Helena entrou no prédio da Montenegro Corp com passos firmes. O ambiente luxuoso exalava elegância e poder, mas ela não se deixou intimidar. Tinha uma reunião agendada com Rafael para discutir os próximos passos do contrato e, com o atraso dele em casa pela manhã, decidiu que era melhor ir direto ao escritório.
Ao chegar à recepção do andar principal, foi recebida por uma secretária educada.
— Bom dia, senhora Costa. O senhor Montenegro está em reunião, mas ele pediu que a senhora o aguardasse na sala de reuniões principal.
Helena franziu a testa. Não era comum Rafael se atrasar para um compromisso com ela.
— Tudo bem, obrigada.
Caminhou até a sala de reuniões, mas no caminho, ao passar pela porta entreaberta do escritório de Rafael, ouviu risos abafados. Instintivamente, parou. Empurrou levemente a porta e viu Rafael de pé, conversando com uma mulher alta, loira, de aparência deslumbrante.
Ela estava sentada casualmente na poltrona, cruzando as pernas impecavelmente, enquanto segurava um copo de café. Os cabelos loiros brilhavam sob a luz suave do escritório, e o sorriso confiante no rosto dela exalava uma i********e que Helena não conseguia ignorar.
— Helena, que surpresa. — Rafael levantou o olhar ao notar a presença dela na porta.
A mulher loira também olhou, examinando Helena dos pés à cabeça antes de se levantar com a graça de uma modelo em uma passarela.
— Esta deve ser a famosa Helena Costa. — A loira estendeu a mão com um sorriso educado, mas carregado de uma arrogância sutil. — Sou Mariana.
Helena, embora surpresa, manteve a postura. Apertou a mão de Mariana com firmeza.
— Prazer, Mariana.
— Mariana é... uma amiga antiga. — Rafael interveio, claramente desconfortável com o momento.
— Antiga e inesquecível, eu diria. — Mariana riu, lançando um olhar insinuante para Rafael, que desviou o olhar.
Helena sentiu um leve incômodo, mas manteve o tom profissional.
— Espero não estar interrompendo. Rafael e eu temos uma reunião agendada.
— Claro, imagino que vocês estejam muito ocupados. — Mariana pegou sua bolsa de grife e se dirigiu à porta. Antes de sair, parou ao lado de Helena e disse com um sorriso: — Foi um prazer conhecê-la. Espero que tenhamos mais chances de conversar no futuro.
Quando Mariana saiu, Helena se virou para Rafael, cruzando os braços.
— Amiga antiga? — Perguntou, arqueando as sobrancelhas.
Rafael suspirou, passando a mão pelos cabelos.
— Não achei relevante mencionar.
— Relevante? Sua "amiga antiga" claramente tem uma história com você.
— Helena, Mariana não é um problema. Ela estava apenas propondo ideias para um investimento.
— Ótimo. Porque a última coisa que precisamos agora é de distrações.
— Está com ciúmes? — Rafael perguntou com um sorriso divertido.
— Não seja ridículo. — Helena respondeu rapidamente, mas o rubor em seu rosto a traiu.
Ele deu um passo mais perto, a expressão provocativa suavizando.
— Relaxa, Costa. Mariana não significa nada para mim agora.
— Ótimo. — Ela rebateu, desviando o olhar.
Rafael riu baixo e, por um momento, o ambiente pareceu menos tenso.
— Vamos para a reunião? — Ele sugeriu, abrindo espaço para que ela saísse primeiro.
— Claro. Espero que você esteja mais focado do que estava há cinco minutos.
Rafael balançou a cabeça, divertindo-se com o sarcasmo dela, enquanto os dois seguiam para a sala de reuniões.
A tensão do momento anterior ainda pairava no ar enquanto Rafael e Helena entravam na sala de reuniões. Helena sentou-se em uma das cadeiras de couro ao redor da mesa, ajeitando os papéis que trazia em mãos, enquanto Rafael se acomodava na cadeira oposta.
— Então, vamos ao que interessa. — Helena começou, recuperando a compostura profissional.
— Concordo. Precisamos definir alguns detalhes importantes sobre o casamento.
Helena suspirou, cruzando os braços sobre a mesa.
— É realmente necessário planejar algo grandioso? Acho que podemos fazer algo simples, apenas com pessoas próximas.
Rafael levantou uma sobrancelha, o canto dos lábios se curvando em um sorriso irônico.
— Simples? Helena, estamos falando de um casamento que vai consolidar uma união entre duas famílias e duas empresas. Isso não é apenas um evento pessoal.
— E por que exatamente precisamos fazer um espetáculo? — Helena retrucou, a voz carregada de ceticismo. — Isso tudo é só uma jogada de marketing para você?
— Não apenas para mim, mas para ambos. — Ele respondeu, inclinando-se para frente. — Pense nas vantagens de mostrarmos ao mercado que somos uma dupla sólida, confiável.
— Ou seja, uma vitrine. — Helena respondeu, revirando os olhos.
— Chame como quiser, mas sabe que faz sentido.
Helena respirou fundo, tentando não ceder à irritação que crescia.
— Não quero algo exagerado. Não me sinto à vontade com holofotes.
Rafael sorriu, cruzando os braços enquanto a encarava.
— Achei que você estivesse acostumada a liderar eventos. Não é isso que sua empresa faz?
— Não se trata disso. — Ela rebateu, estreitando os olhos. — Estamos falando de algo pessoal, Rafael. Não é só um contrato para mim.
Por um momento, Rafael pareceu surpreso com o tom dela, mas logo recuperou sua postura.
— Ok, que tal um meio-termo? Um evento elegante, mas que mostre sofisticação e, claro, a união das empresas.
Helena ponderou por um instante, percebendo que insistir em algo totalmente privado seria desgastante.
— Está bem, mas quero que a lista de convidados seja restrita. Não quero desconhecidos no nosso casamento.
— Defina "restrita". — Ele perguntou, desconfiado.
— Só a família e os amigos próximos. Nada de empresários que eu nunca vi na vida.
Rafael inclinou-se para trás na cadeira, analisando a proposta.
— Concordo, com uma condição: também quero convidar alguns parceiros estratégicos. E você não vai implicar com isso.
— Isso não soa muito "restrito".
— São pessoas importantes para o sucesso desse casamento... no papel.
Helena bufou, mas acabou cedendo.
— Tudo bem. Mas sem exageros, Rafael. Se eu vir fotógrafos demais ou algo como um tapete vermelho, vou cancelar tudo na hora.
Rafael sorriu, claramente se divertindo com a seriedade dela.
— Fechado. Vou deixar as pompas para outro momento.
Helena olhou para ele, desconfiada.
— Por que sinto que ainda vou me arrepender disso?
— Porque está casando comigo. — Ele respondeu com um sorriso malicioso.
Helena jogou uma caneta na direção dele, mas Rafael apenas riu.
Apesar da tensão inicial, havia algo na interação deles que fazia Helena sentir um misto de irritação e... algo mais.