Quando voltamos do jardim, Matteo já está visivelmente cansado. Ele tenta esconder — claro que tenta — mas eu já aprendi a reconhecer os sinais. A maneira como os ombros dele ficam mais rígidos. As pausas um pouco mais longas entre uma respiração e outra. O silêncio que se prolonga quando ele está concentrado em simplesmente continuar de pé. Mesmo assim, ele não reclama. Eu empurro a cadeira de rodas até a cama e paro ao lado dela. — Certo — digo. — A aventura de hoje termina aqui. Ele me lança um olhar de lado. — Você fala como se eu tivesse atravessado metade da cidade. — Para alguém que passou três meses inconsciente, o jardim já foi ousadia suficiente. Ele não discute. Isso por si só já é um pequeno milagre. Com cuidado, ajudo Matteo a se levantar da cadeira. O movimento é le

