NARRAÇÃO DE JHONNY...
Estava leve olhando os quatro mastigando cartas e mais cartas sem parar. As lágrimas dos valentões eram como troféus para mim. Não dado por satisfeito, peguei meu revólver e apontei para a cara de cada um. Com um pequeno sorriso de lado, sinto prazer em ver pavor no olhar de gente rüim.
Eles não sabem, mas estou ajudando. Com o revólver apontado na direção deles, mastigam mais rápido e leem mais alto. Alexander se intrometeu entrando na cozinha e sentou ao lado de um deles, colocando seu braço no ombro do valentão mais alto. Sua aparência não é peculiar, não. Não mesmo. Parece ser o famoso burro da escola, o valentão que bate nos nerds só por ter quase dois metros e estar acima do peso.
— Está gostoso? — Alexander perguntou sorrindo, pegando mais uma carta e a entregando.
— Leia, quero ouvir. Foi você quem escreveu?
Alexander estava brilhando naquela missão. Se fosse em outro tempo, eu o mandava aguardar no carro. Mas agora é Don e está deslumbrado com sua primeira missão.
— Sim. — O grandalhão olhou, engolindo as antigas cartas com dificuldade.
— Leia! — Alexander mandou, sorrindo.
— "Eu vou te encontrar na escola. Torça para que não esteja sozinho no banheiro. Vai virar mulherzinha do jeito que você deseja, e depois vou te afogar no vaso até parar de respirar. Vai morrer bebendo água suja."
Alexander riu alto. Levantou, puxou os cabelos do grandalhão e o fez olhar para cima, encarando Alexander.
— Quer virar mocinha? — Alexander perguntou, rindo.
— N-não, por favor!!
— Alexander, para de atrapalhar o almoço dele. Está faminto, não vê o seu tamanho? Precisa engolir muitas cartas.
Alexander riu olhando em meus olhos. Puxou o cabelo dele com mais força e pegou duas cartas, enfiando na boca dele, quase o sufocando. Depois sentou ao lado dele novamente.
E lá ficamos... Seriam longos minutos de tédio olhando quatro jovens filhos da putä comendo várias cartas.
— Alexander, vigie eles. Vou falar com Nicolás e Gabriel. — Falei saindo da cozinha.
Passei pela sala e notei os pais dos opressores com Rodrigo na sala. Eles choravam, abraçavam Rodrigo, sentindo muito. Deve ser um grande desgosto criar os filhos com amor e, no fim, se tornarem o oposto do que desejamos.
— Onde estão Gabriel e Nicolás?
— Foram para o quintal fumar um cigarro.
Agradeci Rodrigo e saí da casa.
Observei Nicolás e Gabriel debaixo de uma árvore de castanheira no quintal dos deputados corretos. Me irritei ao ver que eles fumavam maconhä. Aproximei rapidamente e peguei o cigarro da mão de Gabriel. Nicolás havia acabado de passar para ele.
— Não conseguem esperar sair da propriedade deles, carälho?! — perguntei.
Olhei ao redor e os vizinhos tinham acesso à vista do quintal da casa dos deputados. Péssima impressão para o casal correto. Mafiosos fumando maconhä debaixo da árvore do quintal deles.
— Esperar pra quê?! — Gabriel tentou pegar a maconhä da minha mão, mas joguei no chão e pisei.
— Não vamos manchar a imagem do casal. Percebi que dentro da casa deles tem imagens de santos, dizeres bíblicos. Os vizinhos provavelmente carregam boa impressão desse casal.
— Mas os filhos não. — Gabriel falou irritado.
— Jhonny, você pisou em uma Colômbia. Maconhä das boas. — Nicolás falou incomodado, olhando meu pé.
— Nicolás, foco! Viemos para uma única missão.
— Aah, lembrei de uma coisa. — Gabriel mudou de assunto.
Olhamos para ele com a curiosidade aguçada.
— Então, Klaus vai voltar com Irina para Rússia. Irina vai começar a trabalhar, e Klaus vai atrás. Dizendo ele que não quer saber de escritório. Mas aposto que, quando Irina estiver no escritório, ele vai correr para lá apenas para fazer a mesa balançar, derrubando tudo no chão. Igual faço com Liz.
Nicolás riu. Mas permaneci calado.
— A respeito disso, eu já sabia que eles iriam voltar. — afirmei.
— Pois então. Klaus me pediu um favor. Ele está preocupado com seu sobrinho. Aquele que é revoltadinho porque descobriu que o irmão dele o adotou e não fez ele.
— Hum... — perguntei com preguiça. Gabriel enrola muito pra falar.
— Pois então. Como ele não quer aproximação de Peter e Sophia, seus pais adotivos, Klaus quer que o vigie. Ele conseguiu entrar em contato com Thiago e o convenceu a ir para a fazenda. Rever seu melhor amigo de infância, Leonardo. Lembra que os dois tinham a mesma idade? Brincavam juntos direto. Klaus só convenceu da chegada dele porque Leonardo se tornou pai. Então foi uma desculpa b***a pra fazer ele vir, para vigiar ele. Klaus e Peter são folgados. Fazem filhos e jogam na fazenda. No caso do Peter, pega uma criança em vez de fazer.
Gabriel riu sozinho antes de continuar:
— Bom, como está revoltado, quero que ensine ele a trabalhar na máfia. Vai ser uma desculpa tola pra prender ele aqui. Teve vida de rei, tudo o que desejou. Bastou saber que foi adotado que se revoltou. Então precisa trabalhar pra saber que sua revolta é ridícula. Peter sofre sentindo a falta dele. Falaram que eram melhores amigos além de pai e filho.
— Mais um? — perguntei entediado.
— Pensa positivo, pelo menos não é adolescente. Esse tem vinte e oito anos, estudou muito para trabalhar como médico na máfia da Alemanha. Nosso médico terá um ajudante.
— Ele não vai querer trabalhar na fazenda. — falei. Já imagino um mauricinho.
— Ele vai. — Nicolás interrompeu. — Ele é apegado a mim. Sempre que viajava para Alemanha, ficava onde eu estava. Fazia questão de pedir para levar Léo para Alemanha apenas para ter companhia. Faz muitos anos que Leonardo e eles não andam juntos. Posso conversar com Leonardo, convencê-lo a ficar um pouco mais. Quem sabe assim teremos tempo de conversar com ele e colocar em sua cabeça que Peter o ama e, se não falou a verdade, é porque queria protegê-lo.
Compreendi. Nos calamos quando Alexander saiu da casa fumando um cigarro. Fechei os olhos, sentindo pena dos deputados corretos. Aposto que nem fumam, e agora são obrigados a receber Alexander dentro da casa com um cigarro na boca.
— Já almoçaram. Comeram tudinho. Pena que não tem mais carta.
— Graças a Deus... Chame Rodrigo e vamos embora. E agradeça aos deputados pela recepção. — falei saindo da propriedade, louco para chegar na fazenda.