NARRAÇÃO DE JHONNY...
Inspirei profundamente, rendido.
Levantei-me ciente de que Gabriel havia sido meu empata-f**a.
Jade me beijava de maneira deliciosa quando ele simplesmente invadiu nosso espaço.
— Bom, espero que tenham um bom trabalho.
— Obrigado, amor...
Beijei Jade novamente e a peguei no colo.
— Vamos logo, c*****o! — Gabriel se alterou.
E depois ainda reclama de Alexander...
Jade saiu dos meus braços aos risos e seguiu para a cozinha.
Lamentei não poder ao menos tomar um café com ela.
Passei por Gabriel ainda irritado.
— Você é igualzinho ao Alexander.
— Vai me dar espaço para xingar a sua mãe. — Gabriel se defendeu.
Parei e o encarei.
— Você invadiu minha casa e atrapalhou minha despedida com a minha mulher.
Gabriel suspirou, carregando uma expressão de profunda lamentação.
Pousou a mão em meu ombro e franziu os lábios antes de falar.
— Você sabia que era uma missão. Apoiou tudo. É a máfia, irmão. Às vezes precisamos abdicar daquilo que amamos. Não está vendo? Vou te contar o que aconteceu comigo...
Ontem, Liz e eu ficamos no hospital com Clara, Léo e o bebê.
Na madrugada, o fogo subiu, porque eu sabia que viajaria hoje.
Aproveitei que Leonardo e Clara estavam sendo bons pais e que todos dormiam.
Acordei Liz e sugeri uma p*****a de despedida.
Ela mandou que eu fosse na frente e disse que iria depois.
Voltei para o quarto me sentindo um gogoboy, pronto para dançar para ela e tudo.
Ri, mas Gabriel sacudiu meu ombro.
— É sério! O pior ainda estava por vir.
Fiquei completamente pelado.
Fiz pose e fiquei aguardando.
Nem me cobri.
Mas ela demorou tanto que acabei pegando no sono.
Obviamente, dormi nu.
Só que, em vez de ser acordado pela Liz, fui despertado por Alexander... gargalhando!
A sorte é que eu estava dormindo de bruços.
Porque, se ele tivesse visto minha ereção, eu o teria espancado, Jhonny.
Klaus e Irina iriam visitar Alexander na UTI.
E outra: quero ir embora logo, porque toda vez que Liz me dá um bolo, eu fico magoado.
E o seu bolo veio com consequências.
Alexander.
Vou passar a viagem inteira sem olhar para ele.
E não venha puxar assunto com esse moleque perto de mim!
Gargalhei.
Adoro assistir de camarote aos dramas entre Gabriel e Alexander.
Na varanda, encontrei Nicolás ainda sonolento.
Ele observava nossa aproximação com visível incômodo.
— Havia mesmo necessidade de acordar tão cedo?
— A culpa não é minha. Se Alexander invadiu meu quarto e me arrancou da cama para essa missão, então estamos todos no mesmo barco.
Como se tivesse escutado a conversa, Alexander surgiu na varanda, fechando o zíper da calça.
— Pronto. Estou com a bexiga vazia para essa viagem.
Ignorei Alexander ao notar Maxine saindo do casarão.
Ela seguia em direção ao estábulo, os cabelos presos no habitual r**o de cavalo.
— Espere um pouco. Não vou demorar. — avisei, afastando-me da varanda.
Ouvi Alexander resmungar, mas, como sempre, ignorei.
Enquanto caminhava em direção a Maxine, trinquei a mandíbula por hábito.
A dor imediata me lembrou do motivo de eu ainda estar aqui.
Foi aquela jovem quem salvou minha vida.
E, como consequência, acabou sendo brutalmente castigada.
Por isso, serei eternamente grato e a defenderei até que me prove o contrário.
— Maxine.
Ela parou e se virou.
É outra pessoa.
Sem maquiagens exageradas.
Sem roupas curtas.
Apenas uma adolescente simples.
A prova de que nunca quis se vestir daquela forma.
Nunca quis parecer aquilo que a obrigaram a ser.
Hoje, não carrega mais a mesma raiva.
Em compensação, isola-se e passa a maior parte do tempo sozinha.
— Vou fazer uma viagem. Quando voltar, quero levá-la para um novo treinamento de tiro ao alvo. Percebi que você errou algumas vezes no último treino.
— Obrigada. Eu estava preocupada. Foi no dia em que Don Gabriel fez a reunião porque desabafei com sua filha e Alexander estava espionando. Fiquei nervosa e não consegui me concentrar.
— Esse é justamente o ponto. Seu equilíbrio emocional não pode comprometer seu equilíbrio físico.
Aproximei-me alguns passos.
— Imagine que você esteja diante de um inimigo armado, apontando uma arma para uma criança. A pressão será enorme. Se não souber controlar suas emoções, poderá atingir a criança em vez do agressor.
Maxine assentiu, abaixando a cabeça.
— Obrigada pelos ensinamentos, senhor Jhonny.
Parei a poucos metros dela.
— Talvez eu seja rigoroso demais, mas é para a sua evolução. Quero que você se torne uma torturadora. Quero que machuque pessoas como aquelas que já lhe fizeram m*l. Pessoas que tocaram em você sem consentimento.
Minha voz tornou-se mais grave.
— Sou especialista em encontrar molestadores e e**********s. E reconheço, no olhar, quem já foi violado.
Fixei meus olhos nos dela.
— E sei que isso aconteceu com você.
Maxine começou a chorar.
— Desconte toda a sua raiva nos treinamentos. Mantenha o foco. E, quando capturar seu primeiro prisioneiro, quero que seja um molestador. Está me ouvindo?
Ela chorou ainda mais, o rosto inclinado para o chão.
— É um homem poderoso.
Sua voz saiu trêmula.
— Ele fazia coisas comigo quando eu ficava sozinha no escritório por ordem do Leon. Puxava minha blusa e mandava que eu ficasse calada. Eu implorava para que parasse, mas ele dizia que não tiraria minha roupa. Que só queria tocar nos meus...
Engoliu o choro.
O queixo tremia.
Medo e vergonha se misturavam em seu olhar.
— s***s.
Perguntei com a voz carregada de raiva:
— Quem foi?
— Por favor... não quero dizer agora. Não estou bem.
Abraçou-se, tentando conter o próprio corpo.
— Só consegui falar porque o senhor reconheceu, em meus olhos, o que aconteceu. Obrigada por cuidar de mim.
Respirou fundo.
— Mas eu tenho medo de outro confronto. Tenho medo de guerra. Vi como o senhor ficou depois da tortura. Vi Klaus com o peito perfurado. Vi o desespero e a dor. Eu gosto desta paz. Gosto de treinar. Quero torturar homens assim. Mas não quero guerra.
Cerrei os punhos.
— Diga apenas o nome.
— Eu não consigo.
Chorando, ela puxou a rédea do cavalo e o conduziu para fora do celeiro.
Respeitei seu espaço.
Mas uma coisa era certa.
Isso não ficará impune.
Sou um justiceiro.
E vou descobrir quem foi.