Levantar da cama parecia um sacrifício naquele dia, mas era algo que eu precisava fazer. Me sentei na cama, e fiquei um tempo olhando para o nada e sentindo o meu rosto inchado, a garganta seca e os olhos pesados. Criei coragem e levantei indo diretamente para o banheiro que havia no meu quarto, lavei o meu rosto na pia, e após escovar os dentes, eu entrei debaixo da água quente que caia do chuveiro, enquanto a água caia, eu me olhava através do pequeno espelho que havia dentro do box. A imagem refletida, nem de longe combinava comigo, as manchas arroxeadas debaixo dos olhos, o desanimo visível, tudo estava terrível, eu tentava me lembrar de não me deixar a****r, mas era mais difícil do que eu imaginava.
— Anny, você vai se atrasar. — voltei para a realidade, quando ouvi a voz da minha mãe soar atrás da porta que dava acesso ao banheiro.
Sai do box, me enxuguei e sai dali, indo diretamente para o closet, onde coloquei uma calça jeans e a blusa de uniforme da escola, calcei o meu tênis, fui andando até a penteadeira, peguei uma escova, e coloquei o meu cabelo preso em um r**o de cavalo, nem me dei o trabalho de fazer uma maquiagem, sem ânimo até mesmo para isso.
— Filha... — ouvi a voz da minha mãe, que soou cautelosa, eu não a tinha visto ali, pensei que ela havia saído do meu quarto assim que ela me chamou, avisando que eu iria me atrasar.
— Oi, mãe. — falei e a minha voz saiu um pouco rouca. — Não vi a senhora aí. — completei enquanto ia pegar a minha mochila.
— Você está bem? — perguntou enquanto me olhava.
— Sim, por quê? — perguntei enquanto olhava na mochila se o trabalho que fizemos estava ali, e para fugir do olhar avaliador da minha mãe.
— Tudo bem, eu estou vendo que você não está bem, mas eu não vou me envolver já que você não quer me falar, mas saiba que quando se sentir confortável eu estarei aqui para te ouvir. — falou e os meus olhos se encheram de lágrimas não derramadas.
— Obrigada. — foi a única coisa que saiu dos meus lábios.
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— Anny, o que você acha? — ouvi a voz da Camilla como se ela estivesse longe, mas, na verdade, ela estava ao meu lado, a minha cabeça que estava longe de prestar a atenção bo que ela dizia.
— Desculpa, eu não prestei atenção. — confessei, olhando para ela com um olhar de desculpa.
— Anny, você precisa superar isso… — Camilla começou a falar, falar e falar, mas eu já estava cansada de ouvir sempre a mesma coisa, mas ninguém conseguiria me entender, se não passando pela mesma situação do que eu.
— Camilla, eu sei que você quer me ajudar e tal, mas para, eu não aguento mais ouvir você falar que eu tenho que superar, esquecer e seguir em frente, mas, acredito que você não sabe que não é assim tão fácil, já que se a gente pudesse controlar o que sente, eu nunca me colocaria nessa situação de m***a, então só, por favor, me dá um tempo. — falei tudo o que estava agarrado na minha garganta, enquanto olhava para ela.
— Nossa, eu, ér... — ela gaguejou e eu só olhei para ela.
— Eu não quis ser grossa, é só que não dá para, simplesmente, fingir que eu não sinto nada. — expliquei enquanto olhava para ela.
— Não, você está certa. — suspirou e me olhou, segurando a minha mão. — Eu só não queria que você sofresse.
— Eu sei e sou eternamente grata por ter você nesse momento, só que eu preciso digerir, e aceitar toda essa situação, fingir que nada está acontecendo, pode ser até pior. — falei com calma.
— Você tem razão. - falou e suspirou.
— Quando é que eu não tenho? — perguntei brincando para tentar mudar o clima estranho que se instalou entre a gente.
Depois disso, a gente até tentou conversar sobre outras coisas, mas eu só queria ficar quietinha no meu canto, e Camilla percebendo isso, ficou quieta vendo storie no seu celular.
— E o Augusto? — perguntou de repente.
— Na verdade, eu não sei, fiquei longe do meu celular. — falei dando de ombros.
— E vocês não marcaram de sair esse fim de semana? — perguntou me olhando.
— Eu vou desmarcar. — falei. — Vou fazer isso agora. — falei pegando o celular que estava no meu bolso.
— NÃO! — falou alto, chamando a atenção de algumas pessoas que estavam ao redor da gente.
— Não precisa gritar, Camilla. — resmunguei. — E, por que eu não posso desmarcar com ele? — questionei.
— Anny, sai com ele, tente se distrair, se divirta um pouco. — falou, implorou, na verdade.
— Estou sem ânimo para isso. — respondi, como se fosse óbvio.
— Mas vai encontrar esse ânimo e vai. — falou brava. — Por favor.
— Não sei, não. — falei olhando ao redor.
— Você que sabe. — falou com um tom de desinteresse. — O que será que é melhor: ficar em casa com dor de cotovelo ou sair com um bonitão? — questionou, retoricamente, me fazendo sorrir.
— Você não existe! — exclamei, ainda sorrindo.
— Eu existo sim! — falou satisfeita. — Agora, já víamos começar a procurar uma roupa bem bonita para você poder sair com ele, você sabe que vai e nem tente negar. — falou e eu concordei.
Provavelmente será bom sair com o Augusto, ele conseguia me fazer sorrir, o que já era um avanço, já que o meu humor não estava o dos melhores.
— Acredito que eu já até saiba qual roupa eu vou usar. — falei e sorri vendo a minha amiga bater palminhas, e dar gritinhos animados.
— Isso! — falou animada. — Assim que eu gosto de ver você.
— Obrigada por estar do meu lado! — agradeci e logo o sinal bateu, indicando que o intervalo tinha acabado e que deveríamos subir para a próxima aula.
— Sabe que não precisa agradecer por isso. — falou e se levantou. — Agora vamos. — chamou-me e subimos para a nossa sala.