
*****
Jamile desceu os degraus devagar, estava tentando passar confiança, embora por dentro estivesse uma bagunça total. A casa era grande, toda em móveis brancos dos mais requintados, e não a fortaleza que ela imaginara. Foi encontrar Matheo sentado na mesa enorme, ele estava de pernas cruzadas e quando a viu ficou em pé, despindo cada parte dela com os olhos.
— Você conseguiu encontrar algo que preste ali. – Ele tentava disfarçar, mas a voz o denunciava.
— Obrigada. – Jamile respondeu seca.
— Sente-se. – Ele foi até ela e puxou a cadeira.
O jantar foi um silêncio total, ela flagrava ele a olhando, as vezes ela colocava um punhado de comida na boca e tirava o garfo lentamente, só para ver os olhos dele arder de desejo.
A verdade é que ela estava destruída por dentro, fora vendida pelo pai, e o infeliz havia morrido, porque por certo estava cheio de dívida, e sabia que quando viessem cobrar ele sofreria e melhor que ele sofrer, era deixar a filha dele que nunca teve nada com isso como pagamento, Jamile comeu em silêncio. Quando acabou empurrou o prato e ficou em pé.
— Com licença.
— Mas eu não acabei. – Na verdade ele nem havia tocado na comida, só bebia o vinho. Provavelmente caro.
Matheo fez um sinal para o homem e em pouco tempo estava sozinho com ela. Jamile se apoiou na mesa quando ele diminuiu mais ainda a distância.
— Sabe. – Ele colocou a mão nas costas nua dela. — Eu pensei muito naquele beijo.
— Hum. – Ela fechou os olhos e engoliu em seco.
Matheo desceu a boca pelo pescoço dela e com os dentes desceu a alça fina do vestido, e passou a ponta do nariz pelo ombro nu dela. Sem querer Jamile mordeu os lábios com força e se encolheu. Matheo se aproveitou da fraqueza dela e a colocou em cima da mesa apoiando a mão na coxa nua dela.
Dessa vez ela sentiu o toque dele, a mão subindo mais ainda, Jamile arqueou o corpo, tinha de ser forte a todo custo, quem sabe ele a deixava ir. Estava consciente do homem armado do outro lado da porta. Mas Matheo era desinibido e logo alcançou a calcinha dela afastou a peça, molhou os dois dedos nos lábios e tocou o clítoris dela, fazendo movimentos lentos. Jamile abriu mais as pernas. Tinha medo? Sim. Mas ele era sensual, e ela gostava daquilo.. Matheo parou os movimentos, e voltou a apertar a coxa macia dela.
— Você é atraente Jamile. – Ele roçou a boca na boca dela, e a olhou nos olhos assim que ela os abriu. — E uma ótima jogadora. Se pensa que vai me passar para trás, – Ele a olhou com os olhos azuis faiscando. — Está enganada.
— Mas eu não estava..... – Ela sabia que ele não seria b***a, era tudo ou nada.
— Volte para o seu quarto. – Ele não desviou mais o olhar. — Amanhã começa a trabalhar para mim, ou pensa que seu pai te enviou para uma colônia de férias?.
- Me desculpe Senhor, mas eu não pedi para estar aqui! - Ela sustentou o olhar dele. - Se quer empregada. Contrate uma
- Não preciso. - A mão dele continuava ali, firme. - Seu pai me deu isso. E se reclamar posso te juntar á ele.
Matheo espalmou a mão na coxa dela com força, o estalo fez os olhos dela se encher de lágrimas, ele estava se divertindo. Matheo se afastou no exato momento em que o tatuado entrou na sala e a levou de volta ao quarto...