Capítulo 3

1061 Words
— A família Bianchi sempre teve vermes traidores…. Mas, infelizmente ainda sinto algo por você… – Vejo pavor em seus olhos ao ouvir o nome da máfia mais temida de toda a Europa. – Em nome desse sentimento irei poupar sua vida, mesmo você não merecendo tamanha misericórdia. Saí da sua casa sem me importar com seus gritos de socorro. Entrei no meu carro e senti uma garrafa aos meus pés, peguei-a e sorri ao me lembrar com nostalgia. Era a garrafa que meu pai me deu no meu aniversário de 18 anos, ele disse que eu só deveria abri-la quando assumisse seu lugar na máfia. Bem, nunca fiz isso. Hoje, sem perceber, acabei pegando essa garrafa durante toda a confusão em minha casa. Isso pareceu um sinal para lembrar que, de alguma forma, em algum lugar, meu pai estava cuidando de mim, e sei que ele ficaria orgulhoso dessa minha atitude, de ter me livrado desse traidor. Mesmo sendo Leonardo meu parente, ele não se foi em vão. Ele servirá de exemplo para todos os outros. Em breve, a notícia correrá, e tanto meus aliados quanto meus inimigos saberão que não tenho clemência diante de traidores. Abro a garrafa e um sorriso surge em meus lábios. — Descanse em paz, Leonardo. – bebo um gole, sentindo o álcool queimar minha garganta. – Hoje beberei em sua homenagem, amado pai. Juro que um dia descobrirei quem foi o verme que o matou e farei ele pagar! Ouvindo o som da brisa, m*l percebo quando acabo com minha garrafa de vodka e meu maço de cigarros. Meus olhos se fixam no horizonte, onde vejo os primeiros sinais de que o sol nasceria em breve. — É, irmãozinho. Parece que vou ter que envolvê-lo nisso. – digo depois de enviar uma mensagem de texto para o seu número. – Vamos ver se sua vontade de me ajudar era apenas conversa fiada ou não. Encosto minha cabeça no banco e suspiro, sentindo os efeitos do álcool em meu corpo. Sempre fui resistente às bebidas, bebi diversas vezes com amigos durante madrugadas de jogos de cartas, mas quando se tratava de decepções amorosas e familiares, o álcool tinha um efeito diferente. Como uma bomba, uma droga mortal. Minutos se passam até que vejo a Ferrari de Enzo parar em frente ao meu carro. Antes que eu saia do veículo, meu irmão entra no carro, seus braços me envolvem em um abraço, e consigo sentir suas lágrimas no meu pescoço. — Você é um i****a! Fiquei preocupado! – ele fala se afastando. Seus olhos se arregalaram ao ver o sangue no meu corpo. – A Mariana... Ri sem humor, ele sabia que eu jamais faria algo contra aquela mulher. Não iria contra tudo que meu pai me ensinou, não me vingaria, mesmo que ela merecesse isso. — Você sabe que eu não faria nada. – minha voz sai rouca e tenho uma pequena crise de tosse devido à garganta seca. Ele respira aliviado. – Apenas acabei com aquele infeliz. O silêncio predomina no ambiente por longos minutos até que Enzo suspira. Sua mão toca meu ombro me fazendo olhar em seu rosto. — Vá pra casa, irmão. – sua voz estava firme e decidida de um jeito que nunca havia visto antes.– Irei cuidar de tudo. Por breves segundos, consegui ver meu pai naquele moleque de 16 anos. Era assustadora a sua semelhança com nosso pai, ainda mais quando era firme e decidido. Quando nosso pai morreu, Enzo ainda era uma criança inocente. Jurei que iria protegê-lo, que ele jamais teria que entrar na máfia e nessa loucura toda que eram os negócios ilegais de nossa família. Meu plano sempre foi administrar as empresas até que Enzo tivesse formação suficiente para fazer isso sozinho. Não gostava da ideia de ver meu irmão nessa confusão, de vê-lo entrando nesse mundo sombrio. — Nem pense em negar, Donatello. – sua voz é fria e autoritária. Ele guarda seu celular em seu bolso e me encara com um olhar duro. – Vá para casa, tome um banho e trate de ficar sóbrio. Já estou cuidando de tudo. Antes que eu negue, uma moto para ao lado do meu carro. Dois homens descem da mesma e Enzo sai de meu carro antes que questione sobre aquilo. Me assusto quando uma mulher bate em meu vidro indicando para que eu abra a porta e me afaste. Me sento no banco do carona e a vejo entrar no carro assumindo a direção. — Espera, quem é você? – minha voz sai embolada devido ao cansaço e efeito do álcool.– Eu nunca te vi antes. Como sabe onde moro? Era preocupante pensar que alguma pessoa desconhecida sabia da minha localização, ainda mais uma mulher tão jovem. Ela devia ter no máximo dezoito anos. Céus, que merda o Enzo estava pensando quando chamou esses pirralhos? — Se acalme, senhor Bianchi.– Sua voz é tão doce e jovial que me deixa sem reação.– me chamo Maria. Você pode confiar em mim, sou uma grande amiga do seu irmão. Entendi… o moleque não brincava em serviço, já estava começando a criar uma rede de apoio com seus próprios nomes de confiança. Pelo visto, Enzo estava fazendo mais coisas às escondidas do que eu pensava. — Então, Maria. – falo seu nome com dúvida. Duvido que esse seja realmente o nome dessa mulher. Pelo que conheço de meu irmão, ele deve ter dado instruções de que ela não relevasse muitas informações.– Como conhece o Enzo? Em que tipo de coisa o meu irmão está envolvido para ter esses aliados? Maria não me parece surpresa com a pergunta, seu rosto mantém uma expressão neutra. Paramos em frente a um semáforo, a jovem ruiva me olha pelo canto dos olhos. — Seu irmão e eu nos conhecemos na boate do meu primo.– seu semblante muda e um olhar nostálgico dá lugar a sua determinação. – apesar dele ser bem jovem, é um rapaz inteligente. Boates? Até onde sei, o Enzo não era de se meter nesse tipo de coisa. Ele era apenas um moleque, nunca o vi se interessar pela máfia ou coisas do gênero, o máximo de ilegalidade que o envolvia eram suas armas não registradas, bebidas e identidades falsas, algo até comum entre os jovens, considerando o histórico de nossa família.
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