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Eu não sou mais a sua esposa esquecida

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Blurb

Após uma vida como órfã lutando para sobreviver, Sunny acorda no corpo de outra Sunny, uma mulher rica presa em um casamento de conveniência com um homem frio que nunca a amou. Por dois anos, a verdadeira Sunny tentou desesperadamente conquistar o marido... sem sucesso.

Agora, com apenas um ano restante antes do fim do contrato, ela pode se divorciar e ir embora com uma fortuna.

Seu plano é simples: ignorar completamente o marido, viver em paz e aguardar o dia de sua liberdade. O que ela não previu foi que sua indiferença, personalidade imprevisível e recém-conquistada independência começariam a atrair a atenção do único homem que ela nunca quis conquistar.

E, de repente, o marido que antes a ignorava parece determinado a não deixá-la ir.

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Episódio 1
SUNNY Abro os olhos sobressaltada e sento-me na cama, com o coração acelerado. Coloco a mão no peito, exatamente onde me lembro de sentir uma dor excruciante que me deixava sem ar. Olho para baixo, esperando ver sangue ou algo do tipo, mas minha pele está intacta, o que me faz questionar se tudo não passou de um sonho. Exalo aliviada, mas o alívio dura pouco, pois algo não se encaixa. Esta não é a minha cama. Os lençóis são macios demais, e o quarto elegante ao meu redor parece completamente estranho. Onde estou? Olho em volta, tentando organizar os meus pensamentos, e uma teoria bastante absurda me vem à mente imediatamente. Será que sonâmbula fui parar na casa de um estranho? Tenho quase certeza de que não dormi com ninguém ontem à noite, e não tenho o hábito de entrar na casa de outras pessoas. Espera. Eu nem sou sonâmbula. O que descarta essa possibilidade, ou pelo menos a torna extremamente preocupante. Tiro as cobertas do cobertor e coloco os pés no chão, percebendo que o tapete é tão macio que os meus dedos afundam um pouco. Nesse momento, também noto o robe preto que estou vestindo, o que me obriga a olhar para baixo novamente enquanto tento entender o que dia*bos está acontecendo. — Que dia*bos...? Examino as minhas roupas mais atentamente e percebo que não são minhas. Por que estou usando um robe preto que cobre tudo? Não posso ter entrado para um convento da noite para o dia. Abro os olhos um pouco mais, pois outra possibilidade surge imediatamente, e gosto ainda menos dela. E se eu estiver morta? Examino cuidadosamente o quarto novamente, procurando sinais que confirmem ou neguem a ideia. Isto é o céu? O infe*rno? Algum tipo de sala de espera espiritual onde revisam o seu dossiê antes de decidir o seu destino? — Ok, Sunny, calma. Murmuro, passando a mão pelo rosto. — Tudo tem uma explicação. O importante é que você não está morta... ou pelo menos eu espero que não. Encontro uma porta e a abro, descobrindo que é o banheiro. Entro rapidamente e paro por um instante para observar o lugar, pois é enorme, reluzente e meticulosamente organizado. Há uma banheira gigantesca que claramente pertence a pessoas com dinheiro de sobra e tempo livre de sobra para banhos demorados, o que me leva a suspeitar que alguém muito rico mora aqui. Digo primeiro uma necessidade básica, já que crises existenciais são mais fáceis de lidar com a bexiga vazia, e então me aproximo da pia. Quando levanto a cabeça para me olhar no espelho, congelo completamente, porque há uma mulher parada na minha frente. Recuo com um pequeno suspiro, e a mulher faz exatamente o mesmo. Inclino a cabeça para um lado, depois para o outro, confirmando que ela replica cada movimento com absoluta precisão, o que me obriga a levar as mãos ao rosto para tocá-lo suavemente enquanto o reflexo me imita sem demora. Naquele instante, compreendo algo impossível: sou eu e, ao mesmo tempo, não sou eu. — Ok... Sussurro, ainda encarando o espelho. — Isso é demais. O rosto que vejo é diferente, mais delicado. Cabelos castanho-escuros caem em ondas suaves sobre os ombros, e a sua pele parece conhecer produtos de beleza que eu jamais poderia comprar, o que me faz pensar em algo absurdo. — Será que troquei de corpo com uma freira elegante? Uma tontura repentina me atinge e me apoio na pia para não cair enquanto tento manter a calma. — Por favor, que eu não esteja grávida. Murmuro, fechando os olhos. — Porque seria a gota d'água acordar no corpo de outra pessoa e ter que lidar com um bebê surpresa. Respiro fundo algumas vezes até sentir como se o mundo tivesse parado de girar, e então saio do banheiro para abrir a porta ao lado, encontrando um enorme armário cheio de roupas perfeitamente arrumadas. Vestidos brancos, pretos e marrons, sapatos impecavelmente alinhados e bolsas caras que provavelmente custam mais do que o meu aluguel. Cruzo os braços enquanto examino tudo com certa desconfiança. — Bem, ou eu sou uma freira rica, ou este definitivamente não é o meu quarto. Belisco o meu braço, esperando acordar no meu minúsculo apartamento com o som da minha vizinha gritando com a TV, mas nada acontece e continuo aqui, o que confirma que isso não é um sonho, ou pelo menos não um do qual eu possa acordar facilmente. Saio do closet e abro outra porta que dá para um corredor amplo e silencioso, onde tudo é branco e impecável, algo que me lembra um hospital, embora não haja cheiro de desinfetante nem pessoas andando por aí com expressões de dor. Dou alguns passos e abro outra porta, encontrando um quarto semelhante, com uma decoração mais pessoal. — O que você está fazendo no meu quarto? Congelo, respirando fundo e tentando inventar uma desculpa decente, embora o problema seja que não sei onde estou, não sei quem sou e nem mesmo quem acabou de falar. Viro-me lentamente e, quando finalmente vejo o dono da voz, fico sem palavras, porque o homem à minha frente é um dos mais bonitos que já vi. Ele veste um terno elegante que parece feito sob medida e tem aquele ar misterioso de modelo que faz você olhar duas vezes, o que faz o meu cérebro levar um segundo para processar antes de pensar que ele também deve ser lindo sem roupa. — Sunny, por que você está me olhando assim? Eu pisquei. Sunny? Ele acabou de dizer o meu nome? — Eu... Tossi um pouco para ganhar tempo. — Eu me levantei, meio desorientada, e abri a porta errada. Ele ergueu uma sobrancelha e deu um passo na minha direção. — Se você não está se sentindo bem, deveria consultar um médico. — Se eu disser o que está acontecendo, ele provavelmente vai me mandar direto para um psicólogo, e eu vou acabar numa camisa de força. Respondi baixinho antes que pudesse pensar. Engulo em seco porque não faço ideia de quem ele seja, embora seja óbvio que ele me conheça. De repente, uma dor intensa me atingiu a cabeça, e levei a mão à têmpora enquanto uma enxurrada de imagens invadia a minha mente. Memórias que não são minhas, cenas da mulher neste corpo aparecendo em diferentes momentos da sua vida: reuniões familiares, eventos elegantes, conversas constrangedoras e o homem à minha frente repetindo-se incessantemente. As imagens fixam-se e finalmente entendo quem ela é, o que também confirma que ela definitivamente não é uma freira. — Vou ligar para o médico. Diz ele, preocupado. Encaro-o e a informação finalmente se consolida. — Você é meu marido. — Infelizmente. Ele responde calmamente. ‌​​‌​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍

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