Meu dia começou bem...cap..2

569 Words
VICTOR ALENCAR Acordei do mesmo jeito de sempre: com o tédio me corroendo e uma mulher nua ao meu lado que eu m*l lembrava o nome. Linda, n***a, corpo escultural. Mais uma das várias que fazem fila pra deitar na minha cama — e sumir logo depois. Me levanto sem olhar pra trás. Banho gelado. Terno sob medida. Relógio suíço. Perfume amadeirado. Máscara de CEO no lugar. Desço as escadas com a certeza de que o inferno corporativo me espera. — Bom dia, senhor Alencar — cumprimenta Ana, a governanta. — Bom dia, Ana. — Respondo seco, pegando minha xícara de café. — Quando a moça do meu quarto acordar, mande-a embora discretamente. Aline pode aparecer, e não estou com saco pra mais uma cena. — Mais uma, senhor? Já perdeu a conta? Vai tomar jeito um dia desses ou vai continuar colecionando escândalos? — Ana... — ergo o olhar. — O que eu faço — e com quem faço — não é da sua conta. Apenas obedeça. Já tenho problemas demais com a Aline me seguindo como uma sombra. — Claro, senhor. Como quiser — responde, mordendo a língua como sempre. Termino meu café. Sem pressa, mas também sem vontade. O dia promete ser uma tortura. Tenho uma fila de candidatas pra vaga de secretária. De novo. A última tá lá em cima, provavelmente ainda roncando na minha cama. Clichê. Basta mostrar um relógio caro e uma taça de vinho que elas abrem as pernas. Todas iguais. Já virou rotina: contrato uma, fodo, e demito no dia seguinte. Não sou babá de carente. E definitivamente não preciso de mulher gritando que me ama depois de um boquete bem-feito. Saio de casa, entro no meu carro de luxo, afundo no couro e deixo o ronco do motor me lembrar que, ao menos isso, eu controlo. Estaciono na frente da empresa. Armani impecável. Óculos escuros. Foco no prédio. Mas a p***a do universo adora brincar comigo. — Ai! — Um baque. Algo quente. E o som de café espirrando. Olho pra baixo. Camisa branca. Café preto. Merda total. — MAS QUE p***a! — rosno. — Você não olha por onde anda? — De-desculpa, senhor… eu não vi… — Você destruiu uma camisa que custa mais do que seu salário do ano, sua desastrada! — Eu posso... posso pagar... — ela gagueja, encolhida. — Nem se você trabalhasse uma década, querida. Agora sai da minha frente antes que eu perca o resto da paciência. — Eu já pedi desculpa, seu arrogante! Quem você pensa que é pra tratar alguém assim? Paro. Ergo o rosto. Encosto um passo no dela. — Olha a boquinha, princesa. Antes que você diga algo que te faça perder o que resta da sua dignidade. E entro no prédio. Mas claro que a mocinha tinha que gritar pelas minhas costas. — RETIRO MEU PEDIDO DE DESCULPAS, SEU BABACA CRETINO! BEM FEITO! Ignoro. Mesmo com a mancha ridícula na camisa, sigo até minha sala. — O que foi isso? — pergunta Scott, meu sócio, me encarando com deboche. — Uma garota desastrada se achando rebelde. — O dia promete, hein? — Já começou uma merda — retruco, passando direto. Scott é meu parceiro desde moleque. Assumimos a empresa juntos, no lugar dos nossos pais. Mas, ao contrário dele, eu não finjo ser um bom moço. Eu sou o vilão da história. E gosto de deixar isso bem claro.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD