Capítulo 2 - Raphaele - Cobrança

858 Words
Parte 1... Mesmo que quisesse se mover, Melissa não conseguiria. Não depois de tudo o que acabara de ouvir. Com dezenove anos de idade, já vira e ouvira diversas coisas sobre o pai. Sua mãe mesma fora uma das vítimas dele. Então, saber de mais essa loucura não era algo novo. — Então, como vai ser? Ela levantou a cabeça para olhar o rosto endurecido de raiva de Paolo. Como ela iria devolver algo que não tinha? Que conversa absurda esses homens traziam até a calma de sua casa? Como ela poderia ser cúmplice de algo tão errado? Logo ela? — Eu, eu não sei... Tudo isso é novo pra mim - suas mãos estavam frias. Olhou para o pai — Como pôde fazer isso comigo? — Ah, chega desse drama - Paolo ligou para John — Venha até aqui... Isso... Na mesma casa em que paramos na vinda - desligou — Daqui a pouco John vai chegar. — O que quer fazer? - Raphaele questionou. Raphaele era vingativo, mas o irmão quando queria era bem pior. Não queria que ela sofresse. Algo lhe dizia que ela não era culpada. Era como um sentido que o despertava. Ela não parecia mentir e suas reações eram bem sinceras. Podia ver que estava nervosa e seu corpo tremia. — Vamos leva-los até a delegacia onde passamos antes. De lá será mais fácil resolver tudo. — Esperem - William levantou — Eu não posso ser preso. "Ele" não pode? E quanto a ela? Melissa estava com um nó na garganta. Nunca na vida pensou em estar em uma situação como essa. — Espere um pouco irmão - Raphaele saiu da pequena sala, levando William consigo. — O que vai fazer? - William perguntou nervoso. — Por que sua filha vive aqui? Fale-me sobre ela. — Acredita que ela é inocente? - arregalou os olhos. — Pode ser - deu de ombros. William fez um resumo do que seria a vida de Melissa. Estudos, trabalho. Normal. Com exceção da questão dela morar sozinha porque sua mãe lhe deixou a casa antes de morrer e sua atual esposa não aceitá-la, de resto era a vida de uma garota comum. — Quantos anos ela tem? — Quase vinte. Raphaele pensou que tivesse quinze ou dezesseis. Ela parecia mais jovem do que é realmente. — Não tem namorado? — Não sei, talvez. — Para um pai, você é muito desinformado - fechou a cara. — É complicado. — Sei - deu uma risada irônica — Bem, isso não importa. Você vai devolver tudo o que desviou da empresa e talvez eu não o leve preso. Hoje. — Posso transferir tudo em no máximo vinte e quatro horas. William estava com expressão de medo e apertava as mãos. — Não é só isso. — O que mais? — Sua filha. William ficou na dúvida. — Quer que Melissa pague algo também? - franziu os olhos. — Ah, ela vai pagar...- disse sério — Como minha amante! *************** — Deixe-me ver se entendi - andou pela varanda — Eu devolvo o dinheiro, você toma minha filha como amante e retira todas as outras acusações contra mim? — Sim. Basicamente isso. — Eu fico livre mesmo? Sem pagar nenhum centavo a mais? - Raphaele confirmou com a cabeça — Eu aceito - chegou perto dele — Mas quero que a leve daqui. O desprezo de Raphaele ficou explícito em seu olhar. O velho não pareceu se importar nem um pouco com o destino da filha. O que queria dizer que ele tinha mesmo armado para ela. — Tudo bem. Isso é fácil. Os dois retornaram. Melissa ainda estava no mesmo lugar, pensativa. Paolo conversava com John no jardim lateral e o cãozinho corria entre as plantas, fazendo buracos na terra. William se abaixou na frente dela e alisou seus braços. — Vou deixar que conte a ela. Estarei lá fora com meu irmão. Ela o olhou quando saiu. Contar mais o que agora? — Me contar o que? — Bem... Eu... Consegui fazer um acordo que vai me livrar da prisão - disse baixo, temeroso de sua reação. Por um instante ela se sentiu aliviada, mas isso não durou. — E como vai ser isso? - antes ela não tivesse perguntado. Deu um pulo da cadeira quando o pai lhe revelou o acordo. — Está louco? Eu não sou um objeto - ficou abismada. — Eu preciso de você, Melissa – tentou abraça-la, mas o afastou lhe dando um empurrão — Seus irmãos precisam. Pense neles, são pequenos ainda, como vão ficar? — Não seja um porco. Não os meta na sua sujeira, assim como fez comigo - sentiu um gosto amargo na boca. — Se eu for preso e tiver que vender tudo para pagar por danos, o que será deles? — Não é meu problema. Ela dizia isso só da boca para fora. Se importava com as crianças. — Filha, por favor, por eles - segurou seu braço — Sabe que Diana é inconsequente e não sabe se virar sozinha. Seus irmãos ainda são pequenos. O que vai ser deles? Vão pagar por um ato meu.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD