Machucada

1046 Words
NARRAÇÃO DE MAXINE... Treinei sentindo toda a raiva! Quando o treinador chegou, o enxerguei como o inimigo que eu queria bater. Já havia aprendido a socar com força e com os punhos cerrados corretamente, aprendi a lutar. Mas naquele dia... não entendia como estava péssima. Apenas atacava com raiva e saía machucada, aquilo não me dava vontade de chorar, e sim de atacar ainda mais! Lembrando de tudo o que passei: pisadas na cabeça, ameaças, assédio... E novamente terminava no chão sentindo dores. E aquilo me irritava ainda mais! O treinador estava ofegante, não compreendendo como eu não queria pausas, e sim atacar novamente. Tinha esperança de vencê-lo pelo cansaço. Tolice... Na hora do almoço, Sr. Sebastian entrou na área de treinamento com duas quentinhas. Assobiou, mandando eu e o professor darmos uma trégua e comer alguma coisa. Almocei sentada no tatame. Já o treinador fugiu exausto de mim, desejando almoçar em paz, ou talvez tivesse medo de eu o atacar enquanto comia. Ri um pouco ao pensar nisso. Após o almoço, ele demorou a voltar. Levou quase três horas! Quando voltou, o encarei irritada colocando as luvas de treinamento. — Não está focada no treino, e sim descontando algo que sente. Mantenha o foco. O ignorei e avancei, pronta para vencer desta vez. Levei um chute no peitoral, me derrubando no chão. Senti falta de ar, mas ele se aproximou preocupado tocando em minhas costas. — Está passando m*l?! O empurrei, levantando-me ainda tonta. Ele suspirou exausto. Normalmente, nos treinos eu escuto e obedeço, mas hoje estou à flor da pele. O chamei, ele riu aguardando meu ataque e assim aconteceu... Novamente no chão. E no chão. E no chão. Hematomas roxos. Até Sr. Jhonny apareceu no final da tarde. Ele tem tanta experiência e paciência que abaixei a guarda, até mesmo para escutá-lo. "Melhore a cabeça, Maxine! Você precisa!" Como o sol estava se pondo, entendi que o treino acabou. Mas antes ele avisou sobre sua irmã conversar comigo. Bateu um enorme desespero. Ela já não gosta de mim. Se Jhonny falar que já fui tocada por homens, pensará que sou uma vagabunda de quinta categoria, pois já vi casos onde garotas que foram assediadas saíram com fama de p**a. Mas ele me fez parar quando relatou que ela passou por coisas muito piores... Não duvidei em momento algum. Ela cresceu na máfia. Compreendi e aceitei. Quero arrumar minha cabeça, preciso de instrução. Outro frio na barriga. Árya quer minha aproximação, mas não sabe como... Ele sugeriu chamá-la para ir ao pub. Quero obedecer, não porque são ordens, mas porque me sinto sozinha. Sei que os capangas são bons amigos, mas nunca soube a sensação de ter uma amiga de quase minha idade. Estou prestes a fazer dezoito anos, e isso é tudo novo! Saí da área de treinamento e voltei para o casarão. Ouvi Sr. Gabriel discutindo com Alexander na direção da cozinha. Procurei ir direto para o meu quarto. Tomei um banho demorado. Fiquei olhando o sabão escorrer pelas minhas canelas roxas. Resmunguei terminando o banho. Aposto que amanhã ficarei com os braços roxos. Essa é a desvantagem de ser muito branca! A vontade era de deitar em minha cama e dormir, esquecendo daquele dia, mesmo que ainda seja cedo para dormir... Mas tenho um compromisso maior. Ter um lazer de adolescente, sair com Árya. Meu estômago revirou ao pensar na ideia... Acho que, dentre todas as garotas da fazenda, ela me odiava mais. Porém, mostrou ser madura ao compreender pelo que eu passava. Um breve frio na barriga surgiu ao lembrar que Sr. Jhonny afirmou que Árya deseja minha aproximação. Tenho a chance de fazer tudo certo, sem nenhuma ameaça... Me arrumei como de costume: calça jeans, blusa de manga comprida e cabelos presos em um r**o de cavalo. Assim me sinto mais confortável. Nem maquiagem desejo usar. Lembro de como fui forçada a usar maquiagens pesadas contra a minha vontade. Saí do casarão e caminhei até a casa de Árya. Respirei fundo sentindo outro frio na barriga, bastou parar em frente à porta. Ajeitei uma pequena mecha de cabelo que havia escorregado de trás da orelha e a coloquei novamente no lugar. Apertei a campainha. Para meu alívio, ela abriu a porta. Meu medo era o marido dela abrir e ela entender aquilo como uma provocação. — Oi. — Ela falou tímida. Percebi que estava arrumada. — Oi... É... não quero incomodar, mas você e suas amigas aceitam sair para o pub? — perguntei sentindo meu rosto adormecer pela vergonha. Ela riu saindo e fechando a porta. — Clara está em puerpério, Bianca saiu com Noah, Cecília voltou para a mansão com Caio e só voltam aos finais de semana. Bom... Lilly... Forcei um sorriso. — Eu sei. Não faria sentido. — Fica tranquila, eu vou com você. — Árya falou com simpatia. Durante o caminho até o pub eu não sabia o que falar. Queria pedir desculpas novamente, mas travei. Acho que seria repetitiva. Entramos no pub, e a maioria dos capangas me cumprimentou com simpatia. Outros ficaram calados, olhando surpresos para Árya junto a mim. Sentamos em uma banqueta em frente ao balcão. — Como está o treinamento? — Ela forçou amizade tocando o ombro dela no meu. Toquei em meu ombro fingindo não sentir dor, pois naquela região levei muitos socos. — Péssimo. O atendente nos olhou e encheu dois chopps sem precisarmos pedir. — Ah... eu sinto muito... — Eu vou melhorar, quero ser a melhor torturadora. Árya sorriu. — Não tenho dúvidas. Você é a pupila do meu pai, ele é muito bom! Sorrimos, me senti menos tensa. Mas ouvimos pessoas falando alto na entrada do pub. Parei de sorrir quando um homem lindo entrou. O sorriso dele é diferente, tem um olhar meigo. Estava com Leonardo, Alexander e Davi. Não estava mais leve... Sei que eles vão querer a atenção da Árya. — Boa noite, Árya. Amanhã eu treino cedo. Saí quase fugindo. Nem sequer beberiquei meu chopp. A propósito, achei o rapaz lindo, mas não com segundas intenções. Sei quando as pessoas são bonitas e não tenho dificuldades em dizer isso. Só quero voltar para o quarto e esquecer desse dia. Do dia em que assumi ter sido assediada por um mafioso poderoso.
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