Dois dias. Foi isso que separou a mulher que eu era da mulher que estavam prestes a selar com o sobrenome de Matteo De Luca. Dois dias em que eu não dormi direito, não comi como deveria e aprendi, da forma mais c***l possível, que o tempo não cura nada quando ele corre contra você. Ele apenas empurra. Esmaga. Obriga. O quarto estava em silêncio quando acordei, mas não era um silêncio calmo. Era pesado, opressor, como se até as paredes soubessem o que aquele dia significava. O dia do casamento. O dia em que meu corpo deixaria de ser só meu no papel. O dia em que um acordo seria selado com um vestido branco e olhares calculados. Eu me sentei na cama devagar, passando a mão pelo rosto, sentindo a pele fria. Não havia romantismo. Não havia nervosismo de noiva apaixonada. O que existia era

