Capítulo 2: O Movimento da Rainha.

1157 Words
Alexsander Narrando: Paris. Evento de Gala. Ela me deixou exatamente como sempre faz: alerta. Um passo atrás e com a mente acelerada como se estivesse diante de um tabuleiro novo. Quando me afastei dela, senti aquele gosto de jogo bem jogado e eu respeito o jogo, talvez mais do que qualquer outra coisa nessa vida. — Você realmente está obcecado. — Julian comentou assim que entramos na sala de reuniões lateral do salão, aquela com as janelas espelhadas e vista para o jardim iluminado. Jogou-se na poltrona de couro e me lançou um daqueles olhares que só um melhor amigo se permite fazer. — Estou focado. — Corrigi, sem perder a calma, caminhei até o bar no canto da sala e servi outro uísque. — Ela é a única concorrente real que temos e ignorar isso seria estupidez. Julian ergueu uma sobrancelha, debochado. — Concorrente ou fascínio pessoal disfarçado de rivalidade? Porque a linha entre esses dois parece cada vez mais tênue. Levei o copo aos lábios, deixando o líquido queimar levemente enquanto pensava na resposta. — Você viu o que ela se tornou, Julian. A Blake & Or era uma empresa mediana há dez anos, tradição e herança, nada além disso e ela… transformou tudo! Reposicionamento, design autoral, campanhas que falam com o público certo e ela entende a linguagem da ambição. Julian cruzou os braços. — E você odeia que ela chegou lá do nada. — Eu não odeio. — Disse, mais duro do que queria. — Mas me incomoda! Porque ela provou que pode quebrar o sistema sem precisar dele, enquanto eu cresci aprendendo a dominar esse sistema com disciplina. Houve silêncio por um momento, um silêncio denso. Sentei-me de frente para ele, deixando a máscara cair só por um segundo. — Quando herdei a Sterling Grayson, achei que conhecia todas as regras, mas ela apareceu e criou outras. Regras que eu não escrevi e agora, tudo o que faço precisa ser mais certeiro, mais rápido! Ela me obriga a ser melhor. Julian me olhou por longos segundos, antes de dizer, com aquele meio sorriso que sempre precede alguma provocação: — Você fala dela como quem descreve um terremoto… Ou uma amante. — Talvez os dois! — Admiti, rindo de canto, com amargura. — Mas é por isso que ela é perigosa. — Vai continuar fingindo que tudo isso é puramente sobre negócios? — Eu sou um CEO, Julian! Não posso me dar ao luxo de perder o foco, nem por ela! Sobretudo por ela. Ele assentiu, sem ironia dessa vez. — Então a guerra continua. Olhei pela janela. No jardim lá fora, vi a silhueta de Sienna caminhando com alguém, forte, reta e impecável. Ela era feita de ferro, mas se movia como seda e, de alguma forma, eu queria quebrar aquela armadura. Entender o que existia por trás da CEO intocável. — Continua… — Murmurei. — Mas talvez… eu esteja cansado de guerras que terminam em destruição, talvez eu esteja curioso para saber o que acontece quando dois impérios colidem e não sobra só ruínas… mas algo novo. Julian inclinou a cabeça. — Isso foi poético demais pra você, Grayson. — Deve ser o uísque! Ou o impacto de uma mulher que sabe exatamente o que está fazendo com a cabeça e o ego dos homens que acham que podem controlá-la. E o pior é que eu não queria controlar Sienna Blake. Queria entendê-la e isso, para mim, era muito mais perigoso. Narrador Narrando: Paris. Evento de Gala. A cúpula de vidro do Salão Imperial refletia os lustres dourados como constelações sobre os ombros vestidos de gala da elite empresarial, a noite tinha cheiro de champagne, ambição e segredos bem guardados Sienna Blake estava deslumbrante, seu vestido era da Maison Marchand, sob medida, pre.to e com um decote elegante nas costas. Os cabelos castanhos estavam presos em um coque moderno, realçando os olhos cor de chocolate que brilhavam com algo além da maquiagem: conquista. Ao seu lado, Isabelle, sua melhor amiga e braço direito, segurava a taça com um sorriso cúmplice. — Você vai matá-los com esse discurso, Sienna. E com esse vestido. — Isabelle murmurou, inclinando-se em seu ouvido. Sienna sorriu com o canto dos lábios, sem desviar os olhos do palco. — Não vim matar, Belle. Vim ser lembrada! O mestre de cerimônias subiu ao palco com entusiasmo contido. — Senhoras e senhores, boa noite! É uma honra entregar o prêmio Mulher do Ano à CEO que redefiniu o mercado de luxo, transformando criatividade em estratégia, e beleza em legado: Sienna Blake, da Blake & Or. Aplausos explodiram. Sienna subiu com passos firmes, cada centímetro sua presença traduzia poder e domínio. Recebeu o troféu de cristal com elegância e se posicionou diante do microfone, por um instante, deixou que o silêncio pairasse, não por nervosismo, mas por controle e cada olhar ali dentro era dela. — Boa noite. — Sua voz era suave, mas preenchia todo o salão. — Receber esse prêmio não é apenas uma honra… é uma confirmação! De que coragem e trabalho duro, mesmo vindos de uma menina de origem simples, podem moldar impérios. — Fez uma breve pausa. O silêncio era reverente. — Quando comecei como estagiária na Blake & Or, muitos achavam que o nome era uma coincidência irônica e talvez fosse. Mas não foi o nome que me trouxe até aqui, foram as noites sem dormir, as ideias que ninguém acreditava até virarem tendência… e a escolha constante de não desistir. Alguns sorrisos discretos se espalharam, outros rostos apenas observavam, atentos e entre eles, Alexsander Grayson, imóvel com uma taça intocada em sua frente e com o maxilar levemente travado. Sienna ergueu o queixo. — E é por isso que, hoje, neste palco, quero dividir não apenas essa conquista pessoal… mas um novo capítulo para a Blake & Or! Tenho o orgulho de anunciar uma parceria inédita com a Angel’s Company, de Dominic Maddox. — Um burburinho percorreu o salão. Flashs dispararam e Alexsander não se moveu, mas sua sobrancelha arqueou levemente. — Juntas, nossas equipes lançarão uma coleção exclusiva de alta joalheria com tecnologia wearable, que será revelada no próximo desfile internacional em Nova Iorque. Beleza e inovação, herança e futuro. É isso que estamos construindo! Mais aplausos. Dessa vez, acompanhados por alguns suspiros, pois ela havia vencido a noite. Sienna sorriu, com controle impecável. — Aos que sempre acreditaram… obrigada! Aos que duvidaram… espero que estejam assistindo… Ainda estamos apenas começando. Desceu do palco com a leveza de quem já havia ganhado, não apenas o prêmio, mas o jogo. Enquanto se misturava aos cumprimentos, os olhos de Sienna se cruzaram brevemente com os de Alexsander do outro lado do salão, notando que ele não aplaudia, apenas observava, um olhar intenso. Avaliando. Mas ela apenas ergueu o queixo, erguendo a taça e brindou no ar, silenciosa. Ela havia feito seu movimento e o mundo inteiro acabara de assistir.
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