Tem gente que tira nossa solidão, mas que realmente não quer ser a nossa companhia. Tem também aquela pessoa que fica com a gente quando sobra tempo, mas também existem aqueles seres de luz que arrumam tempo para ficarem com a gente. Como pode imaginar, este é o caso de Zoe e Belisário.
— Eu te amo meu amor. — sussurrou Zoe antes que daquele rio de emoções voltasse a percorrer seus corações.
— Eu também te amo, meu amor. — gesticulou Belisário em LIBRAS, tendo em vista que agora, ela entende.
Belisário respondeu de maneira calma e serena, fez questão de que quando acabasse de gesticular, pudesse repousar e tocar suas mãos leves no rosto de Zoe, com todo o cuidado e carinho do mundo.
Ele tocava em seu rosto, claro, mas ele estava conseguindo tocar no fundo de seu coração enquanto emocionava sua alma.
Como já mencionei no capítulo passado, realmente parecia que o dia conspirou para mais este encontro. Que o clima ensolarado pedia por este momento. O casal se aproveitou do fato de já estarem próximos o suficiente que voltaram a se encarar daquela forma romântica de antes. Belisário passou a outra mão no rosto de Zoe que encostou sua testa com a dele. Os dois eram românticos demais para não fazerem aquilo.
Houve aquela troca de olhares em direção à boca. Os lábios úmidos dele finalmente iria se reencontrar com aqueles mordidos dela. A respiração profunda e acelerada alertava o que viria a seguir; os beijos trocados no rosto próximos a boca, soavam como sussurros no ouvido!
Se tratavam de declarações e confissões de afeto e carinho que finalmente terminaram num lindo beijo delicado e amoroso, finalizando com selinhos suaves e rostos colados. Eles trocaram sorrisos entre os beijos e mordidas nos lábios, revelando todo o afeto, carinho e acima de tudo, a i********e entre os dois.
— Você sabe o que eu quero, certo? — sussurrou Zoe calmamente para que Belisário entendesse.
— Aqui e agora? — sinalizou.
— Aqui, não! Mas no quarto, sim, e agora. Tem como?
— Claro.
Os dois foram se agarrando e se beijando até a cama de Zoe. E eu sei que você entendeu o que eles irão fazer, certo? EU SEI QUE VOCÊ SABE! Hoje é o dia perfeito pra perder a conta de quantas saideras, ver o que a noite reserva, um corpo-a-corpo, suadeira, muita i********e e brincadeira. Mas enfim, vamos até outro ponto da obra, pois o nome do capítulo é conspirações e não reaproximações, certo? Seguimos!
Estamos precisamente no Aeroporto Internacional Tom Jobim, ou simplesmente, Aeroporto do Galeão, que anteriormente já foi chamado de Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Este é um aeroporto internacional no município do Rio de Janeiro, que atualmente é o segundo maior aeroporto do Brasil em movimento internacional. Caso venhamos a considerar o movimento de passageiros domésticos, ele é o sétimo maior aeroporto do país em movimento. Diversas companhias aéreas operam no Aeroporto Internacional Tom Jobim com rotas ligando-o à cidades dos continentes da Europa, África e América do Norte, Central e do Sul, além das rotas domésticas.
Para melhor nos ambientarmos, preciso mencionar que o Tom Jobim está localizado na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente na Ilha do Governador, distante em cerca de vinte quilômetros do Centro da cidade. Possui o maior sítio aeroportuário em área total dentre todos os aeroportos do Brasil, e é também o que tem a maior pista de pouso e decolagem comercial do país, sendo a mais importante porta de entrada aérea para todo o estado do Rio de Janeiro.
Galeão é o bairro localizado na Ilha do Governador, no município do Rio de Janeiro que se destaca por abrigar o Aeroporto, além de diversas outras instalações da Aeronáutica. Possui uma gigantesca área de hectares, sendo, assim, o maior bairro da Ilha do Governador. Mas como não sou nenhum aviador, tão pouco, guarda florestal, vamos nos atentar aos fatos da narrativa.
O ir e vir das pessoas nesta região é constante, mas em épocas de grandes eventos nacionais e internacionais, torna-se ainda maior e pior. Como estamos à cinco dias da a******a da Bienal Internacional do Livro RJ, todo o mundo literário centra o seu foco nessa região, e não para menos, quem acabou de descer na cidade carioca, foi um grupo que merece destaque daqui para a frente.
Vamos chamá-los de 'conspiradores', daqui em diante, pois se nossa história se passasse num mundo de fantasia ou na idade média, eles realmente estariam usando um capuz n***o e armas poderosas, seriam temidos e poderosos. Seus nomes fariam qualquer um tremer de medo, mas como estamos ambientados num romance atual em plenos dois mil e dezenove, os vilões estão sempre trajados de terno e gravata, são bem estudados e estão sempre apertando mãos, sendo muito bem relacionados com todo o mundo.
— Finalmente chegamos, não vejo a hora, meu coração já estava saindo pela boca, não aguentava mais ficar sentado naquele banco. — reclamou Giovana.
Ela é a principal secretária da organização, além de uma importante influencer literária, bem como filha do Senhor Gonçalves.
— Para falar a verdade, não demorou tanto assim, pois o tempo estimado de voo entre São Paulo e o Rio de Janeiro, se levarmos em consideração os cálculos do tempo baseados na distância entre as duas cidades em linha reta, não passa de cinquenta e oito minutos e especialmente hoje, nós levamos apenas cinquenta e seis minutos de voo. — argumentou Trevor, o melancólico chefe de TI da organização.
— Primeira viagem de avião ou no Rio de Janeiro? Vocês parecem nervosos, falavam pelos cotovelos o tempo todo. Esta é a primeira vez que venho para cá de avião, sempre que venho, é de ônibus, demora mais, mas é bem mais em conta. — brincou Felipe, o namorado da Lilian e designer de capa da organização.
— Vocês reclamam demais, m*l consigo ouvir meus pensamentos, uma é ansiosa com tudo e o outro sabe de tudo. Porque não podem ser como o Felipe? Ele ficou quieto a viagem inteirinha! — reclamou Sheila, a CEO do Brasil da organização.
Para termos um melhor entendimento da situação, caso ainda não tenha percebido, estes são os personagens apresentados no primeiro ato do livro. Os funcionários do alto escalão do escritório da Nightmeare Brasil que saíram de São Paulo, única e exclusivamente para poderem participar da Bienal Internacional do Rio.
— Você tem uma namorada aqui, não tem? — questionou Giovana,
— Tem? Mesmo morando em São Paulo? — perguntou Trevor.
— Tenho sim, mas eu realmente quis fazer uma surpresa para ela, logo, não a avisei sobre a minha vinda para cá, tão pouco sobre o meu novo emprego. — respondeu Felipe.
— Você havia me dito que ela era escritora também, certo? — pontuou Sheila.
— Sim!
— Depois, me dê o seu contato, tenho certeza que ela aprovará o nosso esquema. — ofereceu Sheila.
— Senhora, eu não sei se ela gostaria de publicar com vocês...
Giovana e Trevor se encararam, sabiam que Sheila responderia à altura.
— Sua namorada não gosta de dinheiro?
— Não à esse ponto. Dinheiro não pode ser o que sustenta tudo, nossa sociedade ainda não está condenada à esse ponto. — argumentou.
Enquanto caminhavam para a saída do aeroporto, Sheila sentiu que era o momento para cuspir todo o seu veneno em seus adoráveis amigos.
— A sociedade não está condenada? Meu jovem, chega a ser brincadeira o que me diz. Quando você perceber que para produzir, precisa da autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas que são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e toda a honestidade se converte em autossacrifício e que dinheiro é a resposta para tudo, então poderá afirmar, sem temor de errar, que está sociedade está condenada.
Felipe, Giovana e Trevor sentiram as duras palavras de Sheila com exemplos cotidianos e diários.
— O que foi gente? Não sou eu quem faz as regras, eu apenas as cumpro. E andem logo que a nossa carona acaba de chegar. — respondeu Sheila apontando para uma van branca.
— Como assim? Nossa carona? Achei que iriamos pegar um Uber. — expôs Giovana.
— Eu também. — respondeu Trevor.
— Pensava isso também. — argumentou Felipe.
Sheila que já estava perto da van, teve o trabalho de se virar para eles, apenas para rebater cada um com a grosseria de sempre.
— Vocês já se esqueceram?
Todos olharam com cara de espanto.
— Quem é que veio para o Rio de Janeiro primeiro, apenas para promover o livro?
Sequer deu tempo deles chegarem num acordo para encontrar a resposta, pois na hora em que a porta lateral da van se abriu, Angélica saiu correndo para abraçar Giovana.
— Como eu poderia me esquecer do meu bebê! — brincou Giovana.
— MAS VOCÊ SE ESQUECEU DE MIM, SIM! — reclamou Angélica.
Trevor e Felipe ficaram rindo um pouco descolados e desgarrados da situação.
— Preciso apresentá-la à eles. — disse Giovana.
— Quem são eles?
— Este é o Felipe, foi ele que desenhou e pensou em todo o designe de capa e das postagens que usamos para o livro e em tudo o que é relacionado à você.
— Prazer! — respondeu Felipe.
— Muito obrigado por tudo. — agradeceu Angélica.
— Este é o Trevor, o rapaz que monitora as visualizações da plataforma, principalmente as suas.
Os dois, num primeiro momento, meio que se encararam de forma tensa, mas logo quebraram o gelo.
— Prazer, você escreve muito bem, escritora robô.
— Tenho certeza que não chegaria aonde cheguei se você não me ajudasse, técnico.
Por algum motivo desconhecido para nós, a tensão entre eles era grande.
Contudo, o clima que se formava nos bancos da frente na van, era ainda mais tenso.
— Como vai gentil senhor?
— Como vai gentil senhora?
Gonçalves e Sheila se tratavam fria e duramente. Eles eram o m*l necessário um para o outro, algo que servia apenas para cumprirem seus objetivos clássicos.
— O Rio de Janeiro é mais quente do que eu poderia imaginar, sair do Rio Grande do Sul e ficar aquela temporada em São Paulo já foi difícil, mas passar quinze dias aqui, será ainda pior. — respondeu Sheila.
— Esse lugar é uma desordem total, nunca sei quando serei roubado ou morto pelas pessoas, tudo aqui é desorganizado, as pessoas te olham atravessado e cobiçam suas coisas, quero ir embora logo. — respondeu Gonçalves.
Mas então, após responderem seus questionamentos, os dois se olharam com destreza.
— Mas nós só podemos ir embora... — argumentou Sheila.
— Quando... — expôs Gonçalves.
— Concluirmos as coisas.
— Certo?
Pelo menos na ambição, os dois combinam.
— E a reunião? Quando vai acontecer? Eu trouxe tudo o que o senhor me pediu, certamente os dados da Angélica serão úteis para aquilo que você deseja. — pontuou Sheila.
— Acontecerá no primeiro dia da Bienal, a principal sócia estará ocupada demais, então, nós agimos.
— Ótimo! — respondeu Sheila.
— Quando ao nosso outro ponto, fique tranquila, acontecerá no segundo dia do evento, pois a cúpula dos mandachuvas querem fazer anúncios grandes ao fim da Bienal. — expôs Gonçalves.
— m*l vejo a hora disso acontecer, não aguento mais o Brasil.
— As coisas estão dando certo, se acalme. — brincou Gonçalves.
"Assim eu espero, já me arrisquei e investi demais para acabar num outro lugar que não seja o topo". — pensou ela.
"Afinal, elas tem que dar certo, eu não sei o que acontecerá se não derem". — pensou ele.
— Crianças, vamos embora. — chamou Gonçalves.
— Sim.
— Ótimo.
— Vamos.
— Até que enfim.
Angélica, Giovana, Felipe e Trevor passarão por longos momentos juntos daqui para frente. Este é o núcleo rival ou o inimigo daqui em diante, cuidado com eles.
— E as novidades? — brincou Giovana.
— Eu quase perdi essa pestinha! ELA SUMIU NO PRIMEIRO DIA! — reclamou Gonçalves.
— Não brinca? — Sheila caiu na gargalhada.
— Foi no segundo dia! Não inventa, tá? Você aumenta demais as coisas, dizer que eu não perdi os prazos, ninguém diz! — reclamou Angélica.
— Mas minha filha, ninguém nota os nossos acertos, mas tente falhar pra você ver quantos dedos nos apontam. — respondeu Sheila.
— Escritora robô? Essa garota está mais para gênia indomável, isso sim. — pontuou Gonçalves.
Todos na van começaram a rir.
— Deixando isso de lado, você já disse à Giovana o que aconteceu quando deu a sua escapada?
Angélica engoliu a seco.
— O que aconteceu? — questionou Giovana.
— Eu nem sei como encontrar palavras para definir o que rolou naquele dia.
— Como assim?
— O que ouve?
Felipe e Trevor estavam tão confusos quanto Sheila e Giovana.
— Lembra-se do Bê? Aquele meu amigo...
— O garoto que você queria pegar e a mãe dela não deixava? — brincou a amiga.
— Preste atenção nisso. — disse Gonçalves para Sheila.
— Fui na casa dele, mas descobri que ele está namorando.
— Pela idade e o tempo que passaram separados, isso era até que bem óbvio, não?
— Mas ele não está namorando com qualquer uma, ela está namorando com a Zoe! — expôs Angélica.
Felipe imediatamente deu um pulo do assento. Não podia imaginar.
— E a mãe dele é a CEO da Bienal do Livro, sentiu o drama? — revelou Gonçalves.
Sheila colocou a mão na boca horrorizada.
— O destino é realmente uma piada, não? — respondeu ela.