Helena estava sentada no sofá da sala, revisando os detalhes do evento que aconteceria naquela noite. Era um coquetel de gala promovido por uma importante associação empresarial, e a presença de Rafael era essencial para consolidar sua imagem com os investidores. O problema? Ela também precisava estar lá.
Rafael desceu as escadas arrumando as abotoaduras do paletó.
— Está pronta? — ele perguntou, sem sequer olhar para ela.
— Não estou vestida ainda, mas obrigada por perguntar — ela respondeu, mantendo os olhos fixos na tela do notebook.
Ele finalmente olhou para ela e ergueu uma sobrancelha.
— O evento é em duas horas, Costa. Não sei se percebeu, mas isso não é tempo suficiente para fazer milagres.
Helena fechou o notebook com um estalo e levantou-se, encarando-o.
— Não se preocupe, Montenegro. Meu milagre é ser pontual, ao contrário de você, que parece sempre sair correndo.
Rafael sorriu, claramente se divertindo com a provocação.
Helena subiu para se arrumar, bufando. Enquanto escolhia um vestido, ligou para Amanda, que estava ajudando a gerenciar sua agenda.
— Amanda, confirmei que o Rafael vai precisar manter o sorriso falso durante todo o evento. Pode apostar quanto ele vai reclamar depois?
Amanda riu do outro lado da linha.
— Talvez ele se surpreenda. Quem sabe o glamour te ajude a domá-lo?
— Duvido. Esse homem tem o ego maior que o prédio da empresa dele.
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O relógio marcava 18h30, e Helena estava diante de uma arara de vestidos no closet da casa. A festa começaria às 20h, mas Rafael já estava impaciente desde as 17h.
— Helena, já escolheu? — A voz dele ecoou do corredor, irritada.
— Rafael, se você continuar me apressando, vou aparecer nesse evento de moletom só para te fazer passar vergonha — ela respondeu alto, sem paciência.
Do outro lado da porta, Rafael soltou um suspiro audível.
— Não seria surpresa. Sua habilidade para atrasar é impressionante.
Helena revirou os olhos e pegou um vestido preto elegante com alças finas e detalhes em renda. Após calçar os sapatos, ela deu uma última olhada no espelho e abriu a porta do closet, encontrando Rafael encostado na parede, mexendo no celular.
Quando ele levantou os olhos e a viu, ficou momentaneamente em silêncio. Helena, notando a reação, ergueu uma sobrancelha.
— Está horrível ou você só está sem palavras por outro motivo?
Rafael disfarçou e deu de ombros, retomando seu tom sarcástico.
— Só estava tentando calcular quanto tempo você gastou para um resultado decente.
Helena riu, mas lançou um olhar afiado enquanto descia as escadas, passando por ele.
— Se quer um elogio, Montenegro, tente ser menos óbvio.
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Quando chegaram ao luxuoso salão de eventos, um mar de empresários, políticos e influenciadores do mercado estava espalhado pelo espaço. Rafael colocou a mão no pequeno da costa de Helena enquanto entravam juntos, o que a fez parar abruptamente e olhar para ele.
— O que pensa que está fazendo? — ela perguntou, encarando-o.
— Apoiando a encenação. Não é isso que quer? — Rafael respondeu com um sorriso cínico.
— Só não encoste onde não foi convidado.
Ele inclinou a cabeça, claramente se divertindo, mas não respondeu.
Logo, foram abordados por um grupo de empresários, todos com sorrisos entusiasmados.
— Rafael Montenegro! E esta é...? — um deles perguntou, claramente interessado.
Helena pegou uma taça de champanhe de um garçom que passava e respondeu antes que Rafael pudesse falar:
— Helena Costa, parceira dele nos negócios e... aparentemente em eventos sociais também.
O empresário riu, enquanto Rafael apenas a observava com um sorriso de canto.
— Sua habilidade em improvisar é notável, Costa.
— E a sua em ficar calado também deveria ser — ela respondeu entre dentes, sem desfazer o sorriso para os outros convidados.
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Enquanto a noite avançava, a interação entre eles oscilava entre cumplicidade e implicância. Em um momento, Helena quase tropeçou no salto ao tentar pegar um canapé, mas Rafael foi rápido em segurá-la pelo braço.
— Está tentando chamar atenção de outra forma agora? — ele provocou, ajudando-a a se equilibrar.
— Não, só estou tentando evitar que você coma todos os canapés sozinho — ela respondeu, com um sorriso forçado.
Rafael riu baixinho, o que a irritou ainda mais.
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— Você pode ao menos fingir que gosta disso? — Rafael sussurrou, aparecendo ao seu lado com uma taça de champanhe.
— Estou aqui, não estou? Isso já é um esforço tremendo — ela respondeu, pegando a taça que ele lhe ofereceu.
Ele inclinou a cabeça.
— Então me ajude. Vamos fazer o show completo.
Antes que ela pudesse responder, Rafael colocou a mão na sua cintura, puxando-a para mais perto enquanto se aproximavam de um grupo de investidores importantes. Helena manteve o sorriso, embora estivesse tensa com o gesto inesperado.
— Este é o casal do momento! — um dos empresários comentou, apertando a mão de Rafael.
Helena forçou uma risada, mas Rafael parecia completamente à vontade.
— Somos a definição de parceria — ele disse, apertando um pouco mais a cintura de Helena.
Ela quase engasgou com o champanhe, mas conseguiu manter a compostura.
Mais tarde, enquanto andavam entre os convidados, Rafael se inclinou para sussurrar:
— Você está se saindo melhor do que eu esperava.
— É o mínimo, já que estou salvando sua reputação.
— Minha reputação não precisa de salvação — ele respondeu, com um sorriso provocador.
Antes que ela pudesse responder, um fotógrafo pediu para tirarem uma foto juntos. Rafael a puxou novamente pela cintura, inclinando-se ligeiramente para ela. O flash da câmera capturou o momento, e Helena sentiu uma tensão estranha no ar.
— Sorria, Costa. Não queremos que pensem que brigamos, certo? — ele sussurrou.
— Só se você parar de pisar no meu vestido, Montenegro — ela respondeu, sorrindo para o fotógrafo.
O flash da câmera capturou o momento, e Rafael soltou a barra do vestido dela, tentando disfarçar.
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No caminho de volta, o silêncio no carro era quase palpável. Helena olhava pela janela, enquanto Rafael dirigia com a expressão séria.
— Você não precisa me agradecer — ela disse, finalmente quebrando o silêncio.
— Agradecer? — Rafael perguntou, confuso.
— Por salvar sua reputação hoje. Admito que fui brilhante.
Ele riu, mas não tirou os olhos da estrada.
— Não n**o que você sabe como transformar sarcasmo em charme.
— E você sabe como transformar charme em irritação.
Os dois trocaram um olhar rápido e, pela primeira vez, um sorriso genuíno. Apesar das provocações constantes, havia algo diferente naquela noite. Algo que ambos evitavam nomear.
Chegando em casa, Rafael abriu a porta e deixou Helena entrar primeiro. Ela tirou os sapatos com um suspiro aliviado, jogando-se no sofá da sala.
— Se eu tivesse que sorrir mais uma vez para aquele i****a que te chamava de "visionário", acho que minha cara cairia. — Helena massageou os próprios pés, olhando para ele com um ar exausto.
— Ele é um dos maiores investidores do país. Um pouco de charme não faz m*l. — Rafael tirou o paletó e afrouxou a gravata, sentando-se na poltrona à frente dela.
— Ah, sim, porque charme resolve tudo, não é? Especialmente quando ele claramente queria saber mais sobre mim do que sobre seus projetos.
Rafael sorriu, cruzando os braços.
— Está com ciúmes, Costa?
Helena parou de massagear os pés e o encarou com uma expressão incrédula.
— De você? Por favor. É mais provável que eu sinta ciúmes do seu ego, porque ele claramente recebe mais atenção que qualquer outra pessoa.
— E você é ótima em mudar de assunto — ele rebateu, levantando-se.
Helena suspirou, levantando-se também.
— Não estou mudando de assunto. Só estou exausta e quero dormir.
Enquanto ela ia para o corredor, Rafael a seguiu, chamando-a.
— Ei, Helena.
Ela se virou, já irritada.
— O que foi agora?
— Apesar de tudo, você foi boa hoje. Não só salvou minha reputação, mas também mostrou que sabe ser convincente.
Por um momento, Helena ficou em silêncio, claramente surpresa pela sinceridade.
— Bem... você também não foi tão r**m. Pelo menos não pisou no meu vestido de propósito.
Ele riu, encostando-se à parede.
— Boa noite, Costa.
— Boa noite, Montenegro.
Ela entrou no quarto, fechando a porta com cuidado. Do outro lado, Rafael ficou parado por um instante antes de ir para o próprio quarto. Ambos sabiam que o evento havia mudado algo. Talvez uma pequena trégua, ou quem sabe o início de algo que eles ainda não estavam prontos para admitir.