Já na casa dos meus pais a família estava toda reunida me esperando. Assim que passei pela porta da sala ouvi as vozes.
- Olá gente! Como vai a família? Peço cumprimentando um por um.
- Nossa Renato, quanto tempo? Estava com saudades de você mano. Mauricio diz com seu jeito todo despojado.
- Eu também. Maycon fala também ao me abraçar.
- Mas agora não vamos mais ficar com essa saudade, pois vocês vieram para ficar, né? Indago dando dois beijos em Cláudia e depois em Sarah. Minhas cunhadas.
- É, já cuidamos de tudo para a transferência da nossa empresa ser alocada no Rio de Janeiro. Não dava mais para ficar afastado da família. Maycon diz.
- Que bom, qualquer coisa que precisarem estarei aqui para vocês. Digo abraçando a mamãe
- E parece que não tem dormindo né meu filho? Papai pede e eu não estou tendo sossego com meus sonhos.
- Estou andando tendo sonhos estranhos que não me deixam dormir. Digo olhando para o nada.
- Que tipos de sonhos? Mamãe pede. Já vi que terei que me explicar para a Dra Márcia.
- Não quero falar sobre isso mamãe. Hoje é dia da gente comemorar a volta dos meus irmãos e cunhadas. Digo sorrindo para ambos.
- Tudo bem, depois a gente conversa. Ela fala e sei que não vou ter escapatória.
O jantar ficou pronto e fomos todos para a mesa. Meus pais estavam bem felizes e animados por terem seus filhos ali, contando com as duas noras. Cláudia e Sarah eram irmãs e meus pais gostavam demais delas, as viam como filhas.
- Então Maycon e Sarah, quando é o casamento? Questiono para me preparar.
- Vamos dar entrada com os papéis essa semana ainda. E acredito que no máximo três meses já vamos estar casados. Maycon fala pegando a mão de Sarah e beijando.
- Já sabe que você será um dos padrinhos, né cunhado? Sarah pede olhando para mim e eu sorri.
- Obrigado pelo convite. Agradeço retribuindo o carinho que ela tem comigo.
- E você Renato? Quando vai apresentar uma namorada para sua família? Maurício questiona e eu fico pensando que não namoro a muito tempo.
- Quando encontrar uma pessoa menos estranha do que eu. Respondo sorrindo.
- Isso é verdade. Tem que ser alguém menos estranho, pois você não é normal mesmo. Maycon fala e eu faço cara de bravo, mas acabo sorrindo depois.
- Obrigado pelo carinho comigo irmão. Digo e ele pisca para mim.
O jantar correu muito bem. Nossa família estava reunida novamente e isso me trazia paz. Acho que vou até aproveitar que ambos dormiram aqui, farei o mesmo. Não quero ir para casa e sonhar com essa garota estranha. Talvez a casa dos meus pais seja um refúgio para eu não ter esse tipo de sonho.
Depois do jantar, sentamos todos na sala e meus irmãos começaram a falar do trabalho e de como a transportadora estava progredindo. Fiquei feliz por eles, eu só nunca entendi porque eles tiveram que criar essa empresa na Rússia, já que aqui o mercado de transportadora é fraco. Seria algo novo para a cidade e poderia ter rendido muito mais lucro. Sei que quando ele se casou aqui foi embora para lá. Cláudia e Sarah moravam na Rússia, e assim que Maurício e Cláudia se casaram, achei que morariam aqui, mas não. Eles passaram alguns dias no Rio de Janeiro e depois foram para a Rússia. Queria entender só o motivo disso tudo, mas não hoje e nem agora. O cansaço está me abatendo e eu quero mais é dormir. Pedi a minha mãe para que uma das meninas arrumasse meu quarto antigo. Tomará que hoje eu possa descansar. Já tem dias que não durmo direito e preciso disso para renovar as minhas forças.
Demos boa noite um para o outro e subimos cada um para seus respectivos quartos. Tiro minha roupa e fico somente de cueca. Me deito na cama e tento não pensar em nada para atrapalhar meu sono. Não demora muito meus olhos já estão pesados, acabo dormindo.
Estou em um lugar totalmente escuro, uma sombra passa por mim e não reconheço quem é. Busco andar no lugar e encontrar uma saída. Acho uma porta que está destrancada e saio. Luzes bem fracas iluminam o ambiente. Vou andando e encontro uma mulher deitada no chão. Me desespero e vou até ela. Será que está desmaiada? A pego em meus braços e deposito a mesma no sofá que tem aqui. A olho e fico em choque de ver que se trata da mulher dos meus sonhos. Ela está com o rosto com marcas de mãos. Algum filho da p**a está maltratando ela. Passo as mãos em seu rosto. Eu preciso tirá-la daqui, antes que aquele covarde faça mais alguma coisa com ela. Volto a pegá-la em meu colo e procuro uma saída desse lugar. Mas nada, eu não acho, e fico andando para lá e pra cá com ela em meu colo. Começo a ficar desesperado, pois tenho medo que ela não aguente e morra em meus braços. Coloco ela novamente no sofá e corro na casa para achar uma saída, e quando encontro abro a porta rápido, e volto para o sofá para buscá-la. Ela ainda está desacordada. A pego novamente e me encaminho para a saída, assim que chego na porta ela some dos meus braços. Fico sem entender o que houve, uma luz n***a aparece do nada e me perco na escuridão.
Acordo suado e agitado. Ela estava em meus braços, mas o porque depois desapareceu? Fico tentando entender e me sento na cama. Passo as mãos em meu rosto e quando iria me levantar, me assusto. A garota morena está nua na ponta da minha cama. Ela está de pé, seus olhos não param de sair lágrimas. A olho de cima a baixo, me viro e acendo os abajus. Volto a olhar para ela e para seu corpo, não gosto do que vejo, pois eles estão marcados. Me levanto e vou até ela. Fico olhando e ela não desviou seus olhos de mim.
- O que houve com você? Peço passando as mãos em seu rosto. Ela não me responde, só chora e me olha. Você tem que me dizer para que eu possa te ajudar. Digo. Ela tira a mão que tapava algo que não tinha visto. Na verdade não reparei que ela estava sangrando. Me desespero ao ver uma ferida aberta do lado direito da sua barriga. Meus olhos enchem de lágrimas por saber que alguém está sofrendo tanto desse jeito.
- Você tem que me dizer seu nome, e onde você mora. Eu quero te ajudar e preciso muito te ajudar. Ela não diz nada e continua chorando. Por favor me diga o que houve? Você também precisa me ajudar, para eu te encontrar.
Ouço batidas na porta e olho para a mesma. Quando volto o meu olhar para a garota ela não está mais aqui. Merda. Passo a mão na cabeça e vou abrir a porta. Não há ninguém. Eu devo estar ficando louco. Não é possível isso. Um sonho horrível, uma garota maltratada e agora uma batida fantasma na porta. Eu acho bom contar isso a alguém que não me ache um louco. Talvez uma consulta com um dos amigos psiquiátrico ou psicólogo da minha mãe. Alguém tem que me entender e ver que eu estou tendo visões com uma estranha, que está pedindo a minha ajuda, porém eu nem sei onde encontrá-la. Algum profissional deve ter resposta para isso.
Bebi um pouco de água que tinha no criado mudo e me deitei cansado novamente. Eu já tomei a decisão de procurar ajuda para tudo isso. Eu não consigo imaginar essas coisas. Acabo dormindo com esse pensamento.
A porta do meu quarto está aberta, e eu acho estranho. Quem abriu? E porque deixou aberta? Me levanto e visto minha calça de pijama que tenho na casa dos meus pais. Saio do meu quarto e sigo para baixo, porém não tem ninguém na sala, na sala de jantar e na cozinha. Acho estranho, pois Mamãe iria para o hospital a tarde, papai não iria para o escritório cedo também. Será que ninguém acordou? Mas e o pessoal da cozinha? Já eram para estar na cozinha fazendo algo para o café da manhã. Volto para sala e a porta da mesma está aberta. Um vento frio atinge meu corpo. Abraço meu peitoral nu para tentar esquentar meu corpo nesse frio gelado.
Saio para fora, tentando entender o motivo da porta estar aberta e de ninguém ainda estar acordado. Os carros continuam parados perto da garagem. O que houve aqui?
Volto para entrar em casa e ver nos quartos se estão todos dormindo, mas do nada a porta se fecha. Tento abri-la, mas nada, ela não abre. Dou a volta para ver se a da cozinha está aberta para o jardim, mas algo me trava. A garota morena está parada em minha frente mais uma vez chorando, porém agora vestida. Ela não espera dizer nada e passa por mim indo para o portão de saída para rua. Eu preciso segui-la, talvez essa seja a chance de achá-la e tirá-la desse m*l que ela está vivendo.
Vou seguindo a mesma. Vejo ela passar pelo portão trancado, e eu tento abri-lo, porém é inútil, o portão está trancado. Merda, mil vezes Merda. Procuro um dos seguranças do meu pai e nada, volto para casa e tento abrir a porta e ela se abre. Acho estranho, pois a minutos atrás ela parecia trancada, mas eu não vou pensar nisso. Ela pode está lá fora me esperando. Entro correndo procurando a chave do portão e nada. Eu vou perdê-la e não vou ajudá-la. Eu preciso segui-la.
Acordo com batidas na minha porta. Olho para o lado passando as mãos no rosto. Droga, foi outro sonho. Parecia tão real, tenho certeza que se o portão não tivesse trancado eu teria descoberto onde ela está. A batida na porta ainda continua. Levanto e me visto. Abro a porta e é minha mãe.
- Bom dia filho! Você está bem? Ela questiona e eu volto a me sentar na cama.
- Na medida do possível. Digo olhando para ela, que se senta também.
- Outro pesadelo? Pediu, fazendo carinho em meu rosto.
- Sim. Eu não sei o que posso fazer. Digo mais para mim do que para ela.
- Quer me contar? Suspiro.
- Uma garota maltratada, ferida, deve está correndo perigo nas mãos de alguém. Ela aparece todos os dias para mim e em meu sonho.
- Você conhece a garota?
- Não mãe. Nunca a vi na vida. E isso é que está me assustando mais. Porque ela apareceria para mim? Será que ela já havia me visto antes e eu não? Porque ela está me pedindo socorro?
- Não sei meu amor, mas porque você não divide isso com algum especialista? Talvez ele possa te ajudar.
- Pensei nisso, mas tenho medo de ser tachado como louco. Digo e vou para a janela.
- Não pense assim, você não é. Porém precisa entender o motivo disso tudo. Vou pedir a Daniel para arrumar um horário para você com ele. Ele pode te ajudar e não vai ficar te julgando.
- Faça isso. Só tenho medo que seja tarde demais quando eu conseguir entender o que está acontecendo. Tenho medo que ela morra nas mãos dessa ou dessas pessoas.
- Calma. Vamos ver o que pode ser feito.
- Mamãe, não quero compartilhar isso com mais ninguém. As pessoas podem não entender. Na verdade nem eu estou entendendo. Ela me abraça
- Não se preocupe querido, será só eu e você. Agora eu te acordei, porque sua secretária Francielle está atrás de você desde cedo.
- Como assim desde cedo? Quantas horas? Falo alcançando meu celular. Merda mãe, são quase meio dia. Dormi demais e tinha uma reunião cedo.
- Não se desespere. Pedi a Francielle para desmarcar e remarcar. Sentir que você não estava bem. Sempre acorda cedo. Mamãe fala e eu suspiro.
- Obrigada mãe. Digo dando um beijo em sua cabeça.
Minha noite foi tão intensa de sonhos que não tive como não me perder na hora. Vou ver o que o especialista diz sobre tudo que estou vendo e sonhando, para poder agir. Eu não posso ficar parado, pois ela pode nunca mais aparecer para mim, e assim eu terei certeza que ela foi morta.