Capítulo 1: Começando o Jogo

1747 Words
“Fiz o delineado afiado o bastante para ma.tar um homem, você fez algumas coisas ruins, mas eu sou a pior delas… Às vezes, me pergunto qual vai ser a sua última mentira Dizem que aparências podem matar….” – Taylor Swift, Vigilante s**t; Narrador Narrando: Paris. Evento de Gala. O salão do Hôtel Grand Villeroy, em Paris, era um santuário de opulência. Candelabros de cristal pendiam como constelações no teto abobadado, refletindo em espelhos dourados que ampliavam o luxo, os convidados, envoltos em seda, veludo e arrogância, formavam ilhas de poder e dinheiro. Mas no centro de tudo, como uma estrela que se recusava a orbitar, estava Sienna Blake. Com um vestido de cetim preto que delineava sua figura esguia e cabelos castanhos presos em um coque elegante, ela exalava a essência da mulher que se fez sozinha e seus olhos cor de chocolate, marcados por delineado sutil, observavam o ambiente com um misto de estratégia e tédio elegante. Ao lado dela, a melhor amiga e diretora criativa da empresa, Isabelle Laurent, sorria com um copo de champanhe na mão. — Está contando quantos tentam se aproximar de você por influência e não por educação? — Isabelle provocou com um sorriso, os olhos faiscando de ironia. Sienna riu baixo, sem perder a postura. — Estou tentando decidir quem aqui já copiou um design nosso, a concorrência tem boa memória, mas péssimo gosto. Isabelle ergueu a taça. — À Blake & Or, a marca que eles fingem que não estudam todas as manhãs. Sienna brindou, mas seus olhos estavam distraídos, presos a uma silhueta do outro lado do salão. Alto, impecavelmente vestido em um terno sob medida cinza escuro, o homem conversava com dois investidores conhecidos, mas o sorriso não lhe alcançava os olhos e Sienna sabia: ele também a tinha visto. Alexsander Grayson. O nome soava como uma advertência, o CEO da Sterling Grayson, uma casa de joias clássica, poderosa, tradicional e arrogante. Ela o enfrentava em licitações, em desfiles de luxo e em premiações. Ele sempre fora o adversário mais difícil. O mais inteligente e o mais irritantemente charmoso. — Ele veio. — Isabelle comentou, notando a tensão no olhar da amiga. — Claro que veio! — Sienna respondeu, fria. — Ele nunca perde a chance de medir território e acha que pode me intimidar com aquele olhar claro e postura de imperador romano. — E não pode? Sienna arqueou uma sobrancelha. — Nem um pouco, já enfrentei piores e já fui pior. Ela desviou o olhar e girou a taça em mãos, sentindo o peso simbólico daquele momento. Estar ali, não como convidada, mas como uma das anfitriãs do evento, era um lembrete silencioso de até onde havia chegado e de onde viera. A memória de sua primeira semana como estagiária na Blake & Or ainda era viva. Uma jovem de cabelos soltos, roupas simples e olhos brilhantes, com um caderno de ideias e nenhuma rede de contatos. A coincidência do nome chamara a atenção na entrevista, mas Sienna soube desde o início: não bastava ter o sobrenome na fachada. Teria que gravá-lo no topo. Trabalhou sem descanso. Observava tudo, dos processos criativos à logística e da escolha de materiais às apresentações para investidores. Foi crescendo com ideias ousadas, estratégias inovadoras, designs que uniam tradição com vanguarda e ganhou prêmios internos, depois prêmios da indústria. Assumiu cargos com naturalidade, como quem sobe degraus de uma escada que ela mesma construiu. A presidência veio não por acaso, mas por mérito. O antigo CEO reconheceu nela o tipo raro de líder que combina visão, coragem e fome. Sienna não herdou o trono, ela o conquistou. Agora, cinco anos depois, a Blake & Or era uma das maiores casas de joias da Europa, com presença em Nova York, Tóquio e Milão. E ela, capa de revistas, case de estudos, símbolo de uma nova geração de mulheres no poder. Mas o sucesso não anestesiava sua ambição. — Ele está vindo. — Isabelle alertou, baixinho, sorrindo como quem observa o começo de um duelo elegante. Sienna se virou com tranquilidade, como se não estivesse esperando por isso, mas por dentro, o coração acelerou com uma adrenalina estranhamente bem-vinda e Alexsander se aproximava como um predador em pele de lobo milionário. Cabelos pretos perfeitamente penteados, barba aparada, olhos claros como aço sob gelo e a voz dele, quando falou, era baixa, grave, medida. — Blake! Sempre um prazer encontrar você ofuscando todos nós. Ela ergueu o queixo, mantendo o olhar firme. — Grayson... Achei que estivesse ocupado demais administrando o desastre da última campanha para aparecer por aqui. Ele sorriu, um canto dos lábios se curvando com malícia. — Sempre direta. Ainda não aprendeu a usar luvas de veludo? — Eu prefiro socos bem dados. — Respondeu, seca, e Isabelle sufocou uma risada. Por um momento, houve silêncio. Um campo de tensão entre eles, feito de ferro polido e fogo disfarçado. Sienna sabia que ele representava tudo que ela desafiava: tradição, privilégio, império construído por gerações. E Alexsander sabia que ela era tudo o que não podia controlar: talento bruto, inteligência impiedosa e uma beleza que não pedia permissão para ser notada. — Talvez devêssemos conversar longe dos holofotes. — Ele disse. — Um café, ou um vinho. Podemos fingir que é civilizado. Ela inclinou a cabeça, sorrindo com polidez afiada. — Podemos fingir o que quiser, Grayson. Mas você e eu sabemos: isso é guerra e eu vim para vencer. Alexsander segurou o olhar por um instante mais, como quem grava uma assinatura invisível na memória dela, e depois se afastou. Não sem antes lançar um último olhar por sobre o ombro. Isabelle se virou para a amiga, impressionada. — Você acabou de flertar e declarar guerra na mesma frase. Sienna sorriu, saboreando o poder de estar exatamente onde merecia estar. — Esse é só o começo! Alexsander Grayson apoiou o cotovelo na mesa de mármore, o copo de uísque repousando entre os dedos longos e firmes. Do alto do mezanino do salão principal, observava o mar de convidados com a frieza analítica de quem aprendeu a ler pessoas como quem lê balanços financeiros. No entanto, sua atenção não estava voltada aos investidores nem aos políticos sorridentes demais. Ela estava ali. Sienna Blake. Vestida como um segredo perigoso. Impecável, poderosa e inacessível. — Você está encarando a Blake como quem encara uma aquisição impossível. — Comentou Julian Haynes, seu melhor amigo e diretor jurídico da Sterling Grayson, surgindo ao lado com um sorriso debochado. Alexsander não desviou o olhar. — Porque ela é uma aquisição impossível. Orgulhosa, obstinada e teimosa como uma muralha. — E irresistível como uma maldita tempestade. — Julian completou, tomando um gole de champanhe. — Você gosta disso e gosta de ter um desafio à altura. Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, seus olhos seguiram o leve movimento de Sienna sorrindo para algum investidor, havia algo na maneira como ela ocupava o espaço que o incomodava e fascinava ao mesmo tempo. Ela não era uma CEO comum, era uma mulher que transformava estratégia em arte e poder em presença. Não herdou nada. Construiu tudo. E isso o deixava em alerta. — Ela é perigosa. — Murmurou. — Não pelos motivos óbvios, mas porque sabe exatamente quem é e faz os outros saberem também. — E isso é raro! — Julian admitiu. — Em qualquer sala cheia de milionários. Alexsander girou o copo entre os dedos, lembrando-se do primeiro rumor que ouviu sobre ela, anos atrás: “uma estagiária com ideias revolucionárias e um nome que coincide com a fachada da empresa”. Ele não deu importância, até que, dois anos depois, Sienna Blake não só estava no comando da Blake & Or, como liderava uma reformulação de marca que dobrou o faturamento anual e conquistava prêmios em Paris, Nova York e Genebra. Agora, ela era mais do que uma rival. Era a única adversária que o fazia revisar suas próprias estratégias. — Você vai falar com ela? — Julian perguntou, com o tom casual de quem já conhecia a resposta. Alexsander ergueu o olhar claro, firme como lâmina. — Claro. Uma guerra declarada não se vence à distância. — E se não for só guerra? Ele não respondeu. Não gostava de especulações sobre sentimentos, mas havia algo em Sienna que despertava mais do que rivalidade, talvez fosse o fato de que ela não o bajulava e não recuava. Nunca parecia intimidada por seu nome, sua fortuna ou sua herança e isso mexia com ele mais do que admitia, e fazia parte do motivo pelo qual não conseguia evitá-la. Enquanto descia os degraus rumo ao salão principal, sua mente já revisava as palavras certas, pois ele não era impulsivo, era calculista e sabia quando seduzir, quando provocar, quando recuar para atacar depois. Mas com Sienna, o jogo era outro. Um campo minado onde as armas eram olhares e as batalhas, silenciosas. Aproximou-se com calma, medindo cada passo como um general em território inimigo. — Blake! — Disse ao se aproximar, com um leve sorriso no canto dos lábios. — Sempre um prazer encontrar você ofuscando todos nós. Ela se virou devagar, olhos de chocolate escuros e alertas, como se estivesse pronta para desafiá-lo só por estar ali. — Grayson... Achei que estivesse ocupado demais administrando o desastre da última campanha para aparecer por aqui. Ele reprimiu a risada. O sarcasmo afiado era uma das armas favoritas dela e ele respeitava isso. — Sempre direta. Ainda não aprendeu a usar luvas de veludo? — Eu prefiro socos bem dados. Alexsander inclinou levemente a cabeça, reconhecendo o golpe verbal com respeito. Por um momento, o silêncio entre eles foi mais eloquente do que qualquer diálogo. Ela era linda, sim, mas não era isso que o prendia. Era o fogo, a mente estratégica, a habilidade de fazer tudo parecer fácil quando ele sabia o quanto custava chegar onde ela chegou. — Talvez devêssemos conversar longe dos holofotes. Um café ou um vinho. Podemos fingir que é civilizado. — Podemos fingir o que quiser, Grayson. Mas você e eu sabemos: isso é guerra e eu vim para vencer. E aí estava. A declaração que ele esperava e que, no fundo, desejava ouvir. Porque um inimigo previsível era enfadonho e Sienna era tudo, menos entediante. Ele se afastou, mas não sem antes lançar um último olhar por sobre o ombro. Não precisava dizer mais nada. O jogo tinha começado. E ele adorava jogar com ela.
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