Calypso
Sabia que ele não iria me machucar. Por algum motivo totalmente desconhecido para mim eu confiava naquele homem sorridente a minha frente. Por isto, soltei a mulher que respirou fundo aliviada.
_ Calypso. - ele me chamou ainda com a mão estendida.
Meu coração dizia sim, mas minha cabeça mandava ter cautela. A desconfiança era meu segundo nome quando se trata de pessoas.
Quando finalmente segurei sua mão um prazer imenso inundou meu corpo. Nunca tinha sentido este sentimento em minha vida.
O homem e a mulher trocavam algumas palavras agora enquanto eu o analisava. Ele era mais alto que eu uns quinze centímetros. Os cabelos eram pretos e longo, o rosto de maçãs altas e nariz largo, se harmonizava perfeitamente com a boca generosa e os olhos castanhos. De todos os homens que vi, ele era o que mais se parecia com um humano. O corpo era repleto de músculos muito bem desenvolvidos. Por alguma razão ainda desconhecida eu queria tocá-lo.
_ Posso colocar meu braço sobre seus ombros? - ele me perguntou.
Apenas assenti e o ouvi suspirar.
Quando ele fez isto, meu corpo se encostou ao dele e algo estranho aconteceu. O ouvi grunhir enquanto meu corpo estremecia, mas ele não me largou.
Fui conduzida por corredores até subir por um elevador que levava ao andar de cima. O cheiro daqueles homens estavam nos corredores. Mas acho que eles não queriam me assustar e ficaram nos quartos, mais eu ainda os ouvia conversar.
As janelas não tinham grade e eu podia ver lá fora o dia claro e sentir o cheiro das plantas.
_ Você vai ser muito bem tratada. - começou a dizer ele num sorriso lindo que fazia meu coração disparar - Vou te mostrar tudo.
Gostava do som da voz dele. Era meio rouca e me transmitia muita paz.
Ele abriu uma porta e nós entramos. Uma mulher grande diferente das outras nós esperava.
_ Brisa. - o olhei levantando uma das sobrancelhas ao notar o tom de surpresa na voz dele - O que está fazendo aqui?
_ Rouge não pode vir, então eu vim ajudar. Triana foi buscar comida. Trouxe roupas para ela.
_ Está tudo bem. - Davian olhou para mim passando a mão em meu braço com carinho - Brisa é uma amiga. Ela vai te ajudar a tomar um banho.
Segurei firme a mão dele não querendo me separar.
_ Hei... - ele soltou minha mão e colocou meu rosto entre as suas - Não posso te dar banho. Sou um macho e você e uma fêmea. Somos diferentes! - sorriu me explicando - Mas não vou sair daqui. Estarei te esperando aqui.
_ Venha comigo linda. - me chamou a mulher sorrindo - Só vou ajudá-la.
Relutante eu a acompanhei até uma porta lateral, mas antes de fechá-la olhei novamente para o homem parado no meio do quarto.
_ Estarei aqui. Não vou sair. - garantiu se sentando num sofá.
Apenas assenti antes de fechar a porta.
A mulher me ajudou a me despir e me mostrou os produtos de limpeza e como usá-los. Ela ficou do lado de fora do box que era fume me dando privacidade.
A água quente foi um bálsamo para meu corpo. No meu quarto raramente tomávamos banho de água quente. O sabonete líquido tinha um cheiro delicioso, me fazendo sorrir. Por isto aproveitei ao máximo. Nunca tinha recebido tais mordomias em meu quarto, na verdade cela. Aproveitei também para ver meu corpo. Todas os ferimentos que me lembrava estavam cicatrizadas, ficando apenas finas linhas. Estava muito magra e fora de forma, mas primeiro eu tinha que voltar a falar e me certificar que eu e Az estávamos mesmo seguras.
Lavei bem meus cabelos que estavam muito compridas para meu gosto.
Quando desliguei o chuveiro a mulher me passou duas toalhas grandes e macias por cima do box. Minhas toalhas eram sempre grossas e quase sujas.
Depois me passou várias peças intimas para experimentar.
_ Vê qual cabe em você. Se precisar de ajuda bate no vidro. - instruiu a mulher.
Nunca tinha visto peças tão bonitas em sua vida. O tecido era fino e delicado, também muito cheiroso. Testei e cheirei cada uma delas. Acabei ficando com três conjuntos.
_ Gostou destas? - a mulher me perguntou num sorriso me vendo sair do box e analisando as peças que eu tinha em mãos - As de seda e com rendas delicadas também são minhas preferidas. - sorriu ela lhe piscando o olho.
Apenas assenti, não entendendo o que ela falava.
Ela pegou roupas sobre uma banqueta e me mostrou. Era uma blusa sem mangas, preta e uma calça de moletom na mesma cor. Um par de tênis com meias também estavam a minha espera. Vesti a roupa me achando superconfortável. E o tênis era muito macio. Tudo cheirava a novo!
_ Senta aqui que vou secar seus cabelos e penteá-los. Juro que não vou puxá-los.
Me sentei na cadeira e deixei que ela secasse meus cabelos e penteá-los. A mulher o fazia com o maior cuidado para não me machucar. Nunca ninguém tinha tido este cuidado comigo. Nem quando era pequena.
_ Você é muito bonita! - lhe disse a mulher.
Sorri.
_ Espero que sejamos amigas. Tem muitas mulheres aqui, tanto shifters como humanas. - explicou - Todas loucas para conhecê-la.
Senti medo e apreensão no que me esperava.
_ Mas fique tranquila. Somos muito curiosas, mas não mordemos. - sorriu divertida, percebendo minha apreensão.
Gostei dela.
_ Toma. - me passou uma escova de dente na embalagem e uma pasta - Triana vai examiná-la antes que você coma.
Escovei meus dentes e sai acompanhado pela mulher. Como prometido ele estava lá me esperando junto com a mulher loira.
Os olhos do homem brilharam enquanto sorria e se levantava e vinha ao meu encontro.
_ Você está bem? - ele me perguntou segurando minha mão.
Apenas assenti sorrindo o fazendo suspirar.
_ Senta-se aqui. - me levou até a cama e me ajudou a sentar - Triana vai examiná-la.
A mulher loira se aproximou devagar e mostrava todos os aparelhos que ia usar. Sempre ela pedia permissão quando me tocava ou pedia para fazer alguma coisa.
O homem ao meu lado ficava atento a tudo, enquanto era examinada. Houve um momento que segurei a mão dele, que acolheu a minha carinhosamente.
_ Suas cordas vocais estão inflamadas. - falou a doutora num sorriso - Basta tomar bastante água e usar um spray que vou te dar. Creio que amanhã você poderá falar algumas palavras. Mas não quero que você force a garganta.
_ Vou cuidar dela direitinho. - disse o homem.
_ Eu sei que vai. - a médica sorriu - A faça comer bem. Vou ver os rapazes feridos e como Paola está.
A vi sair e conversar com alguém lá fora. Minha audição continuava perfeita e pude ouvi-la tranquilizar um homem chamado Justus, dizendo que eu estava bem e tranquila.
_ O que você vai querer provar primeiro? Se você esqueceu meu nome e Brisa. - ela sorriu trazendo um carrinho repleto de pratos que os cheiros fizeram meu estômago roncar.
Pulei da cama e fui para perto do carrinho, levantando as tampas e cheirando cada prato. O cheiro era delicioso!
_ Vá em frente. - disse o homem num sorriso abrindo uma lata e me entregando - E suco de laranja. Coma o que você quiser.
Ataquei os pratos e comi com gosto, soltando suspiros de prazer ao provar cada um deles. Tomava o suco de vez enquanto. Comia com as mãos mesmo, lambendo os dedos e gemendo de puro prazer, sentada no chão. Nossa ração sempre era muito pouco, m*l dava para matar nossa fome.
Quando o olhei fiquei presa naquele olhar forte. Havia algo muito bruto e selvagem ali. Senti que era um sentimento muito forte vindo dele. Respirei fundo cheirando o ar sentindo um cheiro forte e totalmente masculino, só que eu não sabia identificar o que era.
Tombei minha cabeça de um lado para o outro o analisando. Quando levei um dedo a boca lambendo o ouvi soltar um rosnado profundo.
_ Hei, se controla. - a mulher bateu no ombro dele quebrando nossa conexão - Prova isto. - a mulher foi até o carrinho e pegou dois pratos menores - Aqui e um pedaço de bolo de chocolate. E este e sorvete de creme.
Comi tudo achando as coisas mais gostosas do mundo todo.
_ Satisfeita? - a mulher me perguntou sorrindo.
Assenti ainda lambendo os dedos.
_ Toma isto para ajudar a descer o resto. - a vi abrir outra latinha de suco e me dar - Quando terminar escova os dentes e se deita. - me pediu amontoando os pratos e depois se virou para o homem continuou - Se controla.
_ Sim. - respondeu o homem.
Me levantei desajeitada e fui para o banheiro me limpar. Quando voltei me sentei na cama e fiquei o olhando.
_ Cansada? - ele me perguntou se aproximando de mim.
Balancei a cabeça em negativa.
_ Assustada? - me olhou me analisando.
Disse que não com a cabeça. Realmente não estava com medo, era totalmente capaz de sair daquele lugar sem sofrer muitos danos. Na verdade, causaria um caos naquele lugar.
_ Lembra do meu nome? - ele me perguntou com os olhos esperançosos.
O olhei por alguns segundos e sorri.
_ Des... - tentei falar, mas minha garganta arranhou, causando dor e uma crise de tosse.
Ele pegou um copo de água e me fez tomar.
_ Não fale. - ele me pediu preocupado.
Concordei balançando a cabeça.
_ Davian. Este é o meu nome. Entendeu?
Apenas sorri.
Olhei atenta o local que me encontrava. O quarto era simples, mas limpo. A cama era confortável e limpa, na verdade tudo era limpo.
_ Quando estiver melhor você deve ficar com Brisa. - ele me disse parecendo frustrado - Como você é uma fêmea deve ficar junto com as outras fêmeas.
Levantei uma sobrancelha e balancei a cabeça negativamente. Não iria se afastar dele. Confiava em Davian. Somente nele.
Fiz um gesto com as mãos, mostrando nós dois juntos.
Foi a vez dele me olhar surpreso.
_ Quer ficar comigo?
Afirmei com a cabeça.
_ Mas eles não vão permitir. Você deve ficar com uma fêmea. Posso ir visitá-la, mas é só.
Irritação se instalou dentro de mim. Se não fosse ficar com ele, não sairia do lado de Az. Fiz novamente o gesto de nós dois juntos.
_ Amanhã vemos isto, está bem? - ele veio até mim e me segurou pelos braços - Quero que fique bem e calma.
Só ficaria bem quando ele me levasse para um lugar seguro. Queria também que Az acordasse logo.
Precisava aprender também a se movimentar naquele novo lugar. Tinha que aprender coisas e analisar o local.
A doutora loira voltou com o spray e aplicou em minha garganta. Odiei o sabor! Fiz caretas os fazendo sorrir.
Ela estava explicando como o medicamento me ajudaria quando a Brisa entrou com aquele homem de terno.
_ Precisamos conversar Calypso. - meu corpo ficou em alerta e tenso, pronto para a luta.
_ Fique calma. - Davian me pediu segurando minha mão - Justus é o líder da OPS. Ele é um macho confiável!
Por enquanto não confiava em ninguém além de Davian.
_ Vim conversar com você sobre sua situação e acomodações. Quando Triana lhe der alta você vai morar com Brisa e as...
Fúria tomou conta de mim ao saltar da cama para o chão. Não pude evitar o grunhido que saiu de minha garganta quando encarei o homem chamado Justus a minha frente.
_ Não. - minha voz saiu horrenda até mesmo para mim. Parecia um animal em agonia - Dav... - minha voz falhou, mas apontei com quem eu queria ficar.
As narinas do homem inflamaram irritado enquanto às mulheres sorriam discretamente.
_ Que p***a é esta Davian. O que você fez? - quase gritou.
Minha reação foi instantânea ao empurrá-lo para fora do quarto. Vi o homem atravessar a porta como se fosse papel e se chocar contra a parede.
As mulheres gritaram assustadas.
_ Calypso. - me chamou Davian assombrado me olhando - O que você fez? - olhou para o homem caído no chão.
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Boaaaaaaaaaa...???...
Adoro uma confusão. E ver uma mulher derrubar um shifter... Uhuuuuuuuuuu... me enlouquece! ??????
Vamos ao barraco do século! ????????????...
O que vai acontecer agora que nossa lindinha confusa atacou o líder da OPS?
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Minhas lindas,
Queria muito ler os comentários de vocês sobre o desenvolvimento da história.
Divirtam-se e me dê seus corações. Loucas para isso!!!
Beijocasssssssssssssssss...