Isabela Ferrari Olho no relógio e percebo que já está quase na hora de ir para a empresa. Droga... Meu corpo está aqui, mas minha alma está presa sob o peso do Victor, literalmente. Ele está deitado sobre minha barriga, olhos fechados, como se estivesse tentando congelar o tempo — ou me impedir de sair. E, sinceramente? Nem estou tentando fugir. Minha mão se perde em meio ao seu cabelo. Ele suspira, calmo, entregue, completamente alheio à tempestade que se aproxima. E eu só consigo pensar: e se hoje for o nosso último dia assim? Deitados. Juntos. Felizes. (***) Já na empresa, caminho como se estivesse em câmera lenta. Tudo parece embaçado. Irreal. Meu coração está pesado, minha mente dividida e a única coisa que ecoa dentro de mim é: o que eu faço, pai? Me ajuda. O elevador se

