Entrei no carro e fechei a porta com força demais. O silêncio dentro do veículo era quase ofensivo. Não liguei o rádio. Não precisava de barulho. Minha cabeça já estava cheia o suficiente. Dei a partida e saí da propriedade sem olhar para trás, sem pensar na casa, na mesa de café, em Isabella sentada ali com aquele olhar atento demais para quem dizia não se importar. Mentira. Mas eu não tinha tempo para isso agora. O telefone vibrou antes mesmo de eu chegar ao portão principal. Nem precisei olhar o nome. — Onde você está? — a voz de Rocco veio direta, sem rodeios. — Saindo de casa. — Ótimo. Tenho novidades. Suspirei pelo nariz, curto, impaciente. — Fala logo. — Descobrimos quem mexeu no carregamento. Não foi roubo aleatório. Foi gente que sabia exatamente o que estava fazendo. —

