NARRAÇÃO DE JHONNY...
Encontrei todos na sala. Pronto para avisar sobre minha intenção.
— Quero pisar na casa dos pais deles, e quero fazê-los pagar. — Avisei, olhando a hora em meu pulso. Como posso me preocupar com dois adolescentes atualmente? Cabeça aqui, pronta para vingar o que fizeram, e a mente na fazenda, preocupado com a cabeça da menina Maxine após assumir aquilo aos prantos. Sua cabeça deve estar fodidä, e o pior: sem poder desabafar com alguém. Afinal, ela tem ciência de que foi aceita na máfia, mas não é tratada como uma amiga. E sim como mais um capanga. Não é à toa que a garota só se junta com os capangas. Aqueles que a protegeram quando sua máfia foi atacada, e só foi protegida por eles porque souberam que ela me salvou.
Ao menos ela não sente medo deles. De certa forma, adquiriu confiança, e os capangas a respeitam. A enxergam como uma mascote da Máfia, por ser a única adolescente garota que treina com o professor de luta e treina comigo como usar uma arma de fogo.
— Se forem filhos de políticos corruptos, eu vou rir. — Gabriel falou, passando por mim. Já Nicolás olhava-me preocupado. Nem todos os políticos são corruptos, mas, se esses forem, pode ser que prejudiquem o nosso trabalho com a migração dos carregamentos da Máfia.
Ainda assim, isso não me amedronta. Como havia dito... olho por olho, dente por dente.
Rodrigo nos conduziu pelo condomínio até parar em uma casa de alto padrão. Alexander não hesitou em apertar o interfone.
— Quem é?
— O cunhado do Rodrigo, ele está aqui comigo. — Alexander, bruto do jeito que é, puxou Rodrigo pela nuca e mostrou o rosto dele pela câmera de segurança. Como sempre carregando sarcasmo no olhar, fez questão de dar um tchauzinho.
— Está tudo bem, Rodrigo? — A voz de uma mulher soou preocupada pelo interfone. Provavelmente pensavam se tratar de um assalto, já que ele estava rodeado por nós.
— Sim. Precisamos conversar.
— Quem são essas pessoas?
— Alexander falou a verdade. Ele é o namorado da Lilly. Minha irmã gêmea, que estava desaparecida, foi encontrada. — Ele afirmou. Foi o suficiente para o enorme portão de ferro se abrir. Entramos calmamente.
Entendi que aquilo se tratava de provocações entre jovens conhecidos, e isso é pior. Deve ser horrível esconder isso sabendo que os pais se conhecem.
Eu conheço o rosto de cada político corrupto. Os negócios envolvem cada um deles. Jurava que iria encontrar um dos mäl caráter, mas me surpreendi quando vi um casal bem-arrumado. Políticos honestos? Nicolás olhou-me surpreso.
Logo saíram os opressores da casa. Dois adolescentes com cara de mauricinhos. Usavam shorts brancos e curtos, tênis brancos, meias claras até a canela e camisa polo branca. Estava explicado. Eles seguravam raquetes, provavelmente estavam treinando tênis. Olharam Rodrigo por um segundo e se entreolharam, segurando o riso, como se ele ainda fosse um covarde.
— Rodrigo? — A mãe dos garotos o chamou, preocupada, descendo os degraus da entrada da casa.
— Qual é o nome dos seus filhos? — Perguntei, querendo ir direto ao assunto. Ganhei a atenção do pai, que também carregava preocupação na face.
— Perdão, mas eu os conheço?
— Não. Me desculpe por não me apresentar. Eu me chamo Jhonny, Dom da Máfia. Esses são os meus sócios, também são dons.
— Eu também sou sócio! Eu sou outro Dom, fui nomeado... — Alexander mostrou seu anel. Revirei os olhos, inspirando fundo. Ninguém merece trabalhar com adolescente. Esse chamado Alexander...
O pai se sentiu ameaçado e entrou na frente da esposa.
— Não fazemos nada ilícito. Tenho certeza de que encontrará outros deputados que podem fazer algo por vocês, mas somos corretos.
Ri, olhando seu desespero. Inclinei-me, olhando seus filhos, que pararam de rir ao saber quem éramos.
— Vocês são corretos, não tenho dúvidas. Mas não vim atrás de vocês, e sim atrás desses dois... — Apontei, sorrindo para os filhos. Eles se entreolharam em pânico.
— Qual é o nome deles?
— Cosme e Damião. Colocamos esse nome em homenagem ao nosso santo. — A mãe falou, trêmula.
— Os santinhos... Que lindo. Sabia que esses dois mandam cartas e oprimem Rodrigo em seu dia a dia? Cartas pedindo seu suicídio e outras palavras pesadas. — Falei. Gabriel riu junto com Alexander.
— Do que você está falando? Rodrigo?! — O pai olhou para Rodrigo, que abaixou a cabeça, amedrontado.
— Sempre fizeram isso. Aproveitavam que meus pais sofriam, sabiam que eu não iria abrir a boca. Mas agora, com minha irmã descoberta e com o apoio deles, tenho coragem de falar o quanto os filhos de vocês me agrediram no banheiro da escola, o quanto mandaram cartas e mais cartas com palavras de baixo calão... — Rodrigo falava com as lágrimas escorrendo.
Os dois soltaram as raquetes como se tivessem combinado entrar em pânico juntos. Os pais os encararam, demonstrando raiva.
— O que vocês fizeram?!
— Eu vim me vingar. — Cortei o silêncio.
— P-por favor, senhor, pense em mim! Eu sou o pai! Eu posso corrigi-los. Eu não tinha ciência disso. Se ao menos imaginasse o que Rodrigo estava passando pelas mãos dos meus filhos... Logo nós, que éramos amigos dos pais dele, ajudamos tanto nas buscas!
— Olho por olho, dente por dente. — Afirmei, subindo os degraus. Ele soltou uma lufada de ar, tentando pensar em algo, com os olhos marejados.
— Certo! Eu sei qual é a regra da Máfia, isso não ficará impune. Mas imploro, não os mate, não arranque sangue deles...
Sorri e toquei a mandíbula do pai deles.
— Tem a minha palavra. Não arrancarei sangue. Apenas... os castigarei. Eles têm muitas cartas para engolir.
Em forma de respeito, mesmo contra a vontade deles, abaixaram a cabeça e deram espaço para minha passagem. Ao menos respeitam a ordem da Máfia. Acho que, no fundo, sabem que os filhos merecem. Se não aprendem dentro de casa, o mundo ensina... e eu sou o mundo.
Eles choraram ao ver minha aproximação.
— Vamos para a cozinha. Está na hora do almoço.
Eles obedeceram e entraram aos choros. Entrei sozinho com os dois. Todos sabem que tortura é apenas comigo.
— Aproveite e ligue para os dois que ajudaram a oprimir o garoto. É bom que terão ajuda para comer as cartas.
Um deles pegou o celular e enviou uma mensagem para os outros aos prantos.
Mandei que sentassem ao redor da mesa.
Joguei as cartas sobre a mesa e sentei em uma cadeira, cruzando as pernas. Olhei a hora em meu pulso, entediado.
Não demorou até os dois valentões aparecerem, sem entender o motivo do convite para o almoço.
Levantei e sorri, puxando a cadeira.
— Sentem-se. O almoço está pronto.
Eles iriam perguntar algo até verem o revólver em minha cintura.
Os quatro sentaram um ao lado do outro.
— Primeiro! Quero que leiam o que escreveram. Cada um pegue uma carta, leia e engula. Mastiguem bem, pois não terão ajuda de água. Andem logo, porque quero voltar para minha casa. Tenho compromissos maiores para resolver.
O primeiro pegou a carta. Os outros se entreolharam e fizeram o mesmo.
— Nunca mais provoquem ou humilhem um colega de escola ou qualquer outra pessoa. Caso contrário, eu mesmo enfio uma bala na cabeça de cada um. Agora, comecem!
Sentei, admirando-os ler aqueles absurdos. O melhor é que os pais estavam no corredor, ouvindo tudo aos prantos. Foi satisfatório ver cada um mastigar a carta até engolir e pegar outra, pronto para ler e comer novamente...