Izabel continuava em silêncio no telefone e eu também estava paralisado. Meu coração estava acelerado e eu consegui respirar fundo para falar com ela.
- Iza meu amor. - Falei sussurrando lutando para não chorar, ela continuava sem falar, mas sua respiração estava mais ofegante e depois de alguns minutos ela desligou. Não estava sendo fácil seguir com ela não acreditando em mim, mas uma hora ela vai ter que saber que eu nunca fui um traidor.
Depois que ela desligou eu não consegui mais dormir, então esperei amanhecer e fui tomar um banho. Naquela manhã eu estava completamente desanimado, cansado de enfrentar mais um dia com olhares de julgamentos de todos, olhar de decepção de Izabel, olhar de raiva de Rebeka. Eu sentia que eu estava perdendo as forças e ficando depressivo, mas mesmo assim eu saí de casa desanimado e entrei no carro seguindo para a escola, olhei pelo retrovisor e eu tinha olheiras e eu estava abatido. Chegando na escola eu não tive vontade de ir para a sala dos Professores. Eu preferi seguir o caminho para a sala que eu iria dar aula, mas o meu desejo foi interrompido quando escutei a voz do meu pai me chamando, respirei fundo e coloquei um sorriso no rosto e me virei para ele.
- Bom dia pai. - Respondi entre os dentes.
- Bom dia olha William, a Professora de geografia não pode vir e tem uma turma que está com horário vago só aguardando sua aula. Tenta juntar as duas turmas em uma única sala para eles não ficarem com o horário vago, assim você adianta eles e te adianta também.
- Ótimo! - Resmunguei comigo mesmo, já não bastava o meu desânimo, agora tenho que enfrentar duas turmas juntas... Acalmar quase cem adolescentes em uma única sala era impossível. Então cheguei na turma onde a Professora de geografia havia faltado e percebi que era da turma de Izabel, eu não enrolei e pedi para todos se levantar e me seguir para ficar em outra sala, olhei para atrás quando andava no corredor para ver se todos estavam me seguindo e pude ver Izabel andando ao lado do Mateus, um aluno do Fundão, eu vi ela rindo enquanto ele falava. Precisei disfarçar e fingir que aquilo não me afetava, parei em frente a porta e aguardei eles entrarem, quando ela passou por mim eu não tinha vontade de olhar para ela... Eu estava irritado e desanimado,e enquanto isso ela abria um sorriso para outro, sim eu estava com ciúmes.
E como eu tinha previsto... a sala virou um verdadeiro inferno, ninguém me escutava todos ficavam conversando jogando papéis uns nos outros, cadeira arrastando, mastigavam chicletes, davam gargalhadas e mechiam no celular. Vi Izabel no Fundão com Mateus, ela mostrava o caderno dela para ele, eu estava me tremendo de raiva e cansado de gritar pedindo atenção. Então desisti de ensinar e fui para o quadro passar exercícios, então eu senti jogarem bolinhas de papel no quadro e em minha cabeça, parei de escrever no quadro e respirei fundo de olhos fechados tentando manter a calma, em seguida voltei a escrever no quadro com minhas mãos trêmulas de raiva. E novamente eles jogavam mais bolinhas de papel em mim, senti o meu rosto queimar de raiva e me virei para a turma sem dizer uma palavra, eles literalmente me ignoravam. Izabel olhava em volta vendo aquela bagunça, Mateus estava ao lado dela e quando ela abaixou a cabeça para voltar a escrever no caderno a mecha do cabelo dela que estava atrás da orelha escorreu pelo seu rosto e Mateus passou os dedos no cabelo dela voltando a colocar a mecha atrás da orelha dela, eu senti o meu peito queimar e minha respiração ficou mais ofegante, eu estava a ponto de fazer uma loucura mas tentei me controlar voltando a escrever no quadro e logo voltaram a jogar papeizinhos amassados em mim com risadas, então eu fiquei cego de raiva.
- Mas que merda!!! - Gritei a plenos pulmões e joguei o livro contra a parede, na mesma hora todos calaram a boca, eles me olhavam espantados e Izabel também me encarava assustada.
- Espero que estejam satisfeitos!!! - Falei com raiva e saí da sala, eu só conseguia sentir raiva e não queria falar com ninguém, eu precisava me acalmar então decidi ir para o estacionamento para entrar no carro para esfriar a minha cabeça. E quando eu estava destrancando o carro olhei para atrás e vi que Izabel havia me seguido, ela me olhava preocupada e eu acabei chorando sentindo uma tristeza profunda. Ela veio e me abraçou, eu abracei ela forte, parecia que era mentira, parecia um sonho, eu sentia o cheiro do perfume dela enquanto eu controlava o meu choro então eu a abracei mais forte ainda. Então fomos nos soltando e minha ficha foi caindo, meu pai não podia nos ver juntos.