CAPÍTULO 5

2080 Words
Um mês que não durmo direito. Há um mês que a secretária do Dr Daniel está me ligando, eu não respondo. A garota sumiu dos meus sonhos, desde o dia que estava com Isabelle, mas em compensação não paro de sonhar com coisas e lugares estranhos. Uma casa de prostituição, uma garota que não parar de gritar em um beco, uma casa. São coisas estranhas para mim, são coisas que não fazem sentido algum, ainda mais sonhar com as mesmas coisas dia após dia.  Me sinto cansado, extremamente cansado. Queria poder apagar essas coisas da minha mente. Queria poder ter um dia só meu para que eu pudesse fazer o que quiser. Mas não, estou perdido em sonhos, estou perdido sem achar algo certo para tudo isso que estou vivendo.  Pierre havia feito o relatório para mim das casas e dos moradores das mesmas no bairro de William, e eu olhei cada relatório e não encontrei nada demais. A não ser o fato do fotógrafo dos meus sonhos morar no mesmo bairro. Fernando Monteiro, esse é  o nome dele, mas também não tinha nada demais. Ele é fotógrafo de modelos, procura talentos para uma empresa em Londres. Então não achei nada nesse relatório. Parei de me importar com isso. A garota também havia sumido, com certeza foi encontrada, e espero que esteja bem com a sua família.  Eu estou um caco de homem. Essas noites sem dormir estão acabando comigo, pois por mais que a garota parou de aparecer para mim,  esses sonhos com lugares estranhos e desconhecidos por mim ainda me deixava em alerta.  Desde Isabelle meus encontros amorosos são zeros. Fiquei com receio que à garota aparecesse para mim de novo em um momento íntimo e eu agisse novamente como um i****a, então tratei de me resignar. Deve ter feito algo muito r**m na vida para não merecer encontrar alguém que me ame e que eu ame também. Afundo a minha cabeça no trabalho para não ficar melancólico com a minha vida. Francielle me interfona me dizendo que minha mãe está querendo falar comigo. Peço a ela para deixar minha mãe entrar. Me levanto para recebê-la. Dona Márcia entra com seu sorriso estampado no rosto. Ela está elegante em seu vestido preto até os joelhos com seus cabelos soltos até o ombro e um salto preto.  - Como vai, querido? Ela pede, chegando até mim e me dando dois beijos no rosto.  - Vou bem mãe. E à senhora? O papai? Indago.  - Estamos bem, só preocupados com você. Ela fala e eu me sento e respiro fundo. Vejo ela se sentar também.  - Não precisam se preocupar. Eu estou bem. Digo, mas nem eu acredito nisso.  - Estou vendo que continuar não dormindo. Você não tem ido às sessões com o psiquiatra porque?  - Me diz porque eu teria que ir mãe? Ele não me ajudou em nada da primeira vez, e outra à garota sumiu dos meus sonhos e visões.  - Sério? Então porque você está esse bagaço, parecendo que não dorme a dias? Fico olhando para ela, e Dona Márcia me conhece muito bem, sempre soube ler cada um dos seus filhos. Escuta, eu estou aqui para te ajudar meu amor. Quero que você se abra. E se você está se sentindo sozinho, você pode ir lá para casa.  - Eu sei que posso, mãe. Mas estou bem. Só estou tendo uns sonhos estranhos com lugares estranhos e desconhecidos por mim.  - Não seria bom partilhar isso com Daniel?  - Não. Eu não quero ir mais nele ou a qualquer outro médico. Eu só preciso deixar toda essa Merda de lado e voltar à minha vida.  - Você acha que consegue? Ela fica me olhando, talvez duvidando que eu consiga sair disso sozinho. Afinal de contas são coisas que fogem ao meu controle, e nem sei de onde surgiu tantos sonhos.  - Eu não sei, mãe, mas tentarei.  - Não tente sozinho. Estamos aqui para você meu amor. Ela fala e vem me abraçar. Retribuo com gosto, pois sinto tanta falta dela às vezes. Gostava quando era criança, pois era sempre o colo dela que ia buscar. - Eu te amo muito mamãe.  - Eu também. E por isso que estou preocupada com você. Seus irmãos disseram que você tem que arrumar alguém para partilhar vida, e eu concordo. Você não pode querer continuar sozinho. - É complicado mãe. É difícil quando você não encontra alguém para dividir a vida. E não é por falta de querer, pois eu quero, mas ainda não encontrei alguém que me desperte esse sentimento. Falei e logo os olhos azuis sem vida vem a minha mente. Eu não posso estar pensando nela, quando nem mesmo a conheço, nem sei se existe.  - Mas vai aparecer alguém que desperte o sentimento único em você. Não tenho tanta certeza disso, mas vamos esperar. Vou fazer um jantar lá em casa hoje. Quero você lá, junto com seus irmãos. - Estarei lá mamãe. Falo sorrindo. - Ótimo. Vou te esperar. E pense bem em voltar às sessões com Daniel. Ela me dá dois beijos e me abraça em despedida.  Não penso em voltar às consultas. Mesmo eu não sabendo lidar com esses sonhos, eu não quero ficar falando dos sonhos e não ter um diagnóstico certo sobre eles. Eu não preciso de uma interpretação dos meus sonhos, eu preciso entender o motivo de sonhar com eles, e ainda com tanta frequência. Volto ao meu trabalho, pois ainda tenho muitas coisas para fazer antes de ir embora.  Me arrumo para casa dos meus pais. Coloco uma calça jeans escura e uma camisa pólo azul escura. Calço meus tênis, bagunço os cabelos com as mãos e estou pronto. Desço para garagem e pego um dos meus carros esportivos.  Chego na casa dos meus pais e todos já estão ali em uma conversa animada sobre o casamento de Maycon e Sarah que se aproxima. Eles decidiram fazer o casamento na casa dos meus pais mesmo. Não terá muitos convidados por parte de Sarah, a não ser algumas amigas que estariam chegando da Rússia. Sarah disse que teria que escolher uma dessas amigas para ser a madrinha que faria par comigo. Mauricio e Cláudia já estavam certos, então só cabia a ela achar um par para mim.  - E vocês já têm o destino de lua de mel? Questiono para saber se eu posso dar isso de presente a eles.  - Ainda não decidimos cunhadinho. Sarah diz alegre e ao mesmo tempo com um olhar triste. Fico imaginando que ela esperava que sua outra irmã estivesse aqui para ser a madrinha e também pudesse compartilhar essa alegria com ela.  - Decidem, quando estiver o destino me falem que darei isso de presente a vocês. Falo e Sarah sorri à toa.  - Sério? Vamos passar um mês fora, Renato. Como Sarah ainda não arrumou nada aqui em sua área, eu e ela vamos ficar um mês fora.  - Não vejo problema nisso. Se quiserem podem pegar o avião para levá-los e buscá-los. Só não vou deixar a disposição de vocês porque posso precisar dele para alguma viagem de negócio.   - Você é o cara. Vamos escolher e te falamos. Maycon fala pegando na mão de Sarah e beijando.  O jantar fica pronto e todos nós vamos para a mesa. O casamento do meu irmão ainda é o assunto, já que papai e mamãe estão eufóricos com mais um filho casado, e eu sei que as cobranças virão para mim quando esse casamento se concretizar. Bufo e começo a comer. Papai e mamãe vão dar uma casa para eles, assim como deram para Maurício e Cláudia  quando chegaram aqui. Não que meus irmãos precisassem, porque somos os irmãos mais ricos e bem sucedidos da cidade, então não precisavam de presentes e nem nada, mas nossa família tem esse costume de presentear. Saio dos meus pensamentos quando escuto o papai me questionar sobre a empresa. Quando iria abrir a minha boca, vejo a garota morena com seus olhos azuis triste e chorando. Ela está atrás da cadeira de Sarah. Fico parado, olhando para ela. Ela anda até Cláudia e depois volta para Sarah. Droga. Ela é a irmã delas?  - Eu quero ver uma foto da irmã de vocês. Falo olhando para Sarah e depois para Cláudia.  - Renato. Conversamos já sobre isso. Maycon fala meio irritado  - Não, não conversamos. Vocês não querem contar o que houve. Digo e continuo olhando para a garota que não para de chorar.  - O que você tem filho?  Papai pede.  - Me mostra Cláudia. Eu preciso ver uma foto da sua irmã. Insisto me levantando.  - Não. Renato, você não vê que as meninas sofrem com esse assunto? Então parar. Maurício pede se levantando também.  - Ela pode não está morta. Indago de uma vez. E Sarah começa a chorar.  - Você ficou louco cara? Mauricio pede irritado. Olha o que você está fazendo? Que parte desse assunto que você não entendeu que é complicado para as meninas falarem? Ele grita.  - Calma filho. Seu irmão não tem passado bem esses dias. Mamãe fala vindo para meu lado.   - Sua irmã é uma garota morena de cabelos longos com de mogno, olhos azuis como mar? Sua pele é branca?  - Parou Renato. Chega. Maycon grita também e se levanta.  - Como você sabe disso? Cláudia pede chorando.  - Ela está me pedindo socorro todos os dias em meu sonho. Eu tenho visões com ela. Sonhos com lugares estranhos. Estou nervoso. Então o médico tinha razão de me dizer que podia ser alguém da minha família ou próxima.  - Não diga mais nada. Eu não quero ouvir mais nada. Sarah se levanta e vai para a sala.  - Você estragou nosso jantar. Maycon passa por mim revoltado. A garota morena some indo para a cozinha.  - Meu filho está bem? Papai pede.  - Sim. Mas tenho certeza que essa garota não está morta. A irmã de vocês não está morta.    - Cala a p***a da boca. Mauricio grita mais irritado ainda.  - Mauricio fique calmo. Mamãe pede e ele me olha com raiva.  - Calma, nada mãe. Cansei de dizer a Renato que esse assunto era delicado. Que as meninas ainda sofriam com isso, mas parece que ele não está nem aí para os sentimentos dos outros. Meu irmão diz e eu não me sinto bem com o que ele fala. Eu sou um cara totalmente sentimental e ligo para os sentimentos dos outros e agora estou sendo acusado de não dar a mínima para que minhas cunhadas sentem.  - Eu só quero ajudar. E sei que esse assunto não é um dos melhores para se conversar, mas eu vejo essa garota há meses em meu sonho, e parece que ela está viva e quer ajuda.  - Já chega. Mãe, pai, estamos indo embora. E Renato, quando estiver melhor conversamos como pessoas normais, porque nesse momento você está parecendo louco. Mauricio fala e vai para sala em busca de Cláudia.  - Eu sinto muito. Falei e todos me olharam. Me perdoe Sarah e Cláudia. Eu não queria deixá-las m*l. Elas me olham chorando. - Vamos embora. Mauricio pede e Cláudia se levanta. Ela pega o celular e me mostra a foto da irmã.  - Merda. Digo. Ela é a garota dos meus sonhos. Meninas ela não está morta. Falo e sinto um soco em meu rosto.  - Vai à Merda com isso Renato. p***a, será que você não entendeu ainda?  Elas estão custando a deixar essa ferida cicatrizar e você ainda quer mexer na ferida? Mauricio fala irritado após me dar um soco.  - Maurício você ficou louco? Papai pede.  - Não. Seu filho caçula ficou louco e perdeu totalmente o juízo e ainda, a falta de senso. Mauricio diz. Passo uma das mãos em meu rosto e sinto sangue sair da minha boca.  - Eu vou embora. Digo.  - Não filho, fica. Deixa eu ver esse machucado. Mamãe pede.  - Não precisa mãe. Não quero estragar mais à noite de vocês. Boa noite e mais uma vez desculpa meninas. Não espero ninguém dizer mais nada. Vou embora para casa. Eu não estou louco e vou provar para cada um aqui que não estou louco. Ligo para Pierre. Peço à ele para investigar sobre a irmã de Cláudia e Sarah esposa dos meus irmãos. Eu vou descobrir o que houve, e ainda provar que ela está viva. Agora vou até o final. 
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