A academia estava lotada, sábado pela manhã sempre foi um dia movimentado. Meu celular vibra, papai mandou uma mensagem. Sorrio, ele parece bem feliz porque conseguiu que um dos filhos pródigos fossem almoçar em casa, está pedindo para que eu não demore. Guardo o celular e sigo para o vestiário para trocar de roupa...
Tem sido difícil manter o treino em dia, com a rotina da faculdade e do estágio, também faço freelancer a noite como motoboy para uma pizzaria. Não que eu esteja em dificuldades, mas sempre gostei de ter cada segundo do meu tempo bem aproveitado. Papai, no caso, Thiago, nunca deixou me faltar nada desde que ele e mamãe me adotaram, desde então, sempre fiz de tudo para se orgulharem de mim. É incrível como as coisas são, enquanto eu amo e venero Thiago e Susan, meus irmãos adotivos os odeiam na mesma proporção. Eles sequer conhecem a Susie, nunca deram uma chance para a família que papai formou após se separar da mãe deles. Então sim, estou curioso sobre o motivo de Henrique aceitar, assim do nada, almoçar na nossa casa.
Esperava que o clima estivesse mais frio que o iceberg que derrubou o Titanic, no entanto, até que as coisas estavam boas quando finalmente cheguei em casa. Fui apresentado a Henrique assim que parei na porta da sala, ele me olhou dos pés a cabeça, me preparei para o que quer que ele fosse despejar em cima de mim. Contudo, apenas estendeu a mão e disse: — Oi.
— Olá — retribui o cumprimento.
Olhei para papai e vi o quanto ele estava feliz, mas é sempre bom não baixar a bola, não sei como ele está tratando a mamãe.
Foi só pensar nela, que Susan passou pela porta, avisando com um sorriso de orelha a orelha que o almoço ia ser servido em 15 minutos. Notei que Henrique se retraiu, fechou os punhos mas se manteve firme. É, eu estou certo, não devo baixar a bola.
— Você mocinho, vá tirar esse cheiro de suor. — Ordena tapando o nariz com a ponta dos dedos.
— Benção mãe. — Peço com um sorriso.
— Deus te abençoe, vai tomar banho logo. — Torna a mandar antes de sair da sala.
— Cadê a Susie? — estranho que minha garotinha não tenha vindo me receber com sorriso e gritaria de alegria.
— Ela subiu, disse que ia fazer uma surpresa pra mim — Henrique respondeu.
Assinto e os deixo, sei que pai e filho devem ter muito o que conversar após tantos anos afastados.
Desço dez minutos depois, de banho tomado e roupa trocada, todos já estão a mesa. Sento de frente de Henrique, papai numa ponta e mamãe na outra, Susie está ao lado do nosso irmão, babando toda feliz. Percebo uma pulseira de miçanga colorida no pulso dele, ah, sim! Minha irmãzinha adorava presentear seus amiguinhos com pulseiras feitas por ela. A minha é de canudo, a do papai também, já dá mamãe é de botões.
Percebo que Henrique está sem jeito, Susie é o que o deixa mais confortável.
— Mas uma vez obrigado filho, por vim. — Papai agradece.
— Não é como se eu tivesse escolha — ele retruca num tom seco.
— Que tal fazermos a oração? — Mamãe sugere, com certeza para evitar que o clima pese.
Susie puxa a oração.
“ Papai do céu, obrigada por este alimento e nunca falte em nossa mesa. Muito obrigada por permitir eu conhecer o meu irmão Henrique, espero um dia conhecer minha irmã Amanda e que ela goste de mim. Amém!
Todos sorriem, até mesmo Henrique. Não resisto e pergunto:
— Porque Amanda não veio?
Henrique está servindo a Susie.
— Ela não estava bem disposta. — Respondeu.
— Eu mandei mensagem para ela, a convidando, mas como sempre fui ignorado.
— É, eu sei! — Ele retrucou.
— Seria bom se você conversasse com a sua irmã sobre vim no próximo sábado. — Mamãe sugeriu.
— Não vai ser possível — ele respondeu s*x.
Papai não consegue disfarçar a decepção diante da resposta, mamãe também.
— E eu? Posso conhecer a mana? — Susana perguntou.
Pelo visto é a única pessoa que ele não despreza nessa casa.
— Sinto não ser possível, ela tem tido uns dias bem difíceis. — Ele respondeu com carinho. Susie não disfarçou o quanto ficou chateada.
— Será que podemos almoçar sem falar na minha irmã? — ele pede em seguida, como se isso o machucasse.
***
Susie veio para o meu quarto após Papai levar Henrique para casa, ele até que ficou um bom tempo após o almoço. Acredito que isso tenha sido uma surpresa para todos. Outra grande surpresa foi ele ter ficado encantado com Susie e ela estava em êxtase. Desde que ele saiu, não parou de falar no irmão mais velho.
— Estou começando a ficar com ciúmes, eu estou aqui há Sete anos, carreguei você no colo, troquei suas fraldas, seguro sua mão quando está com medo e agora só quer saber do Henrique? — Finjo estar magoado.
Ela me brindou com o seu sorriso banguela antes de responder.
— Ele é muito legal, disse que vai conversar com a irmã para que eu a conheça. Ele disse que ela tá dodói, mas que vai ficar bem. — Após dizer isso, vem até mim e me beija no rosto. Depois sai do quarto, provavelmente vai brincar com seus brinquedos.
Assim que tenho certeza que ela não vai voltar, pego o celular e abro no i********:. Vou direto para o perfil que stalkeio a anos, sorrio ao vê uma postagem sobre Given no story. Pena que faz dois anos que ela não atualiza sua foto no IG. Seria bom saber como ela está agora, coloco na minha foto preferida, ela está de cosplay de algum personagem de anime. Toco na tela, tão linda. Em todos esses anos, nunca tive coragem de chegar até Amanda, principalmente por causa do ódio que ela sente por meus pais. Thiago nunca contou que me adotou para os filhos, sabia que seria mais um motivo de conflitos entre eles. Então eu sempre me mantive de longe, observando e esperando o momento ideal para conhecer a mulher que faz meu coração acelerar só de olhar para a foto. Paro um minuto e um plano me vem a mente, claro, Henrique não desprezou Susie, então... Como não pensei nisso antes, Susie é a chave para finalmente conhecer Amanda.