Uma proposta irrecusável

1141 Words
FLASHBACK _Maria Alessandra, vá se aprontar, já são oito da manhã!_gritou minha mãe, terminando de preparar o café, o cheiro forte já pairava pela casa e eu calcei meus tênis, enquanto meu pai assistia o jornal. _Papai, você irá até lá me ver?_perguntei, ansiosa.Afinal, era a minha primeira apresentação no colégio aquele ano e eu tinha ensaiado muito a música de natal que iríamos cantar. _Como eu poderia perder? Você só fala nisso, Maria, estou tão ansioso quanto você!_ele respondeu me dando um abraço apertado e me fazendo cócegas, antes da minha mãe entrar na sala e me apressar, para não perder o ônibus que passava todos os dias as 8:30. Eu tinha onze anos de idade e minhas melhores companhias eram meus pais e minhas bonecas, quando não estava na escola, estudando, estava em casa, vendo desenhos e brincando com o meu pai, ele era um homem extraordinário que procurava de todas as formas nos ver bem sempre. _Tchau minha filha, daqui a pouco estarei lá, eu prometo!_ele disse antes que eu entrasse no ônibus, foi a última vez que o vi. Quando chegou o momento da apresentação e eu não o vi, não entendi e com a minha inocência infantil, achei que ele talvez pudesse estar chegando ou que tivesse tido algum problema até perceber que ele realmente não iria e ser chamada pela diretora logo após a apresentação. _Maria, você irá precisar ficar mais um tempinho, sua mãe irá se atrasar um pouco para lhe buscar, houve um problema._ela disse, alisando minhas mãos. _Que problema?E por quê minha mãe vai vir me buscar e não o meu pai?_perguntei, confusa. _Eu acho melhor a sua mãe lhe contar, querida. _Eu quero saber, Cordélia, o que aconteceu?_perguntei novamente, esperando que ela falasse. _Maria, infelizmente aconteceu uma fatalidade._ela deu uma pausa e respirou fundo._O seu pai foi assassinado quando estava a caminho da sua apresentação. Tudo ficou cinza naquele momento, as lágrimas saíram dos meus olhos instantâneamente, eu nunca tinha sentido aquilo antes, um vazio, como se tivesse levado um soco no meio do estômago.Cordélia não sabia se me abraçava ou se continuava afastada, não a julgava até porque eu era apenas uma criança e na cabeça dela já devia estar arrependida por ter carregado o fardo de ter me dado a notícia. Posso dizer que aquele foi o pior dia da minha vida, Cordélia me levou para sua casa e passei uns dias lá com a autorização de minha mãe, enquanto ela resolvia as coisas do enterro e tudo mais.Enterro esse que eu não fui, não porquê não haviam deixado, mas sim porque eu não conseguiria ver meu pai naquela situação, era impossível para mim. _Vai ficar tudo bem, Maria Alessandra, agora seremos você e eu._disse minha mãe naquele dia e eu prometi a mim mesma que cuidaria dela e que um dia, iria descobrir a razão pela qual levaram a pessoa que eu mais amava na vida. ******* A semana seguinte na empresa foi a mesma, a correria de sempre aliada ao cansaço começavam a me fazer se questionar se realmente valia a pena continuar trabalhando ali, mas todo esse questionamento era deixado de lado quando eu via o sorriso orgulhoso da minha mãe quando eu chegava em casa depois de um dia intenso.Seus remédios estavam em dia e sua saúde também, graças ao salário que eu estava ganhando, estava conseguindo levá-la em suas consultas. Eu não tinha mais visto o Carlos Daniel, talvez pela falta de tempo, mas em uma manhã de sexta, enquanto eu saía por última do estúdio, como já era de costume, encontrei algo no chão em frente a porta. _O que é isso?Um buquê de rosas?_eu sussurrei me abaixando e pegando as lindas rosas vermelhas e havia um bilhete. "São rosas para demonstrar um pouco da minha admiração pela senhorita." Estavam sem remetente, mas me perguntei se não seria o dono da empresa quem teria mandado.Fui na direção do elevador e enquanto aguardava, olhei para a porta de sua sala e consegui ver a luz de dentro acesa.Estava prestes a entrar no elevador, quando o escutei me chamar. _Maria Alessandra, preciso falar com você!_barrei a porta e saí ao encontro de Carlos Daniel, que logo olhou com curiosidade para as rosas em minhas mãos._Bonitas rosas._ele disse, erguendo a sobrancelha. _Ah, sim, essas rosas.Eu estava saindo do estúdio quando as encontrei na porta com um bilhete._então não tinha sido ele? Logo pensei. _Então quer dizer que tem um admirador secreto aqui na empresa?_ele perguntou com ironia. _Bom, não faz diferença.Sobre o que queria falar?_ele continuou olhando para as rosas, incomodado, parecia ter ficado estressado de um momento para o outro. _Ah sim, claro.Eu quero lhe fazer uma proposta, caso tenha interesse._ele abriu a porta para que eu entrasse._Vamos conversar melhor no escritório._Me sentei na cadeira a sua frente, ele apoiou os braços na mesa, antes de começar a falar._Eu tenho percebido o quanto é esforçada e profissional em seu trabalho, Maria Alessandra. _Obrigada, Sr. Carlos Daniel.Eu procuro me dedicar ao máximo. _Eu preciso fazer uma viagem de negócios por um mês para Londres, mas preciso de alguém para me ajudar com a papelada e me lembrar das reuniões e tudo mais, pois sou um homem muito esquecido._ele disse, pensativo.Eu não sabia onde ele queria chegar. _Então o senhor vai levar uma secretária, é isso? _Sim, era a ideia inicial, mas fiquei pensando em lhe fazer essa proposta. _Eu? Mas eu sou apenas uma modelo fotográfica, Senhor._eu disse, assustada com a proposta dele. _Sim, eu sei, mas não pensa em conquistar um cargo mais alto no futuro? Você é uma mulher competente, Maria Alessandra, preciso de pessoas como você na minha equipe._sorri um pouco sem graça, nunca tinha me imaginado como secretária do CEO da empresa, isso era grande demais e eu não sabia se conseguiria me adaptar. _É uma honra ser convidada para isso, Senhor, mas eu tenho a minha mãe, não teria com quem deixá-la por um mês inteiro. _Isso não é um problema, Maria Alessandra, eu posso contratar a melhor babá do México para cuidar de sua mãe em tempo integral. _Eu não posso aceitar tanto, senhor, o que toda a empresa iria pensar de mim?_eu questionei, me levantando, ele se levantou logo em seguida, segurando minhas mãos, senti um leve tremor no corpo. _Iriam pensar que você é uma grande profissional para que eu faça tanta questão da sua presença nessa viagem. Eu prometi pensar e dar a resposta até o dia seguinte ao Carlos Daniel, minha cabeça tinha acabado de se encher de questões e perguntas.Eu não entendia porquê ele fazia tanta questão de que logo eu fosse, tinham profissionais muito maiores ali dentro.Desci no elevador ainda com aquelas rosas misteriosas na mão, que eu ainda não fazia ideia de quem havia mandado, pensando se aceitava ou não a proposta dele.
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