O apartamento de Bernardo ficava no décimo oitavo andar de um prédio moderno no centro da cidade. Vidro. Concreto. Linhas retas. Minimalismo calculado. Era amplo, elegante, mas não tinha o peso histórico da mansão de Magno. Não tinha memórias. Não tinha fantasmas. Gabriella entrou devagar. Os olhos percorriam o ambiente como se buscassem um lugar para pousar — mas nada ali era familiar o suficiente para trazer conforto imediato. — Fica à vontade — Bernardo disse com suavidade, deixando as chaves sobre a bancada da cozinha americana. Ela assentiu. O silêncio entre eles não era constrangedor. Era frágil. Ela caminhou até a janela enorme da sala e observou a cidade lá embaixo. O trânsito parecia distante. Pequeno. Como se os problemas fossem apenas pontos luminosos no asfalto. M

