CAPÍTULO 2 - A MANSÃO
Chego em casa e tem uma mala na sala.
— O que está acontecendo?
— Oi pra você também, filha — minha mãe nem olha. — A gente vai se mudar.
— O quê? Pra onde?!
— Pra casa do Andrei, ué — ela fala como se fosse óbvio.
— Nem a p*u! Eu não vou!
— Ah, então fica aqui sozinha! A casa já está vendida!
— Então eu fico! — grito.
— Garota, para de ser mimada e vai arrumar suas coisas! Você tem 18 anos mas ainda mora debaixo do meu teto, então quem manda sou eu! Acabou, Melissa Mirror!
Ela só fala meu nome completo quando tá muito p**a. Então não discuto. Subo e arrumo minha mochila chorando de raiva.
CHEGANDO NA MANSÃO
Quando o carro para no portão, minha boca cai.
Puta merda, isso não é uma casa. É um castelo.
Muro alto, portão de ferro, um jardim enorme na frente. Na porta, uns três empregados uniformizados esperando.
— Olha a boca, menina! — minha mãe me cutuca.
— Tá...
Dentro é pior. Chão de mármore, sala gigante, tudo rústico mas chique. Cheiro de dinheiro.
E no meio da sala, ele.
Andrei Santana. De calça social preta e camisa branca com as mangas dobradas, mostrando os braços musculosos. Ele abraça minha mãe e depois levanta os olhos pra mim.
Ele me olha dos pés à cabeça. E eu juro que os olhos verdes dele brilham por um segundo. Só um segundo. Deve ser reflexo da luz.
Ele dá aquele sorrisinho diabólico de sempre.
E de repente eu fico sem ar.
Meu corpo inteiro estremece. Um calor esquisito sobe pela minha nuca, minha pele arrepia. Meu coração dispara sem motivo.
Ele lambe os lábios devagar e fecha a mão com força, como se estivesse se segurando.
— Bem-vinda à sua nova casa, Melissa — a voz dele sai mais rouca que o normal.
Eu tento me recompor, mas minhas pernas estão bambas.
Que diabos tá acontecendo comigo? Por que eu tô reagindo assim ao... ao marido da minha mãe?
— Credo! — balanço a cabeça e corro pro quarto que a empregada me mostra.
Tranco a porta e encosto nela, tentando respirar.
Lá embaixo, na sala, Andrei ainda está parado no mesmo lugar, com as mãos fechadas e os olhos fechados com força.
O que a Melissa humana não sabe é que hoje é lua cheia. E que o cheiro que acabou de invadir a mansão inteira é o cheiro da companheira destinada dele.
E que a companheira dele tem 18 anos, é humana, odeia ele e agora mora no quarto ao lado do dele.