O quarto está silencioso demais para uma noite como essa. Não há música. Não há risos ao longe. Não há nada que lembre celebração. Só o som distante da cidade e o peso sufocante daquilo que foi decidido sem mim. Casamento. A palavra ainda parece errada na minha cabeça. Estou parada perto da cama, o vestido branco pesado demais sobre meu corpo, como se tivesse sido feito não para me enfeitar, mas para me lembrar do que perdi. A renda aperta meus braços, o corpete limita minha respiração, e tudo em mim grita por liberdade — não por romance. A porta se abre atrás de mim. Não preciso olhar para saber que é ele. Matteo sempre chega assim. Sem pressa. Sem anunciar presença. Como se o espaço simplesmente se curvasse à vontade dele. A porta se fecha. O clique da fechadura ecoa pelo quarto

