Traição? Parte 1

1047 Words
Fui acordada às 05h00 da manhã com o rádio do Jasper. Era uma ocorrência e ele precisava estar lá em poucos minutos. Me virei e ele não estava na cama. Ouvi um barulho de chuveiro, e logo depois ele saiu com a toalha enrolada na cintura.  Seu corpo era escultural. A pele bronzeada, e os músculos de quem malhou a vida inteira. As vezes eu me sentia meio ingrata de estar com alguém perfeito assim, eu sinceramente não sabia o que ele havia visto em mim.  E tudo bem, eu sei que sou linda, e muito inteligente. Sei disso. Mas qual é, Jasper podia ter literalmente qualquer mulher que ele quisesse, e mesmo assim, ele escolheu a mim. Queria poder navegar um pouco a sua mente para entender o que ele pensou no segundo em que me vi. Eu sei o que eu vi: um homem bonito e sarado que podia me fazer curtir a noite. Mas ele me conquistou, todos os dias um pouco mais.  Eu costumava dizer a minha mãe que não daríamos em nada, que era só mais um cara, mamãe ria toda vez, dizendo que já havia visto esse filme antes. Acho que afinal ela estava coberta de razão.  Mas acho que Jasper tinha um pouco de medo de compromisso, quer dizer, ele disse que quer se casar comigo, mas já estamos juntos há quase 5 anos. E por mais que casar não esteja na minha lista de prioridades no momento, eu penso se ele de alguma forma titubeia em viver o resto de sua vida comigo. Tudo bem, como eu disse, se este fosse o caso, ele até que tinha motivos. Só que as vezes isso alimentava minha insegurança.  Jasper se aproximou de mim com um beijo na testa.  — Bom dia.  — Já vai trabalhar? — Preciso. Você me leva até sua casa? Deixei o carro lá. Eu fiz que sim com a cabeça e ainda sonolenta, me levantei.  — Se estiver com muito sono, posso pegar um táxi.  — Não, não — Neguei, prendendo o cabelo em um coque — Nós vamos, mas você dirige.  Ele sorriu.  — Ok, obrigado. Mas primeiro, vamos comer qualquer coisa.  Ele pediu serviço de quarto enquanto eu tomava banho, e depois que eu saí, ele já estava em seu uniforme. Eu não percebi que ele tinha trazido uma mochila nas costas.  — De onde saiu isso? — Perguntei, me referindo ao uniforme.  — Você não viu?  Eu fiz que não com a cabeça e peguei um biscoito posto a mesa que trouxeram. De repente, Jasper começou a gargalhar.  — Nossa! Onde está com a cabeça? — Brincou e eu continuei confusa. — Safira, eu pedi que trouxessem. Liguei para o Harry pegar meu outro uniforme na delegacia e trazer, ele está no posto abastecendo o carro, disse que se eu quisesse, podia ir com ele para o trabalho.  Minha mente clareou, sabia que não estava ficando maluca.  — E você vai? — Eu disse a ele que iria com você. Mas, se quiser, posso ligar novamente.  — Não, não... Vamos! — Afirmei.  ♡ Quando eu cheguei em casa, mamãe estava se maquiando, feliz. Eu sorri de orelha a orelha, e quando ela me viu, me chamou para mais perto.  — Saiu ontem? — Indagou. — Sim, desculpa não ter avisado. Foi de surpresa e lá não tinha sinal de telefone. — Expliquei.  — Não, querida. Está tudo bem... — Está mesmo? — Perguntei — O que houve com você? Ela guiou meus olhos até um buquê de flores posto a mesa. Eram rosas amarelas, as preferidas da minha mãe. Ela estava radiante de felicidade, e eu... Bom, eu queria acreditar que era um gesto genuíno, mas algo me dizia que meu pai estava se sentindo culpado. Talvez ele sentiu que minha mãe estava desapontada com ele, talvez com desconfiança, e resolveu comprar flores. Eu tinha impressão que homens só dão presentes quando estão com medo.  Mas isso não impediu que eu ficasse feliz por ela, permaneci ao seu lado ouvindo ela dizendo o quanto estava feliz por estar enganada a respeito da traição. Ouvi tanto as mesmas coisas que cheguei a me convencer disso. Bom, não por muito tempo.  Logo, eu fui para a universidade e me lembrei: Nate. Havia me esquecido totalmente dele. Precisava passar no hospital e pegar seu número novo. Tive medo que ele não estivesse mais lá, mas pelo estado em que estava sua mãe, duvido muito que tenha recebido alta, e penso que, por mais que ele seja muito ríspido, não deixaria sua mãe sozinha.  Minha colega de turma estava lá. Lolla. Era alta, bonita, incrivelmente sensual. Eu tinha certeza que ela era a menina mais bonita que já tinha se passado naquela universidade. Ela me abraça e da um t**a na minha b***a. — Que chato! — Reclamo.  Ela deu uma risada sarcástica.  — Como assim você passa a noite em uma pousada com seu boy e volta m*l humorada desse jeito? — Não é você que tem 100 coisas para fazer. — Respondi, trancando o armário. Ela ergueu as mãos, como quem se rende.  — Tudo bem, eu te ofereci minha ajuda, mas você gentilmente recusou.  — Não posso aceitar a ajuda de quem não se compromete. Você sabe que não se importa com essas coisas.  — Afirmei, tentando não ser grossa.— Tudo bem — Ela cedeu, e acabou concordando comigo.  Recebi uma mensagem da minha mãe naquele momento dizendo que estava vivendo um sonho. Ela disse que por um deslize, que ela jura ter sido proposital, o  papai deixou a caixa de e-mail aberta, e ela acabou vendo uma confirmação de reserva que ele havia feito em um hotel 5 estrelas para esta noite. Naquele momento me alegrei, talvez ele quisesse mesmo resolver as coisas, mas algo me inquietou. Mamãe me disse que ele saiu pela manhã com as malas feitas como se fosse viajar a trabalho. Ela não achou esquisito, na verdade, amou o fato dele estar fazendo uma surpresa. Mas algo em mim dizia que aquela reserva não havia sido feita para ela.  Eu precisava pensar rápido uma forma de descobrir e consertar logo essa situação, antes que a vida da mamãe vire de cabeça para baixo - e consequentemente, a minha também! 
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