Joca Narrando Pode anotar aí, maluco: meu nome é Joca, nascido e criado no alto do Morro da Estrela. Aqui, quem não aprende na dor, aprende na perda. Eu aprendi dos dois jeitos. Sou cria. Favelado. Mas não sou qualquer um, não. Aqui, eu sou os olho e o ouvido do Nico, o chefe. O cara confia em mim porque sabe que eu não vacilo. Já passei fome, já vi sangue, já enterrei parceiro... e continuo aqui, de pé. Porque no morro, cair é fácil. Difícil é levantar e andar com postura. Me lembro de quando o Nico chegou no morro ainda novo. Ninguém botava fé nele não. Magrelo, na dele, mas com o olho de águia. Não falava muito, mas quando falava... era lei. Hoje, ele manda e desmanda aqui. E eu sou o cara que resolve o que ele não pode sujar as mãos. — Joca, vê se esse mano é quente. — Joca, some

