Capítulo 3

520 Words
CAPÍTULO 3 - SOZINHOS — Onde fica meu quarto? Andrei chama uma empregada sem nem olhar pra mim: — Leva ela pro quarto dela. Sigo a mulher. O quarto é lindo, tons de bege e branco, cama enorme, closet gigante e um banheiro com banheira. Tá, ok, isso eu gostei. Batida na porta. — Filha, vem jantar. Jantamos em silêncio. Ele no celular, minha mãe tentando puxar assunto. Eu só queria sumir. No dia seguinte acordo atrasada. O colégio agora é muito mais longe. — Merda! Tô atrasada! Saio correndo do quarto e bato de frente com uma parede. Não, não é parede. É ele. Andrei me segura pela cintura antes de eu cair. A mão dele é enorme, quente. E acontece de novo. Aquele choque. Faíscas de verdade subindo pelo meu braço. Fico imóvel olhando pra aqueles olhos verdes que parecem brilhar por um segundo. — Me desculpa — gaguejo. Ele sorri de canto, com sarcasmo: — Te deixo nervosa, Melissa? Fico vermelha na hora. — Claro que não! Pego uma maçã e saio correndo. — Tô indo, mãe! Na escola, mensagem da minha mãe: "Filha, tive que viajar a trabalho, volto segunda. Vai ficar você e o Andrei na casa. Tentem se dar bem! Beijos" Olho pro celular sem acreditar. Um fim de semana INTEIRO sozinha com ele naquela mansão enorme? Chego em casa no final da tarde e a casa tá estranhamente quieta. — Cadê todo mundo? Vou pra cozinha pegar um suco. Quando me viro: — Ai! Que susto! Andrei tá encostado na geladeira. Sem terno hoje. Só uma camisa branca colada e calça de moletom. Cabelo solto. — Desculpa, não quis te assustar — ele diz, mas não sai da frente. — Para de me chamar de garotinha! Eu tenho 18 anos! — Eu sei — ele ri baixo. — Você me lembra todo dia. Reviro os olhos: — Rá rá rá, engraçadão. Fico ali, sem saber onde enfiar a cara. Ele tá muito perto. Sinto o calor do corpo dele. Meu coração tá batendo muito rápido e eu não sei por quê. Ele chega mais perto. Muito perto. Inala o ar perto do meu pescoço, de olhos fechados. Meu corpo inteiro arrepia. — Você tá com um cheiro diferente hoje, Melissa — a voz dele sai rouca, baixa. Fico paralisada. — Que cheiro? Ele abre os olhos. Os olhos verdes dele estão mais claros, quase amarelos. Ele passa a mão no próprio rosto, como se estivesse se controlando. — Nada. Deve ser perfume novo — ele se afasta de repente e vai pra longe de mim. — Vou trabalhar. Não me espera acordada. Ele sai da cozinha rápido, quase batendo a porta. Fico ali sozinha, com o suco na mão e o coração a mil. Lá fora, no corredor, Andrei encosta a cabeça na parede e rosna baixo, com as mãos fechadas. O lobo dele tá enlouquecendo. O cheiro da companheira humana de 18 anos tá espalhado pela casa inteira. E ele tem um fim de semana inteiro pra se segurar e não cruzar a linha que vai destruir a família da companheira dele.
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