Julia Narrando Acordei com o som do meu celular vibrando em cima da cômoda. Não era alarme. Era notificação. E o nome dele ali, de novo: Eduardo. Não tinha coragem de abrir na hora. Levantei devagar, o sol batendo de leve na cortina da sala onde a Maya tinha dormido. Ela ainda roncava baixinho no sofá, parecia exausta… ou talvez só em paz. Fui até o espelho do banheiro, e quando me olhei, parecia outra. Menos cansada. Menos sufocada. Mais eu. Engraçado como o coração da gente se acostuma com a dor e só percebe quando para de doer. Eduardo… Ele me ligou ontem. Disse que queria conversar, que tava arrependido, que tava pensando em tudo. E eu? Eu fiquei em silêncio. Porque parte de mim queria ouvir, queria saber se era real. Mas a outra parte gritava que já deu. — Júlia, acorda — falei pr

