Eu não soltei a mão de Matteo desde ontem. Depois do que aconteceu — depois dele apertar meus dedos, depois de tentar falar — eu passei a olhar para cada movimento mínimo como se fosse um aviso. Como se qualquer pequena alteração pudesse significar que ele está mais perto de voltar. Os médicos vieram cedo. Fizeram exames. Verificaram os sinais. Disseram que a atividade cerebral continua aumentando. Disseram que é um excelente indicativo. Eu apenas assenti. Palavras técnicas não conseguem explicar o que eu estou vendo todos os dias. Eu sei quando algo muda. Eu sinto antes dos aparelhos confirmarem. Agora estou sentada na cadeira ao lado da cama, como sempre. Minha mão está entrelaçada à dele. Não por insegurança. Mas porque parece que, enquanto eu seguro, ele continua aqui.

