Depois que sair da casa dos meus pais, eu não tinha muito que pensar. Tinha que achar essa garota e trazer de volta para as meninas. Minha boca dói um pouco, mas não estou com raiva de Maurício, pois sei que se tivesse no lugar dele eu faria o mesmo para defender a minha esposa, porém ele tinha que acreditar em mim. Eu não estou ficando louco e nem estou zombando dos sentimentos das minhas cunhadas.
Ouço meu celular tocar assim que chego em casa. É minha mãe, mas eu não estou afim de falar com ninguém agora. Preciso descansar, pois amanhã quero ver se Pierre tem alguma notícia dela.
Tiro minhas roupas e me deito. Espero ter uma noite tranquila. Vou me empenhar até descobrir o que houve de verdade com a garota.
- Não precisa se preocupar. Eu vou te ajudar. Falo querendo que ela ouça. Durmo pensando nela.
Acordo com um clarão em meu quarto. Esfrego meus olhos, tentando acostumar com à claridade. Abro meus olhos e penso que minha noite foi tranquila. Não tive sonhos nenhum. Pego meu celular e vejo que passa das nove. Eu realmente precisava dormir. Meu corpo pedia isso. Me levanto e ligo para o consultório do Dr Daniel. Eu pensei em nunca mais procurá-lo, mas agora se faz necessário. Ele pode me dar algumas respostas sobre esses sonhos com lugares estranhos. Peço a secretaria para agendar um horário para hoje, e a mesma diz que não tem, mas digo que é para Renato Villaça, e ela rapidamente o faz. O muito bom ser eu, ter o sobrenome Villaça é ótimo. Marca para o fim da tarde e eu não me importo, já que eu tenho muito trabalho hoje. Espero que Pierre também me traga resultados.
Tomo um banho e me arrumo para mais um dia de trabalho. Desço e como sempre Vera está na cozinha preparando o café da manhã e cuidando dos afazeres da cozinha. Dou bom dia, e ela me responde também com um bom dia e um sorriso. Ela me diz que eu pareço melhor. Falo que estou bem hoje, e bem disposto. Realmente minha noite foi muito tranquila, e tive o famoso sonho dos justos. Tomo meu café com ovos e bacon e um suco de laranja. Acabo e volto para meu quarto para escovar os dentes.
Na empresa me concentro nas reuniões. Fechei um contrato com uma empresa de New York e assim eu terei que viajar para lá no mais tardar na semana que vem. Minha mãe e meu pai me ligaram praticamente o dia todo, porém eu não quis falar com eles. Eu sei que eles vão querer saber se eu estou bem, e sinceramente hoje eu estou ótimo. E ainda tem à situação com meus irmãos. Meus pais vão querer que a gente resolva nossa situação e para falar a verdade eu não quero conversar com eles e nem ninguém agora. Eu preciso e quero tempo.
Já estou no consultório do Dr Daniel. A secretária pede para entrar na sala e assim faço. Entrei e o Dr está em sua cadeira olhando alguns papéis. Ele me olha e dar um meio sorriso.
- Que bom que o Sr voltou. Estava preocupado com você. O Dr fala se levantando. Ele estende uma da suas mãos e me cumprimenta.
- Como vai, Dr Daniel? Peço.
- Vou bem e você?
- Estou indo.
- Mas sonhos com a garota?
- Também. Mas eu já sei quem ela é. Falei e ele me olha surpreso.
- Que bom, então você achou ela?
- Ainda não. Mas ela é a irmã das minhas cunhadas. Só não sei o que houve com ela, já que minhas cunhadas disseram que a irmã está morta. Porém de acordo com o Dr. mortos não aparecem pra gente, então ela realmente está viva e correndo perigo. Só não sei onde, como.
- Teve mais algum sonho revelador com ela? Indaga cruzando suas pernas.
- Os mesmos de sempre. Ela me mostrou uma casa em um bairro menos rico, porém as casas são todas padrão, e eu não conseguir verificar nada. Meu assessor de segurança fez uma pesquisa, e também não encontrou nada de anormal. Suspiro. Ele continua me olhando sem dizer nada. Porém meus sonhos não param por aí.
- Não? O que mais tem? Ele pede intrigado.
- Estou tendo sonhos com um prostíbulo, com mulheres dançando. Um beco, onde há mulher gritando. Eu tenho esse sonhos a vários dias. Nunca fui em nenhum lugar assim. Não gosto. Falo ele sorriu para mim.
- Você não acha que pode ter à ver com essa garota? Ele pede eu me levanto. Será que à irmã das meninas virou prostituta? Não é possível. Lembro das palavras dos meus irmãos, dizendo que ela era uma garota aventureira, mas para fazer isso, tem que ser louca mesmo.
- Eu não sei Dr. Eu ainda estou tentando descobrir. Digo ainda pensativo com isso.
- O que você pensa em fazer?
- Já pedi a Pierre para verificar o que houve com ela. Estou esperando notícias.
Minha sessão com o Dr Daniel dura meia hora. Eu não sei o que ele diz tem muito à ver, mas eu fiquei pensativo com isso. Não dei de as meninas tinham muito dinheiro para sobreviver, mas não acredito que ela entraria nessa. Não pode ser. Meus pensamentos estavam a mil com essa possibilidade.
Já havia se passado uma semana e Pierre estava me trazendo notícias ainda picadas. Mas já sei que ela não morreu, o corpo enterrado pelas irmãs foi de uma prostituta parecida com ela. Isso já dá à ideia do que Dr falou. Talvez ela realmente começou a se prostituir, mas ainda tenho dúvidas, pois à mesma estava em Londres, trabalhando em um café de garçonete. As pessoas entrevistadas por Pierre e seu pessoal, disseram que ela sempre foi alegre, bem animada, e que gostava de trabalhar no café. Disse que ela sempre falava das irmãs com carinho, mas que ela sumiu um dia e ninguém sabe o que houve com ela, pois a mesma não apareceu nem para buscar seu acerto. Estava realmente intrigado com isso. Como uma pessoa some assim do nada?
Alguém bate na porta do meu escritório. Peço para entrar. Vera aparece dizendo que Maurício está subindo. Bufo, pois tem uma semana que estou evitando contato com meus irmãos. Até mesmo com meus pais, mesmo sabendo que eles não tem culpa de nada, mas eu não quero ser julgado, ou acusado de ser louco por nem um deles. Vera sai sem dizer nada e eu fico esperando Mauricio chegar ao meu escritório. Só espero que ele não venha me acusar de nada, não estou para ouvir nada hoje. Ouço uma batida na porta, e meu irmão aparece com à cabeça adentrando o escritório. Ele me olha e eu fico esperando o mesmo dizer o que veio fazer aqui.
- Como você está? Ele pede sem jeito.
- Bem. Ele suspira.
- Renato, sempre fomos amigos antes de irmãos. Não gosto de ficar nesse clima com você. Eu não quero que a gente fique sem de falar e ainda mais do jeito que estamos.
- Eu não estou com raiva de você, Maurício. Mas também não estou afim de conversar. Falo e ele me olha assustado.
- Me entende. Eu só fiz aquilo para defender as meninas. Você não sabe o que elas sofreram e ainda sofrem pela morte da irmã. Ele fala e eu olho para o relatório em minha mesa.
- Uma irmã que não está morta. Falo e ele revira os olhos.
- Renato, parar. Isso não é brincadeira. As meninas enterraram o corpo, e nem souberam o que houve com ela.
- Como ela supostamente morreu? Peço.
- Não sei, como disse antes, Cláudia e Sarah não gostam de falar desse assunto. Só sei que ela viajou para Londres e sempre escrevia para as meninas, e do nada parou de escrever. Ela trabalhava em um café em Londres. Quando ela parou de escrever as meninas foi até o consulado para saber notícias, registrou o sumiço. Foram no café em Londres e ninguém sabia o que havia acontecido. Ficaram dias até meses procurando e nada até receber à notícia de que havia um corpo no IML em Londres que batia com as características da irmã. Elas foram logo e identificaram.
- Elas fizeram exame de DNA para comprovar?
- Elas não precisaram já que as coisas de Dayane estavam com essa garota. Os documentos e passaporte estava com o corpo. Levaram o corpo para Rússia, e o enterraram. Entendi porque é difícil falar desse assunto? Elas ainda sofrem com isso.
- Eu não entendo porque não fizeram o DNA, mas isso não importa. Sua cunhada está viva e em algum lugar. Falo e Maurício se levanta meio irritado.
- Renato, por favor. Não vamos brigar por isso, vamos deixar isso de lado. Não vamos… Antes que ele fale mais, eu jogo a pasta em cima da mesa
- Veja. Ele me olha e volta para a mesa.
Ele começa a olhar o relatório de Pierre e faz uma cara de surpresa. Ele levanta e começa a ler o relatório andando. Passa uma das mãos na cabeça. Me olha em choque.
- Como você conseguiu isso? Isso não é possível. Me diz que isso não é verdade.
- É verdade sim. Claro que Pierre não acabou sua busca, mas pelo menos já sabemos que o corpo que está enterrado na Rússia não é dela.
- Eu não acredito Renato. Se ela estiver viva mesmo, as meninas vão ficar muito feliz.
- Eu prefiro que você não fale nada desse relatório para elas ainda. Vamos buscar mais pistas, e confirmar que ela está viva mesmo. Falo me levantando.
- O que você pensa em fazer agora? Ele pede se sentando ainda olhando para o relatório
- Estou esperando Pierre me trazer mais notícias. Ele ainda está em Londres pesquisando e se tudo dê certo, vamos encontrá-la.
- Me desculpa por te bater, por te chamar de louco, mas naquele momento eu não pensei que isso poderia ser verdade.
- O Dr me disse que ela pode não ter aparecido para vocês porque pensam que ela está morta.
- Eu quero te ajudar a encontrá-la. Vamos a Londres procurar junto com a sua equipe de segurança. Ele fala e não é má ideia.
- Estou indo à New York amanhã em uma reunião de negócio. Depois podemos ir para Londres. Mas e Cláudia, o que você vai dizer a ela?
- Não vou contar que estou indo para Londres. Digo que terei que resolver um assunto pendente na Rússia. Mas eu quero também saber dessa história. Nem que a gente confirme mesmo que ela está morta, mas que agora seja verdade, e que tenho o corpo dela. Eu vou arrumar tudo para ir. Mauricio diz com esperança na voz.
- E Maycon? Peço, porque não acho certo deixar Maycon no escuro. Nunca fui de compartilhar um coisa com um deles e deixar o outro fora.
- Eu conto para ele. Na verdade ele queria vir, mas Sarah não está bem hoje. Então ele achou melhor ficar com ela.
- O que ela tem? Questiono preocupado.
- Nada demais. Só estresse do casamento. Meu dia sorrindo.
- Que bom. Vou deixar o avião pronto. Passa seu passaporte amanhã para Pierre. Ele vai arrumar tudo pra gente.
- Farei isso. Agora vem cá. Não gosto de ficar brigado com meu irmão. Nós três sempre fomos bem unidos, e não há nada que vai fazer essa união desmoronar.
- Eu sei. Só fiquei chateado por vocês não acreditarem em mim, mas é considerável à reação de vocês. Ele me abraça.
- Eu te amo meu irmão.
- Eu também seu chato. Última pergunta. Ela precisava se prostituir? Ele me olha sem entender.
- Não. Dayane tem dinheiro deixado pelos pais dela quando morreram. Não é muito, mas as três tinham uma conta com dinheiro o suficiente para poder concluir seus estudos e comprar um apto e carro. Nenhuma delas precisavam disso. Porém Dayane não queria mexer nesse dinheiro até decidir o que queria da vida, por isso que ela trabalhava no café em Londres. Era mais para se manter. Você acha que ela estava se prostituindo?
- Não sei. Mas meus sonhos mostram sempre um prostíbulo.
- Eu não acredito que ela entraria nessa vida. Pelo que as meninas nos contaram minha cunhada era doidinha, mas não era para tanto. Não vejo porque ela entraria nesse mundo.
- Vamos esperar mais informações de Pierre. Não vamos tirar conclusões.
- Você está certo. Agora deixa eu ir. Deixei Cláudia sozinha.
- Vai lá. Mando um beijo para ela. Falo e ele me dá outro abraço.
Nos despedimos e eu ainda fiquei olhando aquele relatório de Pierre. Esperava encontrá-la, e não morta, porque tenho certeza que ela não está.