capítulo dois

1616 Words
A chegada em Wiltshire demorou bem mais do que o esperado já que eles pegaram o trem em horário comercial. Lucius buscava palavras para explicar à esposa que o futuro herdeiro da família Malfoy era mestiço. Ao seu lado, o garoto estava totalmente confuso tentando entender o rumo que sua vida seguiria com essa condição. m*l havia notado que a garota sentada à sua frente estava boquiaberta o encarando desde o momento em que entrou no trem. — Não encare as pessoas — disse Lucius chamando sua atenção. — O que? — Draco foi tirado dos seus pensamentos, seu pai fez um gesto o fazendo olhar para a garota que agora tinha um sorriso estampado de orelha a orelha. O loiro sentiu um calor tomar conta de todo seu corpo e sorriu maliciosamente encarando os olhos da moça. — Vamos, pare de fazer isso. — Os dois desceram do trem, mas a garota o acompanhou com os olhos até onde pode enxergá-lo. Sentiu-se estranha quando a sensação de hipnose passou, se ela ao menos soubesse que havia cruzado com um veela, conseguiria explicar para as colegas o porquê agiu daquela maneira antes de encontrar com elas na próxima estação. — Isso é engraçado. — Draco tentou puxar conversa com o pai que continuava andando em passos largos e com a cara fechada. — Engraçado? Aquele velho não te avisou os riscos? Gastei uma fortuna para ele não te informar nada? — Tirando a parte da morte, é engraçado, as garotas vão cair aos meus pés. — Draco! Se essa história sair de nossa família, seremos humilhados por todos! Já basta o vexame de Azkaban, não precisamos ter a fama de sangue sujo, não conte a ninguém o que aconteceu hoje. — E como eu vou achar a escolhida? — Você saberá quando a conhecer, não estou te pedindo isso porque sinto vergonha de você, estou apenas tentando te proteger, as pessoas podem ser cruéis. — Crueldade era o que Lucius mais conhecia, passará sua adolescência humilhando quem ele considerava inferior a ele, coisa que ensinou o filho a fazer com maestria, mas ter um veela em sua família não o faria mudar sua opinião sobre bruxos nascidos trouxas, a pureza ainda continuava no sangue de sua família. Após uma breve caminhada e uma aparatação, eles finalmente chegaram em casa e encontraram Narcisa, a mulher passou a tarde inteira angustiada sem saber o que havia acontecido com o filho na noite de seu aniversário. — Merlin! Achei que algo havia acontecido — exclamou Narcisa que abraçou o filho, mesmo o garoto tentando esquivar, ele não suportava mais tantos abraços e lamentos de sua mãe. — O que o Fitzgerald disse? — Ele é um velho biruta! — Lucius reclamou sentando-se em sua poltrona, acabará de esquecer todas as palavras que pensou em dizer para a esposa — Sente-se, não são boas notícias. — Para com a enrolação, fala logo. — Fitzgerald disse que nosso filho pode ser... Draco pode ser um meio-veela. — A loira ficou espantada com a notícia, havia estudado sobre veelas em seu período de estudos em Hogwarts, mas esse seria o momento de contar um dos maiores segredos de sua família. — Fala alguma coisa mãe. — Eu sinto muito filho, eu deveria ter contado para vocês. — Suspirou tentando encontrar as palavras certas para explicar a situação. — Do que está falando, Narcisa? — perguntou Lucius, havia raiva em sua voz, mas como não ficaria bravo com a notícia que recebeu há poucas horas? — Meu avô Baltazar Rosier, estava viajando pela Alemanha quando conheceu Olivia Maxine. Eles se apaixonaram logo quando se conheceram. — Suspirou — Mas ela tinha um segredo e não sabia se ele suportaria saber, ela era uma veela. De início ele relutou, não queria sujar a imagem da família, mas quanto mais se afastava dela, mais ela definhava o desejando, até que eles não aguentaram mais ficar separados. — Por que nunca me disse que isso era verdade Narcisa? — Quando os boatos se espalharam, meus pais fizeram o possível e impossível para que fossem apenas boatos, eles tinham medo do que as pessoas pensariam, seus pais sabiam quando nos apresentaram.— Lucius levantou-se e sentou-se ao lado da mulher — Eu deveria ter te contado, agora nosso filho está em perigo por minha culpa. — As lágrimas rolavam em seu rosto enquanto seu marido tentava reconfortá-la em um abraço. Draco não falou nada, apenas subiu as escadas com seu livro embaixo do braço, o que ele menos precisava era de mais lamentos. (...) Os meses passaram mais rápido do que Draco esperava, o Ministério da Magia estava uma completa loucura, seus pais m*l falavam com o garoto, e toda noite ouvia os lamentos de sua mãe, as férias pareciam uma eterna tortura. Quando se deu conta restavam somente três horas para ele embarcar de volta à Hogwarts, não estava nenhum pouco animado com a viagem, havia lido e relido todo o livro que o senhor Fitzgerald tinha lhe dado há dois meses atrás, trocou algumas cartas para tirar suas dúvidas sobre as mudanças do seu corpo, qualquer um que tivesse o conhecido em janeiro não entenderia o porquê das mudanças. Draco havia conseguido uma cabine vazia, estava tão distraído com a leitura do livro de Amelie Durand que não percebeu a figura que aproximava-se abrindo a porta da cabine com calma. — Está cheia — resmungou. — Não estou vendo outras pessoas além de você. — O garoto abaixou o livro e olhou para a moça em sua frente, ela tinha o cabelo castanho um pouco abaixo dos ombros, talvez fosse até um pouco mais baixa do que ele. — Procure outra cabine! — Eu estava na minha cabine. — Sentou-se — Mas precisei sair e tomaram meu lugar, o que uma neta não faz pelo seu amado avô, não é mesmo? — Eu posso saber quem é você? — Maia Fitzgerald! Conheceu o meu avô. — Pensei que a neta dele fosse mais nova. — Eu tenho dezesseis anos, não é como se eu fosse uma idosa. — Eu sou Draco Malfoy. — Eu sei quem você é, e o que você é. — Sorriu maliciosa encarando o garoto que estava com a expressão assustada — Não se preocupe, não vou contar para ninguém. — O que você quer comigo? — Esperava que fosse mais gentil, afinal graças a mim, vai poder ler isso. — Tirou uma carta de seu bolso e lhe entregou, mesmo relutante Draco pegou a carta e a encarou. A garota apoiou sua cabeça próximo a janela, esticou suas pernas em cima do banco, e se distraiu balançando os pés. Draco encarou a carta e a abriu com calma, haviam algumas rasuras no papel, mas nada que o impedisse de conseguir ler a mensagem. “Londres, 03 de setembro de 1997 Olá Draco, sinto muito por não ter conseguido responder suas últimas cartas, ocorreram alguns imprevistos e não consegui escrever para você. Eu pedi para que Maia lhe ajudasse a passar por esse momento difícil, você pode confiar nela, ela está me ajudando a avaliar a situação e documentar tudo. O contato com as garotas da escola será muito difícil, mas ela te ajudará, mande outras cartas se necessário. Até breve! — E. Fitzgerald." O loiro suspirou e guardou a carta, estava totalmente confuso, como uma garota o ajudaria com outras garotas? Fitzgerald só poderia estar maluco. — Então... — Coçou a garganta —, como o seu avô espera que uma garota me ajude a não enlouquecer garotas? — Não se preocupe, Malfoy. Eu sei muito bem como me cuidar. — Entrou há pouco tempo na escola? — Sim, fazem seis anos. — Não era novidade o Malfoy não saber que Maia estudava com ele desde o seu primeiro ano, afinal ele só prestava atenção nos próprios amigos ou em Harry Potter e seus amigos. — Eu nunca te vi na escola antes. — Isso não me surpreende nenhum pouco. — De qual casa você é? — Corvinal. — Ah. — Olha eu tenho que te ajudar, mas se acha que vai encontrar a pessoa certa com esse papo, eu sugiro que pule desse trem agora mesmo. — Como? — Sorriu fraco — Eu não estou tentando te conquistar Fitz. — Não me chame assim! — Isso te irrita? — perguntou debochando da garota. — Isso vai ser uma tortura. — Por que não me olha? — Dicas do meu avô, não olhe para um veela e não terá problemas. — Pelo o que eu li, a voz causa o mesmo efeito. — Draco deitou-se da mesma maneira que a garota e suspirou. — Está com medo? — Finalmente a garota o encarou. — Eu queria dizer que não, mas não tenho tempo para mentiras. — O peso de saber que sua vida dependerá de sorte, o deixava apavorado, mas ele nunca admitiria isso em voz alta. Principalmente para uma garota que só sabia o nome. — Não se preocupe, está em boas mãos. — Draco a olhou de volta e sorriu. — Deixar minha vida nas mãos de uma garota de dezesseis anos? Isso é reconfortante. — Eu faço dezessete em poucos meses. — Até lá, quem dá as ordens sou eu. — Vai pensando. — Maia gargalhou e levantou. — Aonde vai? — Não preciso te dar explicações Malfoy. Estou aqui apenas para te ajudar. — Draco revirou os olhos e voltou a ler o livro. Maia estava empolgada com a ideia de ajudar um meio-veela, ela poderia ajudar o seu avô com novas pesquisas. Mas ainda ficava um pouco preocupada de ter que “salvar" Draco Malfoy.
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