Capítulo 47 Charlotte Williams O som do motor no portão da frente de casa foi o primeiro aviso. A forma como os pneus rasparam o cascalho denunciava que Henry estava de volta. Ele desceu do carro devagar, estava gato com seus óculos escuros. Eu observava da janela, tentando decifrar cada detalhe. O casaco escuro pendia dos ombros, e o nó da gravata estava frouxo, como se ele tivesse passado o caminho inteiro sem se importar em ajeitá-la. Seus ombros estavam duros, o maxilar travado. Reconhecia cada sinal: Henry estava irritado, e pior, carregava a frustração de alguém que não encontrou as respostas que queria. Empurrei a porta antes que ele abrisse. Ele entrou, alto, imponente, os olhos percorrendo a sala como se esperasse encontrar uma armadilha até mesmo dentro da própria casa. — Es

