Recentemente, muito se tem discutido, acerca do perdão e da reaproximação para com outras pessoas. Seja um primo, um amigo, um tio ou até mesmo, problemas maiores como quando nos afastamos de um irmão, ou até mesmo, nosso pai ou nossa mãe.
Não há dúvidas de que o clima ensolarado pareceu ter contribuído um pouco com a situação que se desdobrava a seguir. Não estou afirmando que devemos esperar dias de sol para conseguirmos nos reaproximar dos nossos parentes, mas o clima quente será a desculpa para ligar o ar-condicionado e é com ele ligado que a verdadeira reconciliação acontecerá. Continue.
"Calma, vamos avaliar a situação Miguel. Deve haver um motivo muito específico para ela estar aqui de boa vontade. Pensando sobre a situação da maneira mais objetiva que posso, sei que mesmo ela estando aqui, duvido muito de que ela não esteja mais envolvida no conflito que tivemos. Mesmo que hoje eu tenha sido magoado, devo considerar a possibilidade de tê-la magoado também. Talvez eu devesse agir de alguma maneira mais sutil da que eu realmente ajo". — ponderou Miguel, refletindo sobre o que aconteceu.
— Bom dia primo. — respondeu Agnes de cara amarrada.
"Pensando por outro lado, se quem errou foi ela, devo pensar no que fiz e no motivo dela ter tomado as atitudes que tomou para que eu não possa errar novamente". — nosso anti-herói parecia ter concluído o pensamento.
— Bom dia prima, a que devo a honra da sua visita? — respondeu Miguel sarcástico.
Creio que Miguel esteja fazendo o certo, e olha que é mais difícil para mim concordar com ele, do que para com qualquer um. Quero dizer que ele está tendo todo o cuidado ao fazer presunções. Afina, se parece que não há uma razão específica para o distanciamento, não devemos tirar conclusões precipitadas. Pode ser que não tenha a ver com você, mas sim com o que o próximo esteja passando.
— Vim falar contigo, mas você nunca está em casa, não é mesmo? — debochou.
"Devia ter planejado com antecedência o que eu iria dizer, do jeito que estamos lidando com isso, simplesmente parece que eu ainda estou com raiva do ocorrido. Se eu mesma já havia concluído de que precisava pedir desculpas, deveria ser mais pacífica e ir um pouco mais com calma, sendo sincera comigo e com ele mesmo." — imaginou Agnes, pensando sobre como poderia abordar a situação.
— Sou um homem ocupado, você me conhece, não posso ficar parado por muito tempo no mesmo lugar. — pontuou Miguel, rebatendo a ofensa.
"Se ele me ignorou porque queria dedicar boa parte do tempo à sua namorada, realmente não acho ser apropriado me desculpar por ele querer dedicar-se para com alguém. Em vez disso, ele deveria ter falado o que sentia e porque sentia. Não irei pedir desculpas então." — ponderou Agnes reflexiva consigo mesma.
— Nossa gente, vamos dar um tempo nos ânimos, por favor?
Miguel e Agnes a encararam.
— Eu quero saber do meu livro, depois vocês podem se m***r como bem entenderem, ok? — brincou.
Devo dizer que a interrupção de Luciana foi pontual e necessária.
— O que achou da escrita dela?
— Estive mais atenta às suas correções e revisões durante o texto.
— COMO ASSIM? — exclamou Lu.
— Não, calma, não é algo r**m, no primeiro capítulo pude ver que você sabe escrever bem, mas se quer escrever assim, tem algumas verdades que precisa entender sobre livros neste estilo.
— Tipo? — questionou Miguel cruzando os braços.
— Você, melhor do que ninguém, deveria saber que eles não são apenas uma história inventada. Certo?
— Sei que independente do gênero, 90% dos livros de ficção quer compartilhar com o leitor um fato real através de personagens fictícios. — pontuou Miguel.
— O que querem dizer?
— Que me referir que a maioria das pinceladas do Miguel são quanto ao seu roteiro conveniente quando deve ser, você tem uma mensagem para passar, foque nela, mas torne as coisas mais humanas. O Miguel ainda não corrigiu os três últimos capítulos e você ainda não finalizou a obra, certo? — ponderou Agnes.
Miguel e Luciana concordaram.
— Então faça como eu te pedi. Conclua e dê tudo para Miguel corrigir, mas deixe o final em aberto, pois planejo um segundo volume ainda maior. Do jeito que você escreveu, o livro mais parece um conto estendido do que um romance propriamente dito, ok? — opinou Agnes.
— YES! — comemorou Miguel.
— Oi? O que? Final aberto? Como assim? — Luciana estava claramente perdida.
— Ela quer dizer que aceitou o seu original e que irá publicá-lo!
— EU TÔ SURTANDO!
Miguel e Luciana comemoraram abraçados, pulando e gritando felizes.
"Não consigo não sentir ciúmes desta cena". — pensou Agnes saindo do quarto.
— Vou deixar vocês comemorarem um pouco mais, tudo bem? Mas preciso disso para segunda, tanto a finalização quanto a revisão concluída, ok? — ordenou ela.
— Sim!
— Pode deixar! — Luciana imediatamente se sentou na cama e voltou a escrever.
"Estou explodindo de ideias, tenho que começar imediatamente". — imaginou.
Ao se virar para sair do quarto, Miguel puxou Agnes pelo ombro.
— Espere um minuto. — todo o corpo de Agnes se arrepiou.
— Desculpe te assustar, mas será que pode levar a minha carteira de trabalho para sua mãe? — completou ele.
— É sério que ela te prometeu um emprego de carteira assinada?
— É sério que você ainda se aborrece por conta disso?
— Vamos logo, quero ir embora desse chiqueiro logo.
— EU OUVI ISSO HEM! — brincou Luciana.
Os dois saíram do quarto da Lu e caminharam até o do Miguel, que como lembra, fica ao lado.
— Anda logo, tenho pressa. — reclamou.
— Está em algum lugar do meu guarda-roupas, perdão.
Agnes esticou o olho por de trás do ombro dele.
— Em algum lugar da sua mala de viagens emprestada que tu roubou de mim, não é mesmo?
— Se não lembro, não fiz. — rebateu.
— Vai dizer que se esqueceu de tudo? i****a.
— De tudo, tudo, também não, né? — brincou.
Agnes percorreu o lugar com seus olhos.
"Parece ser um pouco melhor que o quarto da Luciana".
— Fecha a porta aí, por favor, quero ligar o ar-condicionado.
— Não tinha percebido que você tem um, perdão.
Ao entrar e fechar a porta, Miguel ligou o ar, o que fez com que a luz tivesse diminuído de força ligeiramente rápido.
— Legal essa energia aqui, viu? O eletricista tá de parabéns. — debochou.
Agnes se virou de costas para Miguel, irritada.
— Sabe quem mais está de parabéns?
— Quem?
No momento em que Agnes se virou, Miguel lhe girou pela cintura e lhe encarou nos olhos. Ele se curvou até o ouvido dela e sussurrou.
— Você tá de parabéns, se com roupa é assim, imagina sem?
Todas as extremidades do corpo de Agnes tremeram. Mas ela não perdeu tempo e tratou de se esfregar no tronco dele pela cintura e concluir com outro sussurro.
— Estava com saudade, não estava?
Os dois ainda não haviam se beijado, tudo o que aconteceu foi a aproximação das bocas, o desejo e a conquista. Sem sombra de dúvidas que eles queriam, mas não dariam a cara a t**a tão rapidamente.
— Mas e aquela novinha que você pega?
— A Marcely não mora mais comigo à muito tempo.
— Marcely? Eu tava falando da Luciana.
— Eu não pego ela, tá doida?
— Mas parecia!
— Sabe o que mais parece bonito?
— O que? — questionou Agnes.
Miguel a pegou pela cintura, levantou e a jogou na cama. Ele se virou para a porta e trancou com a chave. No momento em que se virou para Agnes, ela já estava tirando a blusa.
— Sem beijos? — questionou ele.
— Sem beijos! Somos primos afinal de contas. — brincou ela.
O clima certamente estava propício para tal. Afinal, estamos numa sexta-feira. Para muitos, não significa absolutamente nada, mas para o carioca? Significa que hoje é o dia de beber o delicioso suco da confusão!
E desse néctar divido, tanto Miguel quanto Agnes parecem beber direto da fonte.
Como bem sabe, o Rio de Janeiro é uma grande cidade brasileira à beira-mar, extremamente famosa pelas praias de Copacabana e Ipanema, e por outras milhares espalhadas por todo o litoral. É famosa pela estátua de exatos trinta e oito metros de altura do Cristo Redentor, no topo do Corcovado, e pelo Pão de Açúcar, um pico de granito com teleféricos até seu cume. A cidade também é conhecida pelas grandes favelas. O empolgante Carnaval, com carros alegóricos, fantasias extravagantes e sambistas, é considerado o maior do mundo. Também pelo Maracanã, o templo do futebol mundial e pelo Flamengo, clube de maior torcida do mundo, onde o Ronaldinho Gaúcho já jogou, mas é onde o Zico manda.
Contudo, o que muitos desconhecem, é que o Rio de Janeiro é a capital mundial da promiscuidade noturna, da mistura confusa e desordenada de sentidos, destinos, bocas, beijos e abraços. Mas vamos deixar este confuso e surpreendente casal um pouco de lado e seguimos até a dupla de protagonistas que ainda estão no zero a zero mais disputado da história do futebol romântico.
— Já chegou o disco voador. — foi a mensagem que Belisário enviou à Zoe.
Uma referencia clara à Chaves, diga-se de passagem. Um dos muitos seriados que o casal realmente assiste junto.
— Eu estou no quarto, pode me esperar, por favor? — foi a mensagem que Zoe enviou à Belisário.
Os dois acabam formando o casal de namorados separados mais se dão bem no mundo. Sei que tem casal que está junto e não se suporta. Tem casal que está a tanto tempo junto que não ligam mais um para o outro e outros que ficam até parecidos de tanto estarem juntos. Tem casal que expõe tanta foto nas redes sociais, mas não são de verdade. Tem casal que se ama demais, mas simplesmente preserva a sua i********e.
Mas Zoe e Belisário realmente me fazem crer que o amor ainda existe, não são como os outros por aí que se separam por qualquer coisinha ou como Edmundo e Nanda.
Como diria o meu amigo Ferrugem: ‘Eu ainda acredito na boda de prata e na boda de ouro; Tem amor que é pirata, tem amor que é tesouro’.
Enfim, deixando um pouco o pagode de lado, o que eu quero me referir é que ter alguém para conversar do bom dia ao boa noite, é raridade nos dias de hoje. E essa dupla realmente entende e preservam este amor.
Belisário tomou a liberdade de ir até a cozinha e começar a preparar algo para comerem.
“Ela está ansiosa, então preciso preparar o melhor strogonoff de frango do mundo. Sei que ela ainda tem os materiais aqui, ela ama esse prato, mas não consegue fazer”. — imaginou Belisário.
“Quero que ele me ajude, mas não pode ser algo forçado, não quero que ele me veja como desesperada ou coisa do tipo, mesmo que eu tenha saudades daquele rosto, daquele sorriso e daquele cheiro, nossa! Melhor eu parar”. — pensou Zoe.
Nossa protagonista chegou à cozinha deslumbrantemente trabalhada num vestido preto brilhante que combinava com o seu shortinho roxo. Era uma roupa de sair que já estava um tanto velha, mas Zoe usa em casa tranquilamente. Belisário adorava aquele tomara que caia e os detalhes dele.
Assim que o rapaz notou a presença dela, não conseguiu parar de sorrir. Ele rapidamente implicou e enviou uma mensagem.
— Como conseguiu se arrumar sem mim? — escutou Zoe.
Ela prontamente rebateu a brincadeira com outra.
— A pergunta aqui é: como você consegue cozinhar sem mim, isso sim! — leu Belisário.
Desculpe a piadinha ridícula, mas ainda bem que Zoe era cega, pois só assim não iria enxergar Belisário babando e morrendo de amores por ela.
Nosso protagonista rapidamente pegou uma das mãos de Zoe e a fez deslizar pelo seu rosto, barba e cabelo. Zoe ficou impressionada com aquilo.
— É SÉRIO QUE VOCÊ CORTOU O CABELO? VOCÊ ESTÁ LINDO! — leu Belisário.
Zoe sabia que ele iria sorrir e mais uma vez passou a mão em seu rosto. Aquele era o momento certo para a reaproximação e Belisário sabia, não podia deixar aquilo passar batido.
Nosso herói puxou Zoe pela cintura, parecia que ela já esperava por aquilo. Desta vez eu realmente gostei da armação aprontada pelo deus do destino e a senhora casualidade.