Maya Narrando Eu tava sentada no colchão da Júlia, enrolada no edredom dela de florzinha, olhando pro teto sem ver nada. Já fazia mais de uma hora que eu tava ali, quieta. E mesmo com ela passando pelo quarto toda hora, me oferecendo café, comida, colo… eu só conseguia balançar a cabeça em negação. Meu peito tava pesado. Não era só saudade do Nicolas. Era raiva de mim mesma por ainda amar ele tanto, por me sentir fraca toda vez que penso no cheiro dele, na forma como ele me olha, como fala meu nome como se fosse oração. Maldito seja aquele homem. Mas eu fui embora porque eu precisava. Precisava respirar. Precisava lembrar quem eu era antes dele chegar e virar minha vida do avesso. — Maya — ouvi a voz da Júlia baixinha. — Fiz um café com leite do jeito que tu gosta… e tem pão na chapa

