Atração entre opostos

928 Words
Fazia uma semana que eu tinha começado e o trabalho apesar de não parecer, era bem agitado.Eu chegava, Tom, o fotógrafo já me trazia as roupas que eu usaria no dia e eu me vestia enquanto ao mesmo tempo, a maquiadora e cabeleireira, me arrumava.Era uma correria, eu não conseguia fazer mais nada e quando saía do estúdio, ia direto para casa. Em uma semana eu ainda não tinha visto o dono da empresa novamente, não que eu quisesse, mas eu era grata pela chance que ele havia me dado, mesmo sem experiência nenhuma. _Hoje é sábado, Maria Alessandra, hoje nós geralmente trabalhamos até um pouco mais tarde por conta da quantidade de fotos._disse Tom, assim que eu cheguei. _Por mim tudo bem, eu não tenho nenhum compromisso além do trabalho._deixei minha bolsa no armário e fui me arrumar.O dia foi intenso e não foi um exagero, realmente foram muitas fotos e quando terminamos, já deviam ser umas oito da noite e eu estava exausta. _Maria Alessandra, eu não vou poder esperar você se trocar hoje, tenho um encontro e já estou atrasado!_ele disse, empolgado, claro que eu não iria me importar em sair da empresa sozinha. _Pode ir, Tom, espero que seu encontro seja ótimo! _Muito obrigado, vou correr, beijos._ele disse saindo pela porta.Naquele horário eu poderia supor que só houvessem os seguranças na empresa, o expediente acabava as cinco e eu não conseguia mais ouvir as vozes lá fora. Troquei de roupa e saí pelo corredor, o mesmo já estava escuro.Para chegar até os elevadores, eu tinha que passar na frente da sala do Carlos Daniel, que diferente das outras, não estava com a porta trancada.Contive minha curiosidade e continuei andando quando escutei uma voz me chamar. _Maria Alessandra?_era ele mesmo. _Oi Senhor Carlos, ainda por aqui?_perguntei, meio sem jeito. _Ia lhe perguntar a mesma coisa, o que faz por aqui ainda, uma hora dessas?_ele sorriu , foi a primeira vez que vi como seu sorriso era bonito. _Estava fotografando até tarde hoje._eu sorri, prestes a me virar para entrar no elevador._Bom, vou indo, bom fim de noite para o Senhor. _Você não quer aproveitar que já estamos aqui e aceitar um convite para jantar?_ele parecia envergonhado, eu me virei e sorri, por quê não? _Sim, claro, é uma boa idéia. Ele me levou no seu carro a uns dos restaurantes mais caros da cidade, fiquei fascinada com tanto luxo, eu não estava nem arrumada para isso. _Esse restaurante é incrível..._eu disse me sentando na cadeira, ele me olhava com um olhar curioso. _Você gostou, sempre venho aqui quando tenho um tempo, a comida deles é excepcional._ele fez o pedido e enquanto a comida não chegava, tomávamos um vinho._Mas me conte mais sobre você Maria Alessandra, você sempre morou no México? _Sim, desde sempre, antes da morte do meu pai as coisas eram diferentes, mas aí ele morreu e minha mãe adoeceu._suspirei tomando mais um gole do vinho._Ás vezes eu me culpo pela morte dele. _E por qual motivo poderia se culpar pela morte do seu pai? _Porque no dia em que ele foi assassinado, ele estava indo ver uma apresentação minha no colégio._Carlos Daniel me olhava, seu olhar estava distante, vago. _Eu entendo, imagino como deva se sentir._ele fitava o horizonte, parecia estar bem longe dali, com a cabeça em outro lugar. ******** Jantamos e me ofereci para levá-la em casa, depois do assunto sobre a morte de seu pai, eu não me senti mais a vontade para continuar com aquele assunto, eu acabei me lembrando de coisas horríveis que já havia feito e isso foi um gatilho. Eu não ia chamá-la para jantar, mas tomei coragem e o fiz.Sabia que não deveria levar isso para frente, mas ela me atraía demais, pela primeira vez em anos, eu me sentia assim. _É aqui que você mora?_perguntei quando ela me mandou parar numa vila de casas que para mim, não era tão estranha.Era como se eu já tivesse ido ali antes, mas já estava escuro, então não pude ter certeza. _Sim, é aqui Senhor, muito obrigada por me trazer aqui._ela respondeu, me olhando com um olhar doce, eu conseguia sentir o cheiro do vinho vindo dela. _Imagina, não precisa me agradecer...Acho que nos vemos na Segunda-feira então?_eu perguntei, sorrindo, estava sendo ridículo falando como um jovem descolado.Ela assentiu e desceu do carro, entrando na vila de casas simples e humildes.Ela era uma mulher que tinha o seu valor e eu tinha constatado isso no jantar, em nenhum momento ela demonstrou interesse no meu dinheiro ou no que eu poderia oferecer ali.Ela demonstrou ser uma pessoa de caráter e isso chamou ainda mais a minha atenção. _Chegou tarde, meu filho.Onde esteve?_perguntou minha mãe quando eu cheguei, tirando a gravata. _Trabalhei até tarde hoje, e jantei fora.Não estava me esperando, estava? _Oh não, meu filho, só estava te esperando por preocupação minha._ela sentou-se no sofá._Você sabe como eu sou.Só acho curioso você jantar fora, não é de fazer isso, pelo menos não sozinho. _Mas eu não estava sozinho..._eu disse, tomando um copo de água, enquanto ela me olhava com um sorriso. _Ah, então quer dizer que você estava acompanhado.Posso saber por quem? _A Maria Alessandra, mãe._ela já sabia o nome dela, depois que eu havia falado sobre ela a primeira vez, ela me perguntava todos os dias. _E como foi?_perguntou, tentando disfarçar sua felicidade. _Um jantar, mãe, foi só um jantar._subi as escadas até o meu quarto, me deitei na cama de casal que há anos eu já ocupava sozinho e pensei se isso em breve poderia mudar.
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