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Casei Com A Minha melhor Amiga

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intro-logo
Blurb

Beleza forte e elegância natural. Alto, olhar atento,

corpo treinado sem exageros. Movimenta-se como

quem está sempre medindo o mundo, calculando

riscos, prevendo cenários - exceto quando ela entra em

cena; ai tudo nele se desarma.

É conhecido por ser brilhante no trabalho: precisão nos

negócios, sensibilidade no design, faro para talento. Mas na vida amorosa é diferente, ele sabe que é um especialista em silenciar o que sente.

Carrega um amor antigo e profundo pela melhor amiga,

um amor tão presente que se tornou parte da rotina: no

café, no sorriso dela, no perfume que fica depois que

ela vai embora. Seu defeito é ser leal demais com o

próprio coração - a ponto de nunca ter se confessado.

Escolheu o "quase"e as margens do que desejava.

Estilo: terno bem cortado, camisas abertas no peito fora

do expediente, perfume amadeirado, voz baixa que

nunca precisa gritar para ser ouvida, o seu silêncio serve pra manter o controle e não deixar revelar à sua

vulnerabilidade.

Ele chegou antes, como sempre.

Tinha essa mania de ocupar o espaço antes dela, de

observar o movimento da cidade, o vai-e-vem das

pessoas, o barulho dos carros, o cheiro de café

recém-moído. Era quase um ritual, o único ritual que

ele se mantinha fora do trabalho.

Quando ela entrou, o café pareceu menor. Não era

beleza exagerada ou presença estudada, era

naturalidade. O cabelo preso às pressas, a bolsa

apoiada no ombro, os olhos procurando o que já sabiam

exatamente onde encontrar.

- Cheguei - ela disse, sentando-se à frente dele, como

se chegar fosse o suficiente.

Ele sorriu.

Com ela, nunca foi preciso dizer tanto.

Conversaram sobre o desfile da próxima semana, sobre

tecidos e prazos, sobre o caos organizado da moda. Ela

falava com brilho, usando as mãos para desenhar o que imaginava no papel; ele ouvia, analisava, e

guardava cada gesto dela como quem coleciona

pequenas coisas valiosas que ninguém mais percebe. Cada detalhe era guardado em sua memória, por muitas capas que ninguém enxergava.

- Marcos me ligou ontem - ela comentou, quase

casual.

O nome caiu entre eles com o peso de algo familiar e

incômodo.

Ele levantou os olhos do cardápio, apenas o suficiente

para ela perceber que tinha captado.

- E?- perguntou, sem curiosidade, apenas educação.

- Quer que eu vá passar o fim de semana com ele. Mas

ainda não sei...

A frase ficou no ar, pendurada, carregada de subtexto.

Ele sabia. Ela sempre "ainda não sabia". Marcos sempre

pedia, ela sempre esperava, e o tempo fazia o resto.

- Você decide depois? - ele disse, oferecendo o tipo de

liberdade que só quem ama de verdade consegue

oferecer.

Ela mudou de assunto; ele não forçou.

No fundo, ambos sabiam que não era sobre o fim de

semana - era sobre tudo. Depois do café, caminharam pela rua como faziam desde a faculdade. O mundo parecia se ajustar ao passo dos dois. Às vezes ela encostava o braço no dele, sem intenção - ou talvez com intenção demais. Ele

fingia não notar, e o silêncio entre eles era confortável, o

bastante para dispensar explicações.

Quando chegaram ao ateliê, o cheiro de tecido

recém-cortado, cola, tinta e perfume tomou o

ambiente. Modelos passavam apressadas, costureiras

prendiam alfinetes, e a música preenchia o vazio entre

uma ideia e outra.

Ele observou enquanto ela analisava um vestido na

arara, aproximando o tecido do rosto, fechando os olhos

como quem escuta o que o tecido tem a dizer.

-É leve - ela sussurrou.- Leve como... como se a

pessoa estava pronta pra voar.

Ele quis dizer "como você", mas não disse.

Ele nunca dizia.

- Serve para o desfile de Paris -concluiu ela,

entregando o vestido para uma assistente.

Paris.

Eles iriam juntos novamente.

Ele já sabia o que Paris fazia com eles e o que Paris

não fazia.

Antes que pudesse continuar, o celular dela vibrou. Ela

olhou. O nome era inevitável. Marcos. Uma mensagem

curta. Um convite. Uma promessa.

-Eu vou responder depois - ela disse, guardando o

celular na bolsa.

Mas o olhar já estava distante.

Ele desviou o olhar para o manequim, fingindo ajustar (

tecido.

Amar em silêncio é um exercício de paciência, e ele se

tornara especialista.

Paris viria.

O desfile também.

E entre um toque e outro, um olhar e outro, a história

dos dois continuaria sendo escrita do jeito mais

perigoso possível: no quase.

Linda de forma espontânea, não estudada. Riso fácil,

presença luminosa, o tipo de pessoa que transforma um

espaço apenas por existir nele.

Carrega uma paixão antiga por Marcos, paixão que foi

florescendo como ideal e nunca como realidade

Acredita em amores grandes, épicos, que atravessam o

tempo - mas ainda não entendeu que o amor que

busca sempre esteve ao lado, e não à frente.

Profissionalmente talentosa, criativa, sensível, com um

olhar diferente para as coisas pequenas. Com ele,

sempre foi natural: conversas longas, viagens,

memórias, toques que duram meio segundo a mais do

que deveriam.

Estilo: vestidos fluidos, jeans com charme, cabelo preso

às pressas, perfume leve e floral.

Arco emocional: da ilusão à consciência

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EM UM MUNDO DE REGRAS.
CAPÍTULO 1: Aquilo doía mais do que os ataques "Erick Teixeira" Meu amor pela Laís nunca foi aceito pelo meu pai Afonso Teixeira, Nunca. E o problema de fingir é que o corpo nunca aprende a mentir tão bem quanto a boca. Com o tempo, comecei a perceber que não era apenas meu pai que me observava. A casa inteira parecia ter olhos. Cada corredor, cada jantar em silêncio, cada pergunta casual carregava uma vigilância invisível. Meu pai não precisava repetir a ordem — ela já estava cravada em mim. Eu sentia sempre que o nome da Laís surgia. Sempre que eu demorava demais no telefone. Sempre que chegava em casa com um olhar diferente. E ele percebia. Meu pai tinha esse dom c***l: não precisava confrontar para dominar. Bastava uma frase solta no momento certo. — Você anda distraído, Erick — dizia à mesa, cortando a carne com precisão. — Distração costuma custar caro. Minha mãe abaixava os olhos. Sempre. O som dos talheres era o único refúgio. Às vezes eu a flagrava me olhando rápido demais, como quem queria dizer algo e desistia no último segundo. Aquilo doía mais do que os ataques diretos do meu pai. Porque o silêncio dela não era neutralidade — era abandono. Fora daquela casa, o teatro continuava. Com a Laís, eu era um amigo confiável. O ombro seguro. O porto onde ela descansava sem saber que o mar dentro de mim estava em guerra. Ela falava dos medos, dos sonhos, dos planos. E eu ouvia. Sempre ouvi. Mas cada palavra dela desenhava um futuro do qual eu sabia que estava proibido de participar. Havia momentos em que ela se aproximava demais. Um toque no braço que durava segundos a mais. Um sorriso sustentado. Um olhar que perguntava coisas que eu não podia responder. E era nesses momentos que o conflito se tornava quase insuportável. Porque eu queria avançar. Mas recuava. Sempre recuava. E cada recuo era uma pequena traição contra mim mesmo. Comecei a me tornar alguém dividido. Em casa, o filho moldado, à força, treinado para herdar um império que nunca escolhi. Fora dela, um homem incompleto, vivendo migalhas de um sentimento inteiro. Eu não era livre em lugar nenhum. Meu pai intensificou o controle com o tempo. Convites estratégicos. Apresentações calculadas. Mulheres “adequadas”, com sobrenomes importantes e sorrisos ensaiados. Ele nunca dizia que era para substituir a Laís. Não precisava. A mensagem estava clara: havia opções aceitáveis. E ela não era uma delas. — Você precisa começar a pensar com maturidade — ele dizia. — O mundo não recompensa quem age pelo coração. Eu pensava nela. Sempre nela. E enquanto isso, a amizade ia se tornando uma corda esticada demais. Bastava um passo em falso para tudo ruir. Eu sentia que estava enganando a todos — inclusive a ela. Porque, mesmo sem saber, Laís confiava em mim de um jeito perigoso. Ela acreditava naquela versão contida, controlada, quase fria que eu apresentava. Não fazia ideia do quanto eu lutava para não quebrar. Às vezes, quando ela se afastava para viver algo que não me incluía, eu sentia o ciúme me consumir por dentro. Não porque eu tinha direito — mas porque eu tinha sentimento. E sentimento não entende hierarquia, nem sobrenome, nem ordens. O fingimento começou a me cobrar no corpo. Insônia. Irritação constante. Silêncios longos demais. Eu estava sempre no limite, sempre calculando, sempre perdendo. Amar escondido não era apenas doloroso — era corrosivo. E eu sabia. No fundo, sempre soube. Que aquele equilíbrio não duraria. Porque não existe amizade que sobreviva quando um dos lados ama como se estivesse em risco de vida. Porque não existe silêncio que aguente para sempre. E porque meu pai podia controlar minhas ações… mas jamais teria controle sobre o que eu estava disposto a perder por ela. E quando esse limite fosse ultrapassado — porque seria — não haveria legado, ordem ou sobrenome capaz de impedir o caos. O segundo confronto não foi anunciado. Não houve convite, nem tom calculado. Foi emboscada. Eu cheguei em casa mais tarde naquela noite. O relógio da sala marcava quase onze quando vi a luz do escritório acesa. Meu corpo reagiu antes da mente. Aquela luz nunca significava nada bom. — Entre — a voz dele veio antes mesmo de eu bater. O ar ali dentro estava pesado, denso, como se o ambiente tivesse sido preparado para julgamento. Meu pai estava de pé, atrás da mesa. Não sentado. Aquilo já era um sinal. Sobre a mesa, havia algo que me gelou o estômago: uma pasta aberta. Dentro dela, fotos. Fotos minhas com a Laís. Não eram comprometedoras. Não havia toque explícito, beijo, nada que eu pudesse negar com facilidade. Mas eram suficientes. Ângulos calculados. Olhares capturados. A proximidade que eu achava invisível… estava toda ali. — Eu pedi para você se afastar — ele disse, baixo. Não havia raiva. Havia decepção. E isso era pior. Fechei a mão devagar. — Nós somos amigos. Ele empurrou a pasta na minha direção. — Amigos não olham assim. Silêncio. — Você acha que eu não sei o que está acontecendo? — continuou. — Você acha que eu não percebo que está me desafiando em silêncio? — Não é um desafio — retruquei. — É a minha vida. Ele riu. Um riso curto, seco. — Sua vida? — aproximou-se da mesa. — Você só tem essa vida porque eu a construí. Porque eu fiz escolhas que você não teve coragem de fazer. Aproximei-me também. — E eu tenho que pagar por isso pelo resto da minha existência? Os olhos dele escureceram. — Você tem deveres, Erick. E está falhando com todos eles. Respirei fundo. Eu sabia. Se continuasse, não haveria retorno. Mas também sabia que, se recuasse outra vez, algo em mim morreria de vez. — O que você quer de mim? — perguntei. — Que eu me torne alguém vazio? Que eu viva um casamento de conveniência só para manter uma imagem? — Eu quero que você seja forte — ele respondeu, sem hesitar. — E força é saber abrir mão. Foi ali que ele cruzou a linha. — A Helena será desligada da empresa — disse, como quem comenta o clima. Meu coração parou. — O quê? — Já vinha sendo avaliado — mentiu com naturalidade. — Reestruturação. Corte de custos. Nada pessoal. — Não ouse — avancei um passo. — Não ouse envolver a mãe dela nisso. — Tudo é pessoal quando você força a minha mão — ele rebateu, finalmente elevando a voz. — Você não me deixa escolha. Senti algo quebrar dentro de mim. — Você está punindo duas pessoas que não fizeram nada! — Estou protegendo a minha família — ele disse. — E ensinando uma lição. — Isso é chantagem. — Isso é poder. O silêncio caiu pesado entre nós. — Afaste-se dela — repetiu. — De vez. Ou você vai aprender que sentimentos custam caro. Minhas mãos tremiam. — Se você tocar nelas… — minha voz saiu baixa, perigosa — eu não serei mais o filho que você controla. Ele se aproximou, ficando a poucos centímetros de mim. — Você nunca deixou de ser meu filho — sussurrou. — E me deve respeito. Nos encaramos por longos segundos. Dois homens. Não só mais pai e filho. — Saia — ele ordenou. Quando deixei o escritório, eu sabia: a guerra tinha mudado de nível. Porque agora não se tratava só do meu silêncio. Não era mais só sobre amor escondido. Era sobre até onde eu estava disposto a ir.

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