Nicolas Narrando Já falei e repito: quem nasce no morro não aprende a viver… aprende a resistir. Cada batida do coração é um alerta, cada passo na viela é um teste. Aqui, mano, a gente não escolhe viver, a gente escolhe não morrer. Desde que a Maya apareceu, minha mente não para. A mina é diferente de tudo que já trombei. Fina, educada, mas com um olhar que carrega mais verdade que muito cara criado na rua. No começo, achei que era só curiosidade dela. Depois vi que era desejo. Agora… agora eu sei que é mais. Mas isso me bagunça. Porque enquanto meu peito grita o nome dela, a rua exige que eu mantenha a pose. E como que faz? Como que eu mantenho o morro sob controle se minha cabeça tá longe, pensando no jeito que ela me olha, no cheiro do cabelo dela no meu travesseiro? Hoje mesmo acor

