Aquela Noite

1228 Words
Henry Narrando Quando Elena chegou, achei que as coisas sairiam do controle mas Sally me surpreendeu com sua sensatez, mesmo bêbada. Eu estou bêbado também, mas tudo certo. Depois de muita conversa no bar, nós três estávamos exaustos. Elena foi a primeira a ir embora, pois teria que assumir um longo plantão no dia seguinte. Sally pegou a bolsa e colocou no próprio ombro. – Obrigada pela companhia, Henry. A noite foi ótima. – Ela sorriu e veio até mim, me dando um beijinho no rosto bem formal de despedida. – Eu te levo para casa. – Falei. Ela riu de mim. – Você tá bêbado o suficiente para eu não confiar em você. – Ela disse. Ergui as sobrancelhas. – Sou ótimo em pilotar alcoolizado. – Ela negou com a cabeça. Eu levantei a chave do carro, para que ela visse que eu queria levá-la. – Irresponsável. – Ela disse e tomou a chave. Mulher insolente, p**a merda. – Chame um táxi. Devolvo essa chave amanhã. Não consegui questionar. Na manhã seguinte, cheguei ao escritório também de táxi. Meu carro estava estacionado no local correto e, assim que entrei em minha sala, vi a chave do meu carro na mesa. Essa p***a de mulher é competente demais. Sally entrou em minha sala, com um sorriso no rosto, vestindo uma saia vinho e blusa nude, com sapatos de salto vinho também. Hoje ela estava de coque e com pequenas argolas de douradas. – Bom dia, Sally. Preciso disso daqui preenchido até hoje a tarde. – Ela concordou com a cabeça. – Posso ajudar em mais alguma coisa? – Eu neguei com a cabeça. Mas me lembrei de algo que ela devia fazer. Os olhos azuis enormes de Sally me encaravam e aquilo me deixou um pouco nervoso. p***a, que merda. Eu tô nervoso por causa do olhar de uma mulher... – Hoje, as três horas, vou receber um cliente em potencial. Gostaria que você ficasse na minha sala e tomasse nota das coisas importantes que ele falar. Vai ser bom para seu aprendizado. – Ela concordou com a cabeça. – E não se esqueça de perguntar a ele se deseja um café. Eu te dou o meu cartão VIP da empresa e você retira na cantina do prédio, ok? – Certo, senhor Henry. – Sally saiu andando e foi até a própria mesa. Fui ao meu escritório. Comecei a resolver uma papelada de um cliente, e em uma hora, Sally entrou com meus documentos. – Tudo preenchido, senhor Henry. Se quiser conferir, pode conferir. Revisei duas vezes. – Ergui as sobrancelhas. Então, eu tenho uma funcionária eficiente mesmo, não é? Isso é ótimo. – Deixe em cima da minha mesa. – Falei. – Mais alguma coisa? – Neguei com a cabeça. Eu acabei me distraindo com Sally indo pela porta e apertei algum botão no computador que tudo fechou. Eu não sei, mas apareceu uma tela azul e eu não sabia mais o que fazer. – Mas que p***a! – Gritei. Sally se assustou e virou de costas. – Aconteceu algo? – Eu travei meu computador! Chame alguém do T.I., por favor! – Eu falei. Sally se aproximou de mim e me olhou com firmeza. – Pode me dar licença? – Ela disse. Eu levantei da cadeira e ela se sentou. Alguns toques no teclado depois, o computador estava de volta ao normal. Ela sorriu para mim e se levantou da cadeira. – Prontinho. Sally se levantou da minha cadeira e saiu como se nada fosse. Eu não estou acostumado com mulheres tão empoderadas e inteligentes nessa empresa. Não que não existam, muito pelo contrário. É que meu andar é basicamente comandado e efetuado por homens. E ela consegue dar um sabão de competência na maioria deles, e fazer tudo em cima de um salto. Quase no horário da reunião, Sally entrou na minha sala com um bloco de notas. – Senhor Henry, tomei a liberdade de reservar a sala de reunião. Como são clientes importantes, achei que ficaria mais formal assim. – Concordei com a cabeça. – Perfeito, Sally. Quando cheguei na sala de reunião, ela estava bem organizada com as pautas dispostas em pastas com o logo da empresa, o notebook montado com o projetor funcionando e copos de água disponíveis em cada assento. Essa mulher é realmente demais. A reunião foi um sucesso. Os clientes assinaram e fizemos uma pequena comemoração com um copo de uísque cada. No final do dia de trabalho, eu estava esgotado e pelo visto, minha funcionária modelo também. – Tudo bem, Sally? – Falei, ao vê-la debruçada na própria mesa. Ela se levantou no susto. – Tudo. Tudo sim. – Ela sorriu de forma doce, tentando manter as aparências. Parecia triste. Por que me importo? – Não parece bem. Está cansada ou precisa conversar com alguém? – Ela levantou o olhar para o teto, tentando evitar que lágrimas caíssem. Sally é uma mulher forte que, aparentemente, está desabando na minha frente. – Minha vida pessoal é uma bagunça. Se você quer saber, minha vontade é nunca mais me relacionar com ninguém. Desculpa, senhor Henry, mas até hoje, todos os homens com quem estive foram babacas. Ou eu tenho um dedo podre, ou os homens não prestam. – Ela soltou uma risada e depois respirou fundo. – Talvez você só tenha olhado para os homens errados. – E como eu faço para achar o certo? – Ela apoiou os dois cotovelos na mesa e encaixou o rosto entre as próprias mãos. Seus olhos azuis estavam presos nos meus, e aquilo me deixou levemente nervoso. – Não sei. Eu só sei que não sou eu, porque sou um canalha. – Nós dois rimos ao mesmo tempo. – Ao menos você é sincero. – Eu concordei com o que ela disse. – Talvez você seja competente demais para dar certo no amor. Geralmente é assim, ou você se dá bem no trabalho, ou no amor. Os dois acabam sendo impossível de conciliar. Arrume alguém para t*****r e esqueça o amor, Sally. – Falei. Ela suspirou. – Acho que é o que vou fazer. Acho que os homens se sentem incomodados com a minha inteligência... Talvez ameaçados. – Concordei com a cabeça. – É um pensamento da maioria dos homens que a mulher tem que ser menos inteligente. Machismo, sabe? Homens tem medo de mulheres independentes e competentes como você. É o que chamam de mulher alfa. – Ela deu os ombros. – Já ouvi falar. Eu só queria, sei lá, uma companhia para t*****r e beber um vinho no final de semana. Nem isso o meu ex me ofereceu... Só porque ele não tinha dinheiro. Poxa, eu falei que pagaria e ele não aceitou. Maldito machismo... Enfim, f**a-se, sinceramente. Ele é um preguiçoso que nem emprego tem. – Eu soltei uma risada. – Você merece um homem melhor. Eu te garanto que se você me convidasse para t*****r e beber um vinho, não ficaria sozinha. – Pisquei um dos meus olhos para Sally e ela arregalou os olhos azuis. Suas bochechas ficaram levemente coradas. – Isso não foi nada sutil. – Ela caiu na risada. – Mas eu gostei. Vou pensar na proposta. Você é um homem bem... Bonito. – Eu sei. – Falei. – Boa noite, Sally. Saí da empresa sem acreditar no que falei. Mas ao menos, a isca foi lançada.
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